Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 18 de setembro de 2018
O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, disse que fala palavrões em legítima defesa e que não tem sangue de barata sobre ter xingado e empurrado de leve um homem que fez uma pergunta durante entrevista em um evento de campanha, no último sábado (15), em Roraima.
Durante entrevista ao Jornal da Globo, na madrugada de terça-feira (18), o candidato falou novamente que o homem que empurrou não é jornalista e que ficou sabendo que o senador Romero Jucá tinha pago um “sujeito” para provocá-lo. “Ele se aproximou e colocou um adesivo do Bolsonaro aqui no meu peito”, disse.
Ao ser questionado sobre ter xingado um ouvinte de uma rádio de “burro” na campanha de 2002, Ciro falou que não podem chamá-lo de incompetente e ladrão e ficam lembrando dessa história de 16 anos atrás. “Eu chamei alguém de burro e tem tem gente burra mesmo”, disse.
Novamente, o presidenciável voltou a dizer que chefes militares não terão participação política em seu governo, caso seja eleito, e evocou a constituição para justificar isso. “Deus está me ajudando porque no dia seguinte que falei isso o presidente do Uruguai mandou prender o presidente do Exército por isso”, disse.
O candidato também disse que inventam que ele é esquentado porque não podem chamá-lo de ladrão e incompetente. “Eu não tenho descontrole nenhum, nunca respondi por nenhum escândalo em 38 anos de vida pública”, falou Ciro, em sua defesa.
Vai vetar a venda da Embraer
Ele também se declara um “nacionalista fervoroso” e prometeu que, se eleito, vai vetar a venda da Embraer para a americana Boeing. Durante entrevista, o pedetista também propôs instituir o chamado “duplo mandato” para o BC (Banco Central): além de controlar a inflação, a instituição deve buscar gerar emprego.
“Eu sou nacionalista, mas não quero estatizar a Embraer. Eu quero que a Embraer seja nacional brasileira, eu não tenho nada contra ela ser privada. Foi assim que ela desenvolveu essa posição de ser a maior empresa mundial de jatos médios. Os americanos acabaram de proibir os chineses de comprar a Qualcomm, que é uma empresa privada. Por que eles fazem isso? Para proteger mercados estratégicos, no caso, chips. E o Brasil, que só tem mais dois lugares, o petróleo e a Embraer, nós vamos entregar para o capital externo? Vamos pagar a conta como? Minério de ferro não vai pagar a conta do Brasil”, afirmou.
O ex-ministro da Fazenda afirmou que o Brasil vive sob um “golpe de Estado”, em referência ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o que justifica a revisão de decisões tomadas no período, em especial a reforma trabalhista. “Esta revisão das reformas feitas pelo Temer não são quebra de contrato. O que aconteceu com a reforma trabalhista foi uma fraude no Senado. O Senado votou e o veto do presidente não ocorreu”, afirmou.
Banco Central
Para Ciro Gomes, o BC deve se aproximar das “melhores práticas internacionais”, em referência ao Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) e buscar uma taxa de inflação que seja “a menor possível”, mas que “garanta pleno emprego”. Segundo ele, o atual esquema de meta de inflação é uma “canalhice” que “privilegia a especulação financeira”.
“O que eu vou fazer é que os preços centrais da economia brasileira privilegiem quem trabalha e produz. E passe esse País a privilegiar quem está na produção e no trabalho, encerrando uma crônica de agiotagem protegida pelo governo federal brasileiro e que está matando a nossa sociedade”, afirmou o candidato.
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