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Esporte Entenda os fatores que afetam os preços inflacionados dos ingressos no futebol brasileiro

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A decisão da Libertadores, entre o Flamengo e o Palmeiras, daqui a um mês, contam com entradas custando mais de R$ 1 mil. (Foto: Divulgação/Conmebol)

O futebol brasileiro entrou na era dos ingressos de quatro dígitos. Tanto a semifinal da Copa do Brasil, entre Flamengo e Athletico, nesta quarta-feira (27), quanto a decisão da Libertadores, entre o time de Renato Gaúcho e o Palmeiras, daqui a um mês, contam com entradas custando mais de R$ 1 mil – algumas, o triplo do salário mínimo nacional, hoje em R$ 1,1 mil. O encarecimento do tíquete é uma tendência, mas é difícil prever se esses valores vão se transformar em uma nova realidade, a pesar no bolso do torcedor, ou se serão praticados apenas em jogos específicos.

De um lado, existe o apelo gerado pelas partidas decisivas. Isso não é novo, nem deve mudar. De 2019 para a final da Libertadores deste ano, o preço médio do ingresso foi de R$ 584 a R$ 2.296, um aumento de 168% acima do valor do primeiro quando corrigido pela inflação no período. A Conmebol transformou a final em partida única, a ser disputada em sede determinada previamente, e o produto ganhou ares de evento excepcional. E tudo que não se repete custa mais caro.

“Temos de separar esses jogos dos restantes”, ressalta Fernando Trevisan, diretor da Trevisan Escola de Negócios. “Esse tipo de jogo se assemelha mais a um festival de música, a um desfile na Sapucaí. É um evento pontual, e, como vários eventos desse tipo, acontece com preços majorados.”

Contribui para o custo elevado, no caso da Libertadores, a mão pesada dos dirigentes sul-americanos, que realizam os cálculos da final em dólares. Com o real desvalorizado frente à moeda americana, rubro-negros e palmeirenses terão de gastar ainda mais no dia 27 de novembro. Ao menos, terão acesso a mais ingressos no Centenário, depois que o governo uruguaio decidiu, ontem, pela liberação de 75% da capacidade em lugares totalmente ao ar livre – uma medida para manter a pandemia sob controle.

Quando a competição é nacional, o trabalho de estipular o preço da entrada é do clube mandante, que leva em consideração fatores como custo operacional do estádio, momento esportivo da equipe, estratégias de valorização dos programas de sócio-torcedor, ganho técnico de ter o estádio lotado a seu favor, entre outros pontos. É uma operação complexa. O que parece claro, no horizonte dos dirigentes, é o desejo de esticar ao máximo a corda dos que têm maior poder aquisitivo.

Isso porque a implementação das novas arenas, construídas por ocasião da Copa do Mundo de 2014, elevou os preços de uma forma geral no país. E numa proporção muito maior nos lugares mais valorizados do estádio do que nos assentos menos nobres.

Para se ter uma ideia, da semifinal da Copa do Brasil de 2006 para a de 2021, o ingresso mais barato cobrado pelo Fla subiu de R$ 15 para R$ 40. Trata-se de um aumento inferior à correção pela inflação. Há casos, porém, em que somente podem aproveitar esse preço os torcedores que já pagam uma quantia aos programas de sócio-torcedor. O mesmo não pode ser dito a respeito dos tíquetes mais valorizados, que saltaram de R$ 50 para R$ 1.000 – num setor que oferece comida, bebida e outros serviços.

Fator Covid-19

A pandemia também entra neste cálculo para entender os preços atuais. O período de 18 meses sem torcedores nos estádios afetou drasticamente as receitas de alguns clubes, especialmente daqueles que atuam em estádios com boa capacidade e percentual de ocupação. Ele também gerou uma grande demanda dos torcedores pela experiência de assistir ao time do coração presencialmente. A soma dessa alta procura com o desejo dos clubes por retomar rapidamente o patamar de arrecadação com bilheteria fez com que eles precificassem os bilhetes em um patamar acima do que era praticado em 2019, antes da Covid-19.

“A pandemia trouxe este fato nunca visto nas últimas décadas, um período tão grande de ausência de público nos estádios. O interessante é que trouxe também o fenômeno da “escassez” que contribui para que os ingressos tenham uma precificação maior do que o normal, além é claro do fato de serem fases finais de torneios tão importantes”, afirma Rene Salviano, especialista em marketing esportivo.

Entretanto, já foi possível perceber que o torcedor não está suscetível a qualquer valor, dependendo da partida. Há muitos casos de clubes na Série A que não conseguiram vender todos os ingressos disponíveis neste retorno da torcida aos estádios, mesmo disponibilizando menos entradas do que o normal, o que ocasionou prejuízos. Com a crise econômica e a redução do poder de consumo, os clubes não terão outra alternativa que não trabalhar com ingressos mais baratos.

“Estamos falando de um produto de massa, não dá para cobrar valor tão alto. A população vive extrema restrição orçamentária”, aponta Fernando Trevisan.

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