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Mundo Entenda porque a Europa enfrenta a terceira onda do coronavírus

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Países como Alemanha, França e Itália passam por nova onda de contágio, que já afetou o Reino Unido recentemente. (Foto: Reprodução)

Em meio a uma vacinação lenta contra o coronavírus, diversos países da Europa começam a enfrentar uma terceira onda de contágios e voltam a adotar medidas mais restritivas para tentar frear o número de casos e mortes causadas pelo novo coronavírus.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que o nível de vacinação do continente ainda é muito baixo para retardar a transmissão, que as infecções aumentaram nas últimas três semanas e que mais pessoas estão morrendo da doença do que há um ano.

Foram mais de 1,2 milhão de novas infecções por coronavírus e mais de 20 mil mortes na semana passada, segundo o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, que alertou: “A vacinação por si só, não substitui as medidas de saúde pública e sociais”.

O Reino Unido já passou pela terceira onda em janeiro e, com um lockdown rigoroso e a aceleração da vacinação, conseguiu derrubar a curva de casos e mortes desde então. Mas o fenômeno começa a ocorrer em outros países do continente, como Alemanha, França e Itália.

“Nós temos sinais claros: a terceira onda na Alemanha já começou”, afirmou Lothar Wieler, chefe do Instituto Robert Koch para doenças infecciosas, responsável por divulgar os números de casos confirmados e mortes por Covid-19 no país. A Alemanha registrou o maior aumento de casos em quase dois meses. Foram 227 mortes e 17.504 novos infectados na quinta-feira (18), a maior alta desde 22 de janeiro.

As hospitalizações na França estão nos níveis mais altos desde novembro, e os leitos de UTI estão quase no limite, mesmo com o país sob toque de recolher das 18h às 6h há dois meses. Restaurantes, bares, cinemas, museus, teatros e academias estão fechados há quase cinco meses.

A França entrou, a partir da meia-noite da sexta-feira (19), em seu terceiro confinamento em um ano, anunciou o primeiro-ministro Jean Castex. A medida, desta vez menos restritiva, atinge 16 departamentos do país, incluindo Paris, para tentar conter a terceira onda de Covid-19.

“Vamos tomar as decisões que precisam ser tomadas”, afirmou o presidente Emmanuel Macron ao visitar um hospital a leste de Paris. Macron afirmou que as medidas são “pragmáticas, proporcionais e direcionadas”.

Segundo país mais afetado pela Covid-19 na Europa, a Itália registrou 502 mortes na terça-feira (16), o número mais alto desde o final de janeiro, um dia após as restrições serem intensificadas em todo o país.

Mais da metade da população retornou à “zona vermelha”, a mais restritiva, e haverá uma paralisação total no país durante três dias na Páscoa, entre 3 e 5 de abril, inclusive nas áreas menos afetadas. Na Europa Central e nos Bálcãs, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Klugee, diz que os novos casos, hospitalizações e mortes estão entre as maiores do mundo.

O Instituto Robert Koch, da Alemanha, diz que a terceira onda é impulsionada por uma flexibilização das restrições que ocorreu nas últimas semanas, além das variantes do novo coronavírus, que são mais transmissíveis, e prevê um grande salto no número de casos nas próximas semanas.

Partes do país começaram a reabrir no começo do mês, após um longo bloqueio. Estabelecimentos não essenciais estão funcionando e alguns alunos começaram a retornar às escolas em turnos. Agora, restaurantes e hotéis esperam poder reabrir na segunda (22), segundo o jornal “The Guardian”.

Especialistas afirmam que a vacinação lenta e o relaxamento da população podem ter levado à escalada de casos, hospitalizações e mortes por Covid.

“O lockdown foi interrompido muito cedo, para permitir que as pessoas fossem às compras para o Natal”, disse a epidemiologista francesa Catherine Hill à emissora americana CNN. “A admissão em UTIs tem [aumentado] regularmente, e a situação agora é crítica em várias partes do país, incluindo a grande Paris”.

Josh Michaud, diretor de política de saúde global da Fundação da família Kaiser em Washington, disse ao “The Guardian” que “o rápido relaxamento da Europa nos requisitos de distanciamento em muitos lugares, combinado com as populações baixando a guarda, enquanto olhavam para a luz no fim do longo túnel da pandemia, ajudou a preparar o terreno para os surtos atuais”.

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