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Mundo Estados Unidos e Coreia do Sul debatem meios de interagir com a Coreia do Norte

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Os dois países aliados querem que a Coreia do Norte abdique de suas armas nucleares e encerre seu programa de mísseis. (Foto: Reprodução)

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, e o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Chung Eui-yong, conversaram sobre quais devem ser os esforços para interagir com a Coreia do Norte, incluindo a possibilidade de ajuda humanitária, disseram seus escritórios na semana passada.

Embora os dois países aliados queiram que a Coreia do Norte abdique de suas armas nucleares e encerre seu programa de mísseis, Estados Unidos e Coreia do Sul discordaram algumas vezes na abordagem: o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, está empenhado em forjar elos econômicos entre as duas Coreias, enquanto os Estados Unidos insistem há tempos em ações de desnuclearização como um primeiro passo.

Em um comunicado sobre a conversa entre Blinken e Chung, a chancelaria da Coreia do Sul disse que os dois concordaram em realizar conversas detalhadas sobre maneiras de cooperar com a Coreia do Norte, incluindo a ajuda humanitária, e a continuar a fazer esforços para interagir com o regime.

“O secretário e o ministro concordaram em continuar com os esforços diplomáticos coordenados… para obter um progresso substancial rumo ao objetivo da desnuclearização completa e do estabelecimento de uma paz duradoura na Península Coreana”, disse a chancelaria.

Blinken confirmou o apoio dos EUA ao diálogo e à interação entre Coreia do Norte e Coreia do Sul, disse o Departamento de Estado norte-americano em um comunicado. A Coreia do Norte e a Coreia do Sul restauraram recentemente linhas de contato rompidas um ano atrás, e autoridades sul-coreanas disseram que Moon e o líder norte-coreano, Kim Jong Um, tentam consertar as laços tensionados e retomar cúpulas.

Conflito histórico

O primeiro conflito da Guerra Fria completou 70 anos no ano passado. Em 25 de junho de 1950, tropas norte-coreanas invadiram a Coréia do Sul em uma tentativa de reunir os dois países. Teve início, assim, um conflito que matou cerca de dois milhões de pessoas, trouxe a destruição de boa parte dos dois países, envolveu as grande potências mundiais e nunca chegou ao fim.

Após três anos de batalhas, um armistício acordado entre os EUA, China e Coréia do Norte, colocou fim ao conflito armado. A Coréia do Sul, porém, não concordou com os termos e nenhum tratado formal de paz foi assinado desde então. Tecnicamente, as duas Coreias permaneceram em guerra.

O fim da Segunda Guerra Mundial repetiu na Península Coreana o arranjo de divisões de áreas estratégicas proposto na Europa. O norte ficaria sob domínio soviético, liderado pelo Partido dos Trabalhadores de Kim Il-Sunge. Já o sul estaria sob domínio americano, representado no governo de Syngman Rhee. Entre os territórios, o paralelo 38 Norte, a fronteira artificial que divide os dois países.

Durante a guerra, as tropas do norte foram apoiadas pelos soviéticos e pela China. Já as forças do sul receberam apoio das Nações Unidas, lideradas pelos EUA. O fim da União Soviética, em 1989, e a queda da cortina de ferro, porém, não possibilitaram que o país fosse reunificado – como aconteceu com a Alemanha. Até hoje, os conflitos continuam a ecoar, em uma das regiões mais tensas do mundo.

Mortes

Ao longo dos 70 anos, muitos episódios ajudam a explicar porque as Coreias permaneceram separadas e afastadas de um acordo de paz duradouro. Um dos mais marcantes, remonta à decada de 1960, quando os dois países lutavam para se reerguer. O norte obteve um sucesso momentâneo, até que Park Cheung-Hee foi eleito presidente e a economia de Seul ganhou novo fôlego. Pyongyang, sentindo que sua oportunidade de reunir a Coréia poderia se estreitar, decidiu enviar soldados para assassinar o mandatário sul coreano.

No episódio, que ficou conhecido como ataque à Casa Azul, o Norte mandou para Seul uma tropa de elite, formada por 31 homens, disfarçados com uniformes do exército sul-coreano. Eles conseguiram chegar a 100 metros do palácio presidencial, antes de serem interceptados. Em 1974, nova tentativa: um agente norte-coreano atirou contra Park, mas a bala atingiu sua esposa, que morreu horas depois.

O norte promoveu também atentados à bomba. Um deles matou mais de 20 pessoas de uma delegação sul coreana em Mianmar, em 1983. Outro explodiu um avião da Korean Air em 1987, pouco antes das Olimpíadas de Seul, vitimando 115 passageiros. Já o Sul foi responsável pela morte de 24 norte-coreanos, depois que um de seus submarinos encalhou na costa da Coréia do Sul, em 1996.

As relações seguiram com aumento e diminuição da tensão, dependendo do momento histórico. Tentativas de aproximação política e econômica entre os dois países foram ensaiadas com a criação da primeira cúpula intercoreana, em 1990, depois de a população do norte enfrentar um período de fome severa, que matou cerca de 3 milhões de pessoas.

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