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Política “Eu sei a responsabilidade que meu sobrenome carrega. Eu te amo (meu pai)”, disse Flávio Bolsonaro na convenção que oficializou sua candidatura

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O candidato também criticou o Supremo que condenou seu pai por tentativa de golpe de Estado. (Foto: Reprodução)

A convenção do PL que ratificou o nome de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência no sábado (25) foi um espetáculo inusual em que o senador fluminense enfim abraçou seu sobrenome e destacou como grande cabo eleitoral um presidente impopular de nação estrangeira.

Sem grandes novidades retóricas a apresentar, Flávio comandou um evento com ares de festa de família — do tipo lacrimosa para fotos, dado o emprego de lenços para enxugar suas lágrimas em São Paulo.

“Eu sei a responsabilidade que meu sobrenome carrega. Eu te amo (meu pai)”, discursou o agora candidato, que enfrenta uma estagnação nas pesquisas eleitorais. No mais recente levantamento do Datafolha, ele marca 32% ante 40% no primeiro turno contra o presidente Lula (PT).

A fala foi pontuada por homenagens ao progenitor, que surgira antes como um fantasma digital. Um vídeo feito por inteligência artificial, recurso para driblar a proibição judicial a manifestações políticas de Bolsonaro, coroou a presença imaterial do ex-presidente.

Ela estava em quase todos os jingles tocados e bordões gritados. “É com a família Bolsonaro que eu vou”, “o capitão voltou”, “ele é o sangue de Bolsonaro”, “ele é o filho da esperança”, e por aí foi.

Antes de o avatar de IA aparecer, uma manipulação da voz do ex-presidente também ecoou por duas vezes: “Obrigado meu Deus por este momento. Deus, Pátria, Família e Liberdade”, dizia a gravação que repetia o lema fascista dos anos 1920 e 1930 adotado pelo bolsonarismo — e reafirmado por Flávio em seu discurso.

O candidato também criticou o Supremo que condenou seu pai por tentativa de golpe de Estado, mirando a figura do relator do caso, Alexandre de Moraes. Um cartaz na plateia pedia “Fora Moraes”, e um dos jingles dizia “Xandão (apelido do ministro), teu reinado chegou ao fim também”.

Com tudo isso, a convenção foi um grande panegírico ao chefe do clã. A família estava em peso, mas não em corpo com exceção do inexpressivo postulante a deputado Jair Renan: os irmãos Eduardo e Carlos gravaram mensagens de apoio por vídeo.

A esperada gravação de Michelle, a ex-primeira-dama que passou um mês rompida com Flávio, foi anticlimática. Ela preferiu falar de mulheres, deixando um protocolar boa sorte para o enteado. Essa é uma crise que parece inconclusa.

Já os poucos aliados presentes cumpriram tabela. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que em 2030 espera disputar a Presidência e por isso não tem interesse real na vitória de Flávio, assumiu uma fala anti-PT mais incisiva.

O prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB), se mostrou mais bolsonarista que os colegas de palco, talvez de olho em alguma posição na hipótese de candidato do PL chegar ao governo — seu mandato expira em 2028 sem possibilidade de reeleição.

A piada involuntária veio numa fala gravada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), um fenômeno de redes sociais. Ao falar de Jair Bolsonaro, disse que “ele não está preso por rachadinha”, citando o esquema de desvio de verbas de gabinete que assombra Flávio.

Mas o herói para os presentes foi um estrangeiro, Milei. Foi a primeira vez que um presidente veio ao Brasil apoiar um postulante ao Planalto. Ele falou só 1 minuto menos que os 27 de duração do discurso de Flávio, repetindo as usuais críticas ao socialismo e a Lula, numa fala recheada de vulgaridades.

Parece interferência em país vizinho, e é. Mas não chega a configurar uma incongruência para o clã Bolsonaro, que sempre teve na figura de Donald Trump um ídolo — o tarifaço agora reeditado para desespero de Flávio foi articulado com apoio da família em 2025.

Tudo isso reflete o isolamento político de Flávio, que não conseguiu nem ungir uma vice como queria. Se ele está vivo nas pesquisas e o prognóstico é de uma disputa apertada, optou por assumir o sangue. Com 48% de rejeição, ante 46% de Lula, é uma aposta arriscada de olho nas casas decimais de centro que podem definir a eleição. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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