Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 10 de junho de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebateu as críticas sobre os efeitos de suas duras políticas de imigração no acesso de turistas e delegações na Copa do Mundo nesta quarta-feira (10).
O republicano, que sancionou um projeto de lei que garante US$ 70 bilhões de financiamento para ajudar na fiscalização e deportação de imigrantes, direcionados ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e à Patrulha da Fronteira dos EUA (CBP), afirmou: “Estamos trabalhando para garantir que as pessoas certas entrem”.
A declaração vem pouco depois que a ONU se pronunciou pedindo que os EUA reconsiderarem suas práticas de controle da entrada de estrangeiros durante a competição.
Em declaração dada a repórteres, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, criticou o governo de Donald Trump depois que torcedores, um árbitro somali da Fifa e dirigentes de equipes foram impedidos de entrar no país para a competição, e pediu mudanças:
“Espero sinceramente que repesem profundamente sobre a forma como as medidas de controle da imigração afetam os direitos humanos e a dignidade humana e que, especialmente às vésperas da Copa do Mundo, sejam revistas políticas que, infelizmente, temos visto prevalecer, sobretudo nos Estados Unidos”.
Festa e torcida
As demonstrações da dura política imigratória do governo de Donald Trump durante a Copa do Mundo já começaram, com revistas a seleções e vistos negados. No vizinho México, de outro lado, a recepção tem sido no tom inverso, com festa e torcida.
Na segunda-feira (8), ao chegar nos Estados Unidos, a seleção do Senegal foi submetida a uma revista na pista do aeroporto de Raleigh, na Carolina do Norte.
Os jogadores e membros da delegação foram revistados, um a um, com detectores de metal e inspeção de bagagem.
No início da tarde de terça (9), a seleção senegalesa esclareceu em um comunicado que a vistoria ocorreu antes do embarque, ao pé do avião, justamente para que a seleção pudesse pegar o voo sem ter que transitar pelas zonas habituais do terminal e pelas salas de embarque.
“Esta disposição visava essencialmente otimizar o tempo de viagem da delegação e facilitar o seu embarque a bordo do voo privado”, afirma o comunicado.
O caso de Senegal, que viralizou nas redes, não foi o único até agora. A seleção da Bélgica também foi submetida a uma revista com detectores de metal até na sola do sapato na chegada a Chicago na terça-feira (9).
Também na segunda-feira, o árbitro da Somália Omar Artan, escalado para trabalhar na Copa do Mundo de futebol, teve sua entrada nos Estados Unidos negada pelo governo Trump, após horas de interrogatório ao chegar em território norte-americano.
Artan, que seria o primeiro somaliano a apitar uma partida de Copa do Mundo, tinha visto válido, segundo a Federação da Somália.
Já a seleção do Uzbequistão foi recepcionada em Chicago com cães farejadores ao desembarcar para um amistoso contra a Holanda, também na segunda-feira.
A delegação do país se queixou após o episódio e denunciou ter tido todas as suas bagagens revistadas e esperado por horas de pé sob o sol forte para a liberação. O técnico da seleção do Uzbequistão, Fabio Cannavaro, criticou a revista e, à imprensa norte-americana, disse que “foi a primeira fez na vida que passei por isso”, afirmou.
Já no México, as primeiras recepções tiveram o enredo oposto. A seleção da Espanha foi recebida com bandas de música, dança e bandeiras ao desembarcar na segunda-feira na cidade de Puebla, onde disputou um amistoso contra o Peru na noite de segunda.
Em uma publicação em suas redes sociais, o canal da seleção espanhola de futebol agradeceu a recepção. “Obrigada pela recepção tão especial, amigos”, disse a publicação.
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