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Geral Entenda por que três bancos quebraram nos Estados Unidos e o que esperar a partir de agora

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O colapso do First Republic Bank, o terceiro banco dos Estados Unidos a falir desde o início de março, renovou os temores em relação à extensão da crise no setor. (Foto: Reprodução)

O colapso do First Republic Bank, o terceiro banco dos Estados Unidos a falir desde o início de março, renovou os temores em relação à extensão da crise no setor, que também já afetou instituições de outras partes do mundo.

Desde as falências do Silicon Valley Bank (SVB) e do Signature Bank, os investidores se questionavam quem seria a próxima vítima. A instabilidade gerada pela crise americana chegou à Europa e derrubou o Credit Suisse, que foi comprado pelo UBS, seu principal rival, em uma operação de socorro liderada pelo governo da Suíça.

Nos EUA, o First Republic rapidamente subiu nas listas de apostas. Investidores e analistas agora se voltam para outras instituições regionais do país, com perfil similar aos bancos que faliram e vulneráveis ao problema que desencadeou a crise.

Com o colapso, o First Republic se tornou o segundo maior banco da história dos EUA a falir. A maior parte dos ativos da instituição foram compradas pelo J.P. Morgan, em uma negociação que conta com o apoio da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC, o órgão garantidor de crédito dos EUA).

A notícia da aquisição foi recebida com alívio pelos investidores, mas não foi suficiente para dissipar os temores sobre as turbulências que afetam o setor bancário americano.

O First Republic é mais uma vítima da crise que começou no início de março com o SVB. O principal banco das startups enfrentou uma crise de capital após uma súbita corrida dos clientes para resgatar suas aplicações, o que afetou o sistema financeiro americano como um todo.

A crise que começou no SVB e se espalhou foi provocada por diversos fatores. O mais importante deles foi a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, de elevar a taxa de juros no país para combater o avanço inflacionário, o que tirou a atratividade de investimentos de risco que costumam ter retornos mais alto.

Os investidores passaram a olhar para a renda fixa, que é mais segura e se tornou mais atraente com o cenário de juros mais altos. Com isso, houve um enxugamento do capital de risco do mercado, afetando as empresas de tecnologia. Muitas delas foram forçadas a sacar os recursos que tinham no SVB, o que gerou dúvidas sobre a liquidez do banco e deu início à crise.

Assim como o SVB, o First Republic, com sede na Califórnia, cresceu rapidamente ao atrair empresas e pessoas mais ricas. O banco conseguiu muitos clientes ao oferecer crédito imobiliário barato, quando as taxas de juros nos EUA estavam em níveis historicamente baixos, em troca de depósitos na instituição. Um dos objetivos era convencer esses clientes a contratarem também produtos mais lucrativos, como gestão de patrimônio.

Os temores sobre o que aconteceria com o SVB provocaram uma corrida em vários outros bancos, inclusive no próprio First Republic. Isso obrigou o governo dos EUA a declarar que o SVB e o Signature eram um risco sistêmico para o sistema financeiro, permitindo que medidas extraordinárias fossem tomadas para conter os danos.

Muitos dos clientes do banco tinham depósitos muito superiores aos US$ 250 mil garantidos pelo governo federal. Depois que o Sillicon Valey Bank faliu, muitos deles fizeram saques de suas contas no First Republic, temendo que seu dinheiro também estivesse em risco.

Na semana passada, ao divulgar um balanço que expôs o tamanho de sua crise, o First Republic informou que seus clientes haviam sacado mais de US$ 100 bilhões desde o início da crise, sendo que a maior parte do volume foi movimentada apenas em alguns dias de março.

Antes da intervenção das autoridades reguladoras, um grupo de 11 bancos americanos, liderados pelo J.P. Morgan, injetaram US$ 30 bilhões no First Republic, em um esforço para impedir que o banco seguisse o mesmo caminho do SVB e do Signature Bank.

Mas o esforço não foi suficiente. A publicação do balanço do First Republic na semana passada foi a pá de cal que selou o destino da instituição, acelerando o derretimento das ações do banco na semana passada. Em 8 de março, quando a crise começou, elas eram negociadas a US$ 115. Na sexta-feira da semana passada, como reação aos números negativos, os papéis fecharam em US$ 3,15.

O que os três bancos tinham em comum era um modelo de negócios que não se adaptou bem ao aumento das taxas de juros. No caso do First Republic, a carteira de empréstimos imobiliários baratos para clientes ricos o deixou com grandes perdas quando o Fed acelerou o aperto monetário para conter a inflação. Além disso, os clientes começaram a exigir taxas de depósito mais altas para manter seu dinheiro no banco, o que também afetou sua liquidez.

A grande questão entre analistas e investidores é até que ponto a quebra do First Republic representa um risco sistêmico mais amplo. Muitos avaliam ser pouco provável que os EUA enfrentem uma crise na escala de 2008, mas existe uma possibilidade de novas falências entre bancos de médio porte com vulnerabilidades semelhantes.

Por enquanto, os analistas esperam que o sistema bancário seja poupado de novas falências, argumentando que os problemas do SVB, do Signature Bank e do First Republic são exclusivos dessas instituições financeiras.

Outros bancos de médio porte sofreram uma corrida por saques e foram forçados a tomar empréstimos em programas federais emergenciais para fortalecer seus balanços, mas nenhum deles foi tão atingido quanto o First Republic. As informações são do jornal Valor Econômico e das agências de notícias AP e Bloomberg.

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