Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de junho de 2023
O governo de Joe Biden tem negociado discretamente com Teerã para limitar o programa nuclear iraniano e libertar americanos presos no Irã, de acordo com autoridades de três países, como parte de um esforço maior dos Estados Unidos para aliviar tensões e reduzir o risco de um confronto militar com a República Islâmica.
O objetivo dos americanos é alcançar um pacto informal, verbal, que algumas autoridades iranianas estão classificando como um “cessar-fogo político”. O acordo buscaria evitar uma escalada militar em uma relação hostil há muito tempo, que fica cada vez mais tensa à medida que o governo iraniano produz um estoque crescente de urânio enriquecido em nível próximo ao requerido para uso militar, fornece drones para a Rússia usar na Ucrânia e reprime brutalmente protestos domésticos.
Linhas gerais das conversas foram confirmadas por três graduadas autoridades israelenses, uma autoridade iraniana e uma autoridade americana. Autoridades dos EUA não comentaram detalhadamente os esforços no sentido da libertação de americanos presos, limitando-se a classificá-los como uma prioridade urgente de Washington.
As conversas — indiretas, algumas delas ocorreram nesta primavera (Hemisfério Norte), em Omã — refletem uma retomada da diplomacia entre EUA e Irã após o colapso de mais de um ano de negociações para reinstituir o acordo nuclear de 2015, que limitava acentuadamente as atividades atômicas iranianas em troca de alívios nas sanções.
Teerã acelerou seu programa nuclear meses após o ex-presidente Donald Trump retirar os EUA do acordo e impor uma série de novas sanções contra o Irã, em 2018.
O governo iraniano estaria disposto sob um novo pacto, que duas autoridades israelenses afirmaram ser “iminente, a não enriquecer urânio além do grau atual de pureza alcançado no país, de 60%. Esse nível é próximo, mas inferior, aos 90% de pureza necessários para fabricar uma arma nuclear — que, se obtido pelos iranianos, os EUA alertaram que acarretaria uma resposta severa.
O Irã também cessaria ataques letais contra operadores dos EUA na Síria e no Iraque por meio das forças que apoiam Teerã na região, expandiria sua cooperação com inspetores nucleares e pararia de vender mísseis balísticos para a Rússia, afirmaram autoridades iranianas.
Em troca, o Irã esperaria que os EUA evitassem endurecer sanções que já sufocam sua economia; não apreendessem navios petroleiros estrangeiros carregados, como fizeram, mais recentemente, em abril; e não apoiassem novas resoluções punitivas nas Nações Unidas ou na Agência Internacional de Energia Atômica contra Teerã por sua atividade nuclear.
“Nada disso destina-se a produzir algum acordo inovador” afirmou Ali Vaez, diretor de estudos de Irã no International Crisis Group, organização destinada a evitar conflitos. Em vez disso, afirmou ele, o objetivo é “fazer cessar qualquer atividade que, basicamente, ultrapasse algum limite ou coloque qualquer das partes em posição de retaliar de maneira que desestabilize o status quo”.
“O objetivo é estabilizar as tensões, criar tempo e espaço para discutir o futuro da diplomacia e o acordo nuclear”, afirmou Vaez.
O Irã também espera que os EUA descongelem bilhões de dólares em ativos iranianos, cuja utilização seria restrita a propósitos humanitários, em troca da libertação de três iraniano-americanos presos que os EUA afirmam ter sido detidos indevidamente. Autoridades americanas não confirmaram a ligação entre a libertação dos presos e o acesso ao dinheiro, nem nenhuma conexão entre os presos e assuntos nucleares. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e The New York Times.
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