Quarta-feira, 01 de abril de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Colunistas Entre a cruz e a ressurreição: o que a Páscoa ensina sobre fé, propósito e construção

Compartilhe esta notícia:

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Na Semana Santa, é comum lembrarmos da Páscoa como uma celebração. Mas, quando olhamos com mais profundidade, percebemos que a mensagem central não está apenas na cruz, nem apenas na ressurreição. Está no que acontece entre elas.

Existe um intervalo. Um tempo de silêncio. Um espaço onde não há evidências, apenas fé.

A narrativa da Páscoa não começa na vitória. Ela começa na dor. Primeiro vem a sexta-feira, marcada pela perda e pela incerteza. Depois o sábado, o dia em que aparentemente nada acontece. E só então o domingo, a ressurreição.

Mas talvez o ponto mais importante seja este. O sábado não precisa durar apenas um dia.

Na lógica humana, contamos o tempo em horas e calendários. Na lógica de Deus, existe o tempo chamado kairos. Um tempo oportuno, certo, determinado por propósito e não por cronologia. Isso significa que o intervalo entre a promessa e a realização pode ser maior do que esperamos. E ainda assim, continua sendo parte do processo.

O apóstolo Paulo escreve em Romanos 5:3-4 que a tribulação produz perseverança, a perseverança produz experiência, e a experiência produz esperança. Essa sequência não é apenas espiritual. Ela é profundamente prática. A tribulação é o momento difícil, a perseverança é continuar mesmo sem resultado imediato. Já a experiência é o aprendizado construído no caminho. E a esperança é convicção.

Na vida profissional, isso se repete. Projetos que não dão retorno imediato. Negócios que exigem investimento antes do lucro. Decisões que precisam ser tomadas sem garantias. Muitos querem o domingo, mas poucos aceitam a sexta-feira e quase ninguém quer viver o sábado.

E, muitas vezes, esse sábado dura mais do que gostaríamos. Pode durar meses. Pode durar anos. É o período em que tudo parece parado, mas algo está sendo estruturado. No empreendedorismo, esse é o tempo da construção silenciosa. Na marca pessoal, é o momento em que o posicionamento ainda não trouxe visibilidade, mas os valores já estão sendo consolidados.

Existe uma lógica espiritual que também é estratégica. Antes da ressurreição, houve entrega. Antes da visibilidade, houve preparo. Antes da autoridade, houve constância.

As escrituras reforçam essa ideia ao dizer que não devemos nos cansar de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não desfalecermos. A expressão a seu tempo conversa diretamente com o kairos. Não é o tempo da ansiedade. É o tempo do amadurecimento.

Crer em Deus não significa esperar passivamente. Significa agir com propósito, mesmo quando o cenário ainda não mostra resultados. A fé, obviamente, não elimina a responsabilidade. Mas orienta a responsabilidade. Deus não substitui o planejamento, mas dá sentido ao caminho.

A Páscoa também nos lembra da importância da coerência. Mesmo na cruz, Jesus manteve sua identidade e seu propósito. Isso dialoga diretamente com a construção da marca pessoal. Posicionamento não é apenas visibilidade. É consistência de valores, especialmente nos momentos difíceis. É fácil sustentar princípios quando tudo vai bem. O verdadeiro posicionamento aparece quando há pressão.

Talvez a mensagem mais forte da Semana Santa seja essa. Não se trata de vitória rápida. Trata-se de esperança madura. Daquelas que não ignoram a dor, mas também não para nela. Todos nós, em algum momento, estamos entre a cruz e a ressurreição. Entre o esforço e o resultado. Entre a decisão e a colheita.

E é justamente nesse intervalo que fé, propósito e empreendedorismo se encontram. Porque todos exigem visão antes da evidência. E, muitas vezes, exigem paciência para atravessar um sábado que dura mais do que um dia, até que o kairos de Deus se manifeste. O kairos não é apenas o tempo em que algo acontece. É o tempo em que algo amadurece. Antes da ressurreição pública, houve formação silenciosa. No empreendedorismo e na marca pessoal, esse período é onde se constrói estrutura emocional, clareza de propósito e consistência. Quando o momento chega, não é apenas uma virada. É a consequência de um processo que já estava sendo preparado muito antes.

O equilíbrio está em continuar construindo enquanto se aguarda o momento certo.

(Suellen Ribeiro – Empresária, mentora e apresentadora do Jornal da Pampa – Grupo Rede Pampa. Instagram: @suribeiroc)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Edegar Pretto segue candidato ao Piratini, mas diálogo com o PDT continua
Raio-X do campo: Comissão da Assembleia lança Observatório da Agropecuária Gaúcha
Deixe seu comentário
Verificação de Email

Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x