Sábado, 19 de Setembro de 2020

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(Foto: Reprodução)

Nove em cada 10 brasileiros usam o WhatsApp. O aplicativo pra lá de acessível deixou o telefone pra trás. Antes, ligar pra alguém era tão natural quanto andar pra frente. Hoje o fazemos com cerimônia. Há quem peça autorização prévia. Quem diria!

A popularização do zap levou à perda de limites. A questão: sem regras ou freios, pode-se deitar e rolar no envio de mensagens, vídeos e fotos? A resposta: não. Nossa liberdade acaba no receptor. Muitos usam o WhatsApp para fins profissionais. Muitos participam de vários grupos. Muitos não têm tempo pra ler tudo. E daí? Deixe o bom senso falar. Siga quatro dicas.

Não abuse

Excessos são proibidos. Não entupa a memória do celular dos outros com mensagens, vídeos e fotos aos borbotões. Seja comedido.

Selecione

Olho na oportunidade. Escolha. Não mande qualquer coisa, sem considerar o interesse dos receptores.

Seja breve

Vamos combinar? Você não lê textos enormes, que ocupam telas e telas do celular. Ninguém lê. Mensagens curtas e personalizadas são pra lá de bem-vindas.

Respeite o grupo

Correntes que prometem mundos e fundos dão canseira. Poupe o grupo. Se você conhece alguém interessado no assunto, mande-lhe um zap particular. Todos agradecem.

Em resumo

Ao escrever, lembre-se: 24 horas é pouco pra quem tem o mundo na palma da mão e precisa dar conta da correria do dia a dia. Que tal dar-lhe a chance de ler o recado que você considera importante? Siga as duas regras de ouro. Uma: menor é melhor. A outra: menos é mais.

Perdão, São Francisco

Dizem que São Francisco está apreensivo. Cabisbaixo, anda pra lá e pra cá. Sente-se triste por causa do mau uso da oração que ensinou: “Ó mestre, fazei que eu procure mais / Consolar que ser consolado / Compreender que ser compreendido / Amar que ser amado / Pois é dando que se recebe / É perdoando que se é perdoado / E é morrendo que se vive / Para a vida eterna”.

O verso “é dando que se recebe” entrou no dicionário da política. Político recebe um favor e, em troca, faz outro. O bom humor do brasileiro denominou o troca-troca de toma lá dá cá. A expressão se escreve desse jeitinho – sem hífen e sem vírgula.

Sai da frente, que vem gente

Sai um. Sai outro. Logo depois outro. E outro, outro, outro. A equipe econômica perde colaboradores. Paulo Guedes morre de medo de desarticular o time do Posto Ipiranga. Por isso falou em debandada. A palavra significa pôr em fuga ou fugir desordenadamente.

Pra inglês ver

Bolsonaro reagiu ao vocábulo debandada. Jurou que apoia a responsabilidade fiscal. Não vai gastar mais do que a receita permite. Muitos duvidam da sinceridade do presidente. Dizem que é pra inglês ver. A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. Todos sabiam que as normas não seriam cumpridas. Eram pra inglês ver.

Por falar em limite…

Escuta-se a torto e a direito a duplinha limite máximo. Baita pleonasmo. Limite é sempre máximo. Basta limite. O contrário joga no mesmo time. Piso mínimo é redundância. Basta piso.

Leitor pergunta

O presidente Bolsonaro disse: “O Brasil tem como realmente ser um daqueles países que melhor reagirão à crise”. Minha pergunta: o “melhor” não deveria ser “mais bem”? – Roger Chadel, Santos.

Mais bem tem dois empregos:

1. Antes de particípio: Este texto está mais bem escrito do que aquele. A carreira de João é mais bem remunerada que a de Marcelo. O time mais bem classificado no campeonato erguerá a taça.

2. Em comparação: Ele está mais bem do que mal. Na prova, saiu-se mais bem do que mal.

Conclusão: o emprego de melhor na frase do presidente merece nota mil.

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