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Mundo Estados Unidos vivem disputas em torno de vacina contra o coronavírus e já ficam atrás de outros países ricos

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As vacinas são muito eficientes contra casos graves e mortes, mas têm uma capacidade menor de conter a transmissão do vírus. (Foto: GEA/Divulgação)

Nos polarizados Estados Unidos, uma “guerra da vacina” ameaça piorar o novo surto do coronavírus e põe as doses anti-covid no meio do fogo cruzado político. Se um número crescente de estados e empresas impõem a obrigatoriedade da imunização para seus funcionários, há também Legislativos estaduais e locais que proibiram bares, estádios e até mesmo cruzeiros de restringir a entrada dos não vacinados.

O debate vem em meio ao aumento de casos no país, impulsionado pela variante Delta, cerca de 60% mais contagiosa. Os novos diagnósticos subiram 144% nas últimas duas semanas, chegando a uma média de 56,6 mil por dia e pondo em risco a retomada das aulas e do trabalho presencial após as férias de verão no Hemisfério Norte.

A piora também levou o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) a reconsiderar a liberação do uso de máscaras em ambientes fechados. Se em meados de maio, quando a pandemia parecia estar sob controle, o órgão anunciou que pessoas já vacinadas não precisariam mais usar máscaras em espaços internos, na terça-feira (27) elas voltaram a ser recomendadas em locais fechados, em áreas com altas taxas de contágio e nas escolas.

As mortes e internações também crescem, mas em ritmo menor que os casos, já um reflexo positivo da vacinação. Até o momento, 56,43% dos americanos já tomaram ao menos uma dose anti-covid, e 48,79% completaram a inoculação, seja com as duas vacinas da Pfizer e da Moderna ou a injeção única da Janssen, todas eficazes contra a cepa Delta. A procura pelos imunizantes, contudo, está estagnada e as campanhas da Casa Branca para alavancá-la têm se provado ineficientes.

O país, que chegou a aplicar uma média diária de 3,38 milhões de doses por dia no início de abril, hoje dá 566 mil injeções diárias. Com a perda do ritmo, países europeus como Alemanha, Espanha e Itália, que tiveram notórios problemas no início de suas campanhas de vacinação, ultrapassaram os americanos no percentual da população já vacinada.

Nem na América do Norte o país está na dianteira, sendo ultrapassado pelo Canadá. Ao contrário de boa parte do planeta, a estagnação não se deve à escassez de doses, mas à falta de braços dispostos a recebê-las. E são a esses recalcitrantes que vários americanos inoculados atribuem a culpa pelo novo surto no país.

Sentimento de raiva

As vacinas são muito eficientes contra casos graves e mortes, mas têm uma capacidade menor de conter a transmissão do vírus. Muitas pessoas já inoculadas, portanto, temem transmitir a doença para crianças que ainda não têm idade para se vacinar ou para parentes com o sistema imunológico comprometido.

“Fico com mais raiva conforme o tempo passa”, disse ao The New York Times Doug Robertson, de Portland, em Oregon, que tem três filhos muito novos para serem vacinados, incluindo um bebê com sérios problemas de saúde. — Tem uma vacina e uma luz no fim do túnel, mas algumas pessoas escolhem não segui-la — completou, afirmando que os hesitantes dificultam a vida de famílias em situações similares à sua.

Diante da imensa quantidade de informações falsas e teorias da conspiração relativas às vacinas, vários estados, cidades e negócios recorrem a medidas coercitivas. Na segunda-feira, o Departamento dos Veteranos foi a primeira repartição federal a obrigar a vacinação para seus 115 mil profissionais da saúde que trabalham em campo.

Quase simultaneamente, o prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, ordenou que todos os funcionários de saúde da cidade estejam vacinados até 13 de setembro — caso contrário, precisarão fazer testes PCR semanais. Na Califórnia, o estado mais populoso dos EUA, uma regra similar valerá também para todos os servidores estaduais a partir de agosto. Quem descumprir as ordens, apontam ambos os estados, ficará sujeito à demissão por justa causa.

Várias empresas e locais de trabalho recorrem a medidas parecidas: para ser contratado pela United, uma das principais companhias aéreas do país, é necessário apresentar um comprovante de vacinação. Ao menos 600 faculdades e universidades também demandam que seus corpos docentes e discentes se inoculem antes da volta às aulas, segundo o site Chronicle of Higher Education. Para atuar em “Hamilton”, a megaprodução da Broadway, também é necessário estar vacinado.

Contra-ataques

Em meio a discussões sobre até que ponto o Estado pode ou deve exigir a vacinação, uma comissão do governo emitiu em maio um parecer de que as leis federais não impedem o empregador de “demandar que todos seus funcionários que ingressem no espaço de trabalho estejam vacinados contra a covid-19”. Alguns Estados, ainda assim, tentam impor limites.

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