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Ali Klemt Entre rugas e Lulas – o que realmente importa

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(Foto: Freepik)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editorias de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Hoje é meu aniversário, viva! Portanto, dei-me o direito de não falar do Lula, muito menos do Alexandre de Moraes. Perdoem-me, mas eu não mereceria isso, né? Imagina! Em pleno aniversário, ficar debatendo o risco do Bolsonaro pular o muro para fugir pela casa do vizinho. Afffff.

Hoje, quero um respiro. Na verdade, vim “descalibrando” nos últimos dias. Refletindo sobre os valores que quero implementar, diariamente, em minha vida. Sim, eu estou emotiva – e é assim que tem que ser. Aniversários são importantes por dois motivos: primeiro, para celebrar o fato de estar vivo; segundo, para nos fazer refletir sobre PRIORIDADES.

É por isso que valorizo todos os ritos de passagem, seja os que eu celebro, seja os de qualquer outra pessoa. Porque é assim que a gente marca o decurso do tempo em nossa história. É assim que nos permitimos botar na balança erros e acertos, escolhas, anseios, faltas. O que quero levar daqui para a frente? O que quero deixar para trás?

E não é só intuição, não. A psicologia e a antropologia já estudaram exaustivamente a força simbólica desses momentos. Arnold van Gennep, antropólogo francês, mostrou que todas as culturas, em todos os tempos, tiveram rituais de passagem para assinalar as transições da vida: o nascimento, a puberdade, o casamento, a morte. Cada rito, ao seu modo, serve para reforçar a identidade do indivíduo e a coesão da comunidade. É uma mão comunitária que se estende para te contar que já passaram por isso, que te compreendem. É como se dissessem: “Você não está sozinho. A vida muda, mas você pertence.”

A neurociência, por sua vez, comprova que rituais, ainda que simples, ajudam a reduzir a ansiedade e a reorganizar nossas emoções. Estudos mostram que, quando realizamos atos simbólicos, nosso cérebro registra esse momento como um marco e nos dá a sensação de fechamento de ciclo e de abertura para o novo. É por isso que festas de aniversário, formaturas, casamentos ou até mesmo um brinde com amigos têm um efeito tão poderoso: eles sinalizam que algo terminou e algo começa.

O filósofo Mircea Eliade dizia que os ritos de passagem nos reconectam com a ideia do “sagrado”. Ainda que não necessariamente religioso, mas no sentido daquilo que é maior do que nós, eles nos lembram que a vida não é apenas um correr de dias iguais: existem marcos, instantes especiais, pontos de inflexão que merecem ser destacados. E é justamente nesses pontos que podemos renovar nossa narrativa pessoal, redefinir prioridades e nos reinventar.

Talvez seja por isso que me emociono tanto com aniversários. Não se trata apenas de bolo (ainda mais para quem não come doce, nem glúten!), tampouco dos presentes (embora eu adore ganhá-los!), mas da oportunidade de revisitar a própria história e reafirmar escolhas. É um chamado silencioso para a responsabilidade de viver de forma consciente, sem deixar que o tempo apenas passe por nós.

Por essa exata razão é que amadurecer é tão lindo. E tão importante. Completo 46 anos com um imenso orgulho da minha história: entre tropeços e vitórias, jamais imaginei que poderia ser tão feliz. E é por esse motivo que, se me perguntarem se eu preferia voltar aos meus vinte anos, eu não titubeio: não trocaria a Ali de hoje pela Ali de qualquer outra fase da vida, embora guarde cada uma delas em um cantinho do meu coração. Cada Ali foi essencial para essa Ali aqui digitar essas palavras, dar uns gritos pedindo justiça, rir das próprias fraquezas e fazer o bem que, hoje, sei que consigo fazer. Essa Ali é o resultado de todas as outras, com suas trapalhadas e confusões, com seus choros e dúvidas, mas , sobretudo, com sua coragem.

Eu tenho orgulho real da mulher que me tornei. Mesmo sabendo o quão imperfeita eu sou, tento sempre ser o meu melhor. E é sobre isso, afinal: somos todos apenas um esboço de nossas potencialidades. Cabe a cada ser humano buscar evoluir o máximo possível nessa existência e, enfim, transbordar para entregar ao mundo, ao universo a sua grandiosidade. Porque todos temos uma, acredite.

E essas são as simples razões pelas quais, hoje, quero falar do lado bom da vida, daquele que insiste em sobreviver em meio ao caos político e à mediocridade institucional. Quero celebrar as pequenas conquistas, os abraços sinceros, o riso que chega sem pauta e sem sessão plenária. Porque, convenhamos, se tem algo que nos salva é a vida real, aquela que não depende de voto em plenário nem de decisão judicial. Aquela que faz nosso coração bater e nossos olhos lacrimejarem.

O aniversário é o dia perfeito para lembrar que o tempo passa — e rápido. Rápido demais. Vejo meus filhos crescendo, vejo minhas rugas aparecendo. O colágeno se vai. Mas a sabedoria…ah, essa vem com a intensidade fluida do tempo….

Enquanto Brasília se perde em disputas de ego, nós envelhecemos. Um ano a mais na conta, e o que me interessa de fato é saber se estou vivendo do jeito que quero, cercada das pessoas que amo, e construindo algo que faça sentido para além das manchetes.

Então, hoje não tem Lula, não tem STF, não tem muro para pular. Tem só a vida, nua e crua, pedindo para ser vivida — com todas as suas dores, delícias e descobertas.

Porque, no fim das contas, os homens do poder passarão, as disputas se esfarelarão, as manchetes se perderão. Mas eu e você seguimos aqui, de parabéns — lembrando que a única pauta que realmente importa é esta: viver com coragem, amor e propósito.

Ali Klemt

@ali.klemt

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editorias de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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