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Brasil Especialistas mostram preocupação ambiental com o alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú

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A Praia Central de Balneário Camboriú é um dos destinos preferidos pelos turistas que viajam para o litoral de Santa Catarina.

Foto: Element Films/Divulgação
A Praia Central de Balneário Camboriú é um dos destinos preferidos dos turistas que viajam para o litoral de Santa Catarina. (Foto: Element Films/Divulgação)

A obra de alargamento da faixa de areia da Praia Central de Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, avançou 1,4 mil metros de praia até a última sexta-feira (10), desde 22 de agosto. Os trabalhos estão chamando a atenção e chegaram a virar uma espécie de ponto turístico para os curiosos.

Especialistas também acompanham a obra e debatem os possíveis impactos ambientais. O oceanógrafo Jules Soto, que também é curador do Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), afirmou que o alargamento deve trazer benefícios para o local.

“É uma praia ideal para fazer esse tipo de trabalho que está sendo feito, de engenharia, que já se fez em diversas praias do Brasil. É uma defesa contra as ressacas. Inclusive, na minha opinião, isso vai favorecer muito a questão do ecossistema da praia”, disse.

“Os primeiros anos, logicamente, são de impacto. Essa simples mudança das camadas de sedimento, de fazer uma dragagem, tirar de uma jazida mais ao fundo e jogar, nós temos pelo menos uns cinco anos de restabelecimento do ecossistema, da fauna associada ao sedimento, entre várias outras questões”.

Um dos impactos ambientais mais visíveis foi o aparecimento de centenas de conchas na praia, ainda no final de agosto.

“O que aconteceu em Balneário Camboriú, durante o processo de dragagem, ao ressuspender poluentes, e um material muito fino, produzindo uma pluma, esse material, assim como lá no começo dos anos 2000, pode ter sufocado muitos dos moluscos observados mortos. É muito importante nós aproveitarmos isso que está acontecendo para corrigirmos os rumos das nossas intervenções”, afirmou o biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Paulo Horta.

Turismo e construção civil

A historiadora Mariana Schlickmann acredita que os impactos ambientais são pouco estudados. Mas destacou benefícios. “Para o turismo vai ser bom, claro, vai aumentar a faixa de areia. Quem tenta andar na cidade entre Natal e Ano Novo sabe que é difícil”, disse.

Ela estudou a história da cidade desde a emancipação, que ocorreu em 1964. Antes, o município pertencia à vizinha Camboriú.

“Desde o começo, o município se organizou em torno da questão do turismo.” As praias e a implantação da BR-101, que corta a cidade, permitiram um estímulo à atividade.

Schlickmann contou a história da cidade no livro “Do Arraial do Bonsucesso a Balneário Camboriú – Mais de 50 anos de História”. Para escrever, ela conversou com moradores e teve acesso a outras entrevistas registradas no Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.

“Existem várias opiniões. De modo geral, quem mora aqui [Balneário] há muito tempo tem uma opinião mais crítica sobre a construção civil na cidade. A gente piscou e saiu uma casa ou um comércio local para ter um arranha-céu”, disse a historiadora.

Em 1970, o alargamento já começou a ser discutido como uma alternativa para o crescimento econômico, mas não foi adiante por falta de tecnologia.

Em 2001, um plebiscito foi realizado para que a população pudesse se manifestar sobre o projeto. A maioria dos eleitores foi favorável à ampliação. Entretanto, somente parte da obra foi realizada, na Barra Sul.

“A construção civil é importante, gera muitos empregos e é um atrativo turístico, mas ela tem que acontecer de uma forma saudável, autossustentável para a cidade. O que a gente tem hoje não corresponde a isso”, acrescentou.

Expectativa dos moradores

Quem assistiu ao crescimento acelerado do município, aguarda com expectativa para saber qual será a dinâmica da cidade após a ampliação.

João Luiz da Silva, de 66 anos, acompanhou de perto a mudança na paisagem da cidade, que deu espaço a arranha-céus, avenidas movimentadas e uma orla cada vez mais recheada de turistas.

“A minha relação com Balneário é de sangue. Você nascer numa cidade e ver essa cidade se desenvolver é uma coisa espetacular”, destaca.

O morador é a favor do alargamento da faixa de areia. Ele acredita que essa é a solução para que a praia volte a comportar a quantidade de banhistas, especialmente durante a temporada. João conta que a expectativa e a curiosidade dos moradores estão altas, assim como as de pessoas de outras regiões.

“Tem gente vindo de outros municípios para Balneário só para ver o alargamento. Até isso mudou a rotina do turismo da cidade. É uma situação muito interessante”, afirma.

Carlos Alberto Schlup, de 68 anos, veio de Rio do Sul para Balneário Camboriú em 1963 com a família. Quando chegou, as ruas ainda não tinham números, havia pouco calçamento e a areia era “muito branquinha”. De lá para cá, ele conta que “mudou praticamente tudo”.

“Aquele charme, aquela essência de cidadezinha pequena, do interior, acabou”, relembra o morador.
Schlup afirma que gosta das duas versões de Balneário Camboriú: aquela que conheceu durante a infância e a que atualmente é cenário da aposentadoria.

O que diz a prefeitura?

Segundo a secretária municipal do Meio Ambiente, Maria Heloísa Furtado Lenzi, os impactos da obra na cidade são temporários. Ela cita, por exemplo, o ruído causado pelos trabalhos ou plumas de sedimentos, que ocorre quando se mexe no fundo oceânico.

“São impactos temporários que, assim que a atividade parar de acontecer, os impactos param também. Então a grande maioria dos impactos negativos são temporários e que podem ser mitigados”, explicou.

De acordo com Maria Heloísa, o aparecimento das conchas ao longo da praia é previsto e ocorre por conta do trabalho da draga, que retira sedimentos de dentro do mar para compor a faixa de areia. Chamados de “biodetritos”, eles são sobras de moluscos, crustáceos e fazem parte do ciclo oceânico.

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