Segunda-feira, 20 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 19 de julho de 2026
Uma semana depois de Estados Unidos e Irã assinarem um acordo preliminar para encerrar a guerra, um drone iraniano atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz.
Não houve vítimas nem danos significativos, mas o ataque de 25 de junho desencadeou uma nova escalada de hostilidades, recolocando os dois países no caminho de um conflito em larga escala menos de um mês após a trégua.
Cada ataque e contra-ataque enfraqueceu os pilares do acordo, que acabou entrando em colapso, embora ainda existam tentativas de salvá-lo. Linhas vermelhas foram ultrapassadas, tornando cada vez mais provável uma nova guerra, com potencial para desestabilizar o Oriente Médio e afetar a economia global.
O ataque ocorreu após o Irã advertir embarcações para que não utilizassem uma rota alternativa pelo Estreito de Ormuz, supervisionada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.
Após o ataque surpresa de Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, que iniciou a guerra, Teerã praticamente bloqueou a hidrovia, responsável, em tempos de paz, pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo. O controle da passagem passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do Irã.
O acordo previa a reabertura do estreito, mas um trecho sugeria que o Irã administraria o tráfego marítimo e poderia cobrar taxas futuramente. Teerã usou essa redação para justificar o controle da rota, interpretação rejeitada pelos Estados Unidos e aliados, que defendem a livre navegação.
Um dia após o ataque ao cargueiro, os Estados Unidos bombardearam instalações de mísseis, drones e radares costeiros iranianos. Em resposta, o Irã atacou um petroleiro que utilizava a rota alternativa, provocando novos bombardeios americanos. Depois, Teerã ampliou sua retaliação contra Kuwait e Bahrein, países que abrigam tropas dos Estados Unidos.
Na semana seguinte, ambos enviaram delegações ao Catar, mediador do acordo, mas não houve encontro direto. Enquanto isso, o Irã reafirmou o alerta contra o uso da rota alternativa e preparou o funeral do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques iniciais. Durante as cerimônias, multidões pediram vingança contra o presidente americano Donald Trump.
Dias depois, o Irã voltou a atacar embarcações no Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos responderam com ataques contra sistemas de defesa aérea, radares e mais de 60 embarcações da Guarda Revolucionária utilizadas para intimidar navios.
Washington também revogou a autorização que permitia ao Irã vender petróleo em dólares no mercado internacional, medida prevista no acordo provisório. Teerã classificou tanto os ataques quanto a retomada das sanções como violações do pacto e intensificou os bombardeios contra Bahrein, Kuwait e Catar.
Após participar de uma cúpula da OTAN, Trump enviou sinais contraditórios. Disse que a ofensiva americana respondia aos ataques contra navios e advertiu que uma nova agressão teria consequências mais severas. Ao mesmo tempo, descartou uma campanha militar prolongada e afirmou que os Estados Unidos poderiam “simplesmente terminar o serviço”.
Desde então, os confrontos aumentaram. Em 15 de julho, os Estados Unidos restabeleceram o bloqueio aos portos iranianos, suspenso pelo acordo provisório.
Nos dias seguintes, ampliaram os ataques para o norte do Irã e, em 17 de julho, bombardearam pontes, estações de energia e uma torre usada, segundo Washington, pela Guarda Revolucionária para vigilância marítima em um importante porto.
O Irã informou que, desde a retomada das hostilidades, os ataques americanos mataram pelo menos 46 pessoas e deixaram mais de 400 feridos.
Trump voltou a ameaçar atingir infraestrutura civil iraniana, embora anteriormente tivesse recuado diante de avanços diplomáticos. Em resposta, o Irã atacou uma usina de dessalinização no Kuwait em dois dias consecutivos.
O presidente americano também cogitou assumir o controle do Estreito de Ormuz pela força, ocupando ilhas estratégicas controladas pelo Irã. A operação exigiria uma presença naval muito maior e, possivelmente, o envio de dezenas de milhares de soldados. (As informações são de O Estado de S. Paulo)
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