Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 10 de junho de 2026
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, advertiu Cuba nessa quarta-feira (10) para que não adquira nem busque acesso a armamentos que possam representar uma ameaça ao território americano. A declaração foi feita durante visita à base militar dos EUA na Baía de Guantánamo. A viagem, anunciada de forma inesperada na véspera, ocorre em meio ao aumento da pressão de Washington sobre Havana, com a imposição de sanções a dirigentes cubanos e medidas que restringem o acesso do país ao petróleo.
“Seria imprudente que o governo de Cuba tentasse adquirir ou obter acesso a tipos de armas que pudessem alcançar esta base ou o território dos Estados Unidos”, declarou Hegseth aos militares, acrescentando que uma iniciativa desse tipo significaria que Cuba estaria “abrindo a porta para um confronto” que não teria condições de sustentar.
Nas últimas semanas, veículos de imprensa americanos divulgaram informações sobre uma suposta compra, por parte de Havana, de 300 drones militares. Os equipamentos poderiam ser utilizados contra a base de Guantánamo ou até mesmo contra a Flórida, situada a cerca de 150 quilômetros da costa cubana. Autoridades americanas disseram ao site Axios que Cuba adquiriu drones de ataque da Rússia e do Irã desde 2023 e busca ampliar esse arsenal.
O governo cubano rejeitou as acusações, com o chanceler Bruno Rodríguez afirmando que Washington está construindo “um dossiê fraudulento para justificar a guerra econômica impiedosa contra o povo cubano e uma eventual agressão militar”.
A visita de Hegseth ocorre após uma série de contatos entre autoridades dos dois países. No fim de maio, o principal general americano responsável pelas operações na América Latina esteve em Guantánamo, onde se reuniu com comandantes militares cubanos. Duas semanas antes, o diretor da CIA, John Ratcliffe, visitou Havana para encontros com autoridades locais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também tem buscado utilizar a base de Guantánamo como centro de detenção para migrantes deportados.
Discurso às tropas
Vestindo uniforme camuflado, Hegseth fez um discurso aos soldados da base, instalada em 1903 e transformada em um dos principais pontos de atrito entre Washington e Havana após a Revolução Cubana de 1959.
“O que acontecer no futuro de Cuba está nas mãos do presidente dos Estados Unidos”, afirmou, destacando que espera que os dois países possam desenvolver uma relação mais próxima no futuro. “Esperamos muito em breve nos tornar amigos da liderança de Cuba. Por enquanto, vamos ver o que acontece.”
As declarações foram recebidas com aplausos em diversos momentos pelos militares presentes. Hegseth afirmou ainda que cabe ao governo cubano decidir quais reformas pretende implementar.
— Cuba tem que tomar decisões sobre que tipo de reformas quer empreender. Não cabe a mim tomar essa decisão por eles.
Operações contra o narcotráfico
Durante a visita, o secretário de Defesa também mencionou as operações conduzidas pelo Pentágono no Caribe e no Pacífico contra embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico. Segundo o texto original, essas ações resultaram na morte de cerca de 210 pessoas desde setembro.
“Estamos caçando essas pessoas da mesma forma que caçamos a al-Qaeda e o ISIS no Oriente Médio: as mesmas redes, a mesma inteligência e as mesmas capacidades”, afirmou.
Especialistas e representantes da ONU têm criticado essas operações, classificando-as como execuções extrajudiciais.
O governo Trump, por sua vez, não apresentou provas que demonstrem que todas as embarcações atingidas estavam efetivamente envolvidas em atividades de tráfico. Ainda assim, Washington sustenta perante o Congresso que possui autoridade para agir preventivamente, utilizando procedimentos semelhantes aos empregados por administrações anteriores em países como Iêmen e Somália contra suspeitos de terrorismo. As informações são do jornal O Globo.
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