Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 17 de junho de 2026
O acordo firmado entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio abriu caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Apesar do anúncio do presidente americano, Donald Trump, de que a via marítima estaria “completamente aberta” a partir desta sexta-feira (19), o entedimento prevê que o Irã reabrirá o Estreito de Ormuz em até 30 dias e que se compromete a garantir passagem segura e sem custos de navios comerciais por 60 dias.
Ao mesmo tempo, empresas do setor e analistas afirmam que ainda há dúvidas sobre a segurança da passagem, a remoção de minas e a capacidade da República Islâmica de voltar a bloquear o tráfego no futuro.
Após semanas de confrontos, Washington e Teerã confirmaram nessa quarta-feira (17) ter assinado um acordo que põe fim à guerra no Oriente Médio. Dan Scavino, assessor de Donald Trump, publicou um vídeo do americano assinando o documento durante encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron. Um porta-voz iraniano, por sua vez, disse que o regime o fez de forma eletrônica.
“O texto do memorando de entendimento de Islamabad foi finalizado com a assinatura dos presidentes. Agora é hora de testar a implementação desse acordo”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghai, mencionado pela agência estatal Irna.
O que prevê o acordo
Segundo a CNN Internacional, o acordo tem 14 pontos. Entre eles, estão:
– A declaração mútua e junto de “seus aliados na guerra”, de um fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes;
– A reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou durante a guerra em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel;
– Compensação financeira ao Irã, em valor não determinado: o acordo, segundo a CNN, diz que Teerã poderá ter acesso a um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) caso cumpra a promessa de não desenvolver armas nucleares. Nesta quarta, no entanto, Trump negou que haja esse fundo;
– A derrubada de todos os tipos de sanções que hoje incidem sobre o Irã em um prazo ainda a ser determinado por ambas as partes;
– A liberação de ativos e fundos iranianos que estavam congelados ou restringidos pelas sanções;
– O compromisso, por parte do Irã, de que nunca produzirá armas nucleares;
– O compromisso, por parte dos EUA e junto de seus “aliados regionais”, de criar um plano para a reabilitação e o desenvolvimento econômico do Irã em até 60 dias;
– A permissão para que o Irã comercialize seu petróleo e produtos petroquímicos;
– A emissão, pelo Departamento do Tesouro dos EUA, de isenções para exportações de petróleo bruto iraniano, produtos petroquímicos e seus derivados, e “todos os serviços relacionados, incluindo bancários, de seguros, transporte e similares”;
– Um entendimento para um acordo final em 60 dias, incluindo a questão do programa nuclear iraniano;
– O compromisso, por parte do Irã, de restabelecer o tráfego de navios entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã (ligados pelo Estreito de Ormuz) aos níveis pré-guerra em até 30 dias;
– Que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU aprove o acordo final, após 60 dias.
Tráfego segue reduzido
Os dados mais recentes indicam que a retomada da navegação ainda está longe dos níveis observados antes da guerra. Segundo a plataforma de monitoramento marítimo Kpler, apenas quatro embarcações transportando matérias-primas atravessaram o estreito até a tarde de terça-feira. Na segunda-feira, foram registradas cinco travessias.
O ritmo é semelhante ao observado durante o conflito e muito inferior ao registrado antes do fechamento da passagem. Antes do início da guerra, cerca de 120 embarcações cruzavam diariamente o estreito, segundo o veículo especializado Lloyd’s List.
“O Estreito de Ormuz continua operando abaixo dos níveis comerciais normais, apesar dos sinais de avanço diplomático”, afirmou a Kpler.
Empresas de navegação apontam que ainda persistem dúvidas sobre a segurança da região. Entre as preocupações estão a existência de minas marítimas, a definição de rotas consideradas seguras e a possibilidade de cobrança de taxas para a utilização da passagem.
A associação internacional de armadores de petroleiros Intertanko informou que, durante o conflito, a Marinha americana orientou embarcações a cruzar o estreito durante a noite, próximas à costa de Omã, com luzes e transponders desligados para reduzir os riscos.
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