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Mundo Estados Unidos x Irã: o que se sabe sobre o acordo que encerraria a guerra no Oriente Médio

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O Irã e os Estados Unidos sinalizaram que estão próximos de um acordo para transformar o cessar-fogo vigente. (Foto: Reprodução)

O Irã e os Estados Unidos sinalizaram que estão próximos de um acordo para transformar o cessar-fogo vigente, que pôs fim a semanas de conflito, em uma solução mais duradoura. Ambos os lados falam de um “memorando de entendimento” que estabelecerá um roteiro para a resolução de todas as questões pendentes, embora o acordo ainda esteja “em desenvolvimento”, segundo o secretário de Estado americano, Macron Rubio.

“Ou teremos um bom acordo ou teremos que lidar com isso de outra forma”, disse Rubio durante uma visita à Índia nessa segunda-feira (25). Mas o conteúdo do documento permanece incerto.

A premissa central dessa abordagem é que o memorando, uma vez assinado, interromperia os combates, o que seria uma notícia bem-vinda para ambos os lados, com o presidente americano, Donald Trump, enfrentando eleições de meio de mandato ainda este ano, em meio a preços da gasolina em forte alta e à crise econômica do Irã.

O acordo previa a reabertura gradual do Estreito de Ormuz e daria início a um processo de 60 dias para abordar outras questões, principalmente o programa nuclear iraniano.

Rubio afirmou que havia “algo bastante sólido em cima da mesa” em termos de abertura do estreito e de entrada do Irã em “uma negociação significativa e com prazo determinado sobre questões nucleares”.

Um alto funcionário do governo disse à CNN no domingo (24) que o acordo-quadro concede às partes “60 dias para chegarem a um acordo final”.

– Estreito de Ormuz: Trump escreveu em uma postagem nas redes sociais no final de sábado que a via navegável crucial, o Estreito de Ormuz, seria reaberta sob o memorando.

Mas diversos veículos de comunicação iranianos, alguns deles próximos à linha-dura da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica), noticiaram no domingo que o estreito permaneceria sob supervisão iraniana. Ao longo de 30 dias, o Irã permitiria que a navegação retornasse aos níveis pré-guerra.

Teerã mudou ligeiramente o tom em relação à cobrança de pedágio dos navios que atravessam o estreito.

“Não estamos buscando cobrar pedágio – os serviços são prestados; serviços de navegação, além das medidas necessárias para proteger o meio ambiente do Estreito de Ormuz”, disse Baghaei nessa segunda-feira.

– Estoques e enriquecimento de urânio do Irã: Um possível acordo entre os EUA e o Irã inclui um compromisso do Irã de não buscar armas nucleares, informou a CNN no domingo. O Irã também se comprometeria a iniciar negociações para abrir mão de seu estoque de urânio altamente enriquecido e suspender qualquer novo enriquecimento, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.

Autoridades iranianas insistem que as negociações sobre o urânio só podem começar depois que um memorando que ponha fim à guerra for acordado. O urânio é um combustível nuclear essencial que pode ser usado para construir uma bomba nuclear se enriquecido a altos níveis.

– Ativos congelados do Irã: Com sua economia em sérios apuros, o Irã exige o desbloqueio imediato de bilhões de dólares em ativos mantidos em bancos no exterior.

“Logo no início deste processo, o status da liberação dos ativos bloqueados precisa ser esclarecido”, disse Baghaei no sábado (23).

Citando uma “fonte informada”, a agência Tasnim afirmou no domingo que “sem a liberação de uma parcela específica dos ativos iranianos bloqueados nesta primeira etapa – juntamente com um mecanismo claro para a liberação contínua e garantida de todos os ativos bloqueados – não haverá acordo”.

– Sanções: A economia do Irã também sofre com uma série de sanções internacionais, a maioria imposta pelos EUA e pela Europa.

“A suspensão das sanções não será discutida neste curto prazo”, disse Baghaei no sábado, embora “a exigência do Irã de suspender todas as sanções esteja explicitamente no texto”.

“Os detalhes devem ser negociados após a finalização do memorando”, acrescentou, sugerindo que a suspensão das sanções estará ligada à questão nuclear.

O Irã estima que a remoção das sanções apenas sobre as vendas de petróleo poderia gerar quase US$ 10 bilhões em receita para o governo em um período de 60 dias, informou a agência de notícias Fars.

Assim como no caso dos ativos congelados do Irã, as sanções impostas ao país só serão suspensas quando o Estreito de Ormuz estiver aberto e funcionando plenamente novamente, disse um funcionário americano à CNN.

– Mísseis balísticos: Durante o conflito, autoridades americanas afirmaram que os mísseis balísticos de longo alcance do Irã deveriam ser destruídos. Trump disse que seu “programa de mísseis balísticos convencionais estava crescendo rápida e drasticamente”.

– Líbano: Também não está claro como ou se o conflito entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano, será abordado em qualquer memorando.

A agência Tasnim noticiou no domingo que a redação da declaração se refere à “declaração do fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano”.

Baghai afirmou algo semelhante na segunda-feira: “O fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, será um dos elementos de um possível entendimento”.

Mas Trump disse ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que apoia o desejo do país de “manter a liberdade de ação contra ameaças em todas as frentes, incluindo o Líbano”, disse um funcionário israelense. As informações são da CNN.

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