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Brasil Ex de adolescente vítima de estupro coletivo depõe no Rio

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De boné, ex-namorado da adolescente estuprada, o jogador de futebol Lucas Perdomo, chega à Cidade da Polícia para prestar depoimento. (Foto: Cristina Boeckel/AG/Reprodução)

A adolescente de 16 anos que foi vítima de um estupro coletivo na Zona Oeste do Rio prestou novo depoimento à Polícia Civil na tarde desta sexta-feira (27).

Também depôs o jogador de futebol Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, que seria ex-namorado da garota e teria tido participação no crime.

A vítima chegou na Cidade da Polícia Civil, no Jacarezinho, Zona Norte da cidade, acompanhada pela mãe, e manteve o rosto coberto para entrar e sair do local.

De acordo com a delegada Cristiana Bento, da Delegacia de Atendimento a Criança e Adolescente Vítima (DACV), a menina conversou com um psicólogo e prestou depoimento no sistema de “relato livre”.

Enquanto a adolescente era ouvida, chegou na mesma delegacia Lucas Perdomo, que seria namorado. Um amigo que o acompanhava, identificado como Raí de Souza, acenou para fotógrafos e cinegrafistas e, sorridente, fez deboche com os jornalistas. “Eu estou mais famoso que a Dilma”, disse o rapaz, que não teve participação confirmada no caso pela polícia.

O advogado de Lucas, Eduardo Antunes, disse que o cliente não estava com a adolescente na noite do estupro. “Ele teve com a suposta vítima 48 horas antes do ocorrido e que depois não teve mais contato com a vítima”.

Após a chegada de Lucas, a vítima foi trocada de sala dentro das dependências da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), que é a responsável pelas investigações.

Logo depois, o depoimento da jovem foi interrompido porque ela começou a chorar e precisou ser amparada por conselheiros tutelares.

“Ela começou a não se sentir bem, começou a chorar e precisa de um tempo para se recompor e chamei as conselheiras tutelares para conversar com ela”, afirmou Eloisa Samy, advogada da adolescente.

Sobre o fato de que nenhum pedido de prisão de suspeitos ter sido feito, a advogada afirmou que a prioridade é a recuperação da jovem. “Minha preocupação nesse momento não é com alguém que seja preso, mas com o bem estar dela”, afirmou Samy.

Operação para prender suspeitos

Durante a tarde, uma operação policial foi realizada na região da Praça Seca, em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade. A ação foi concentrada na Rua do Morro do Barão, comunidade onde fica a casa na qual a adolescente foi estuprada. Até o começo da noite não havia informações sobre o resultado da operação.

“Esse crime não ficará impune”, garante ministro

O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, garantiu na noite desta sexta-feira que o estupro coletivo praticado contra a adolescente não ficará impune. Ao lado dele, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, diz que “falta detalhe jurídico” para pedir prisão de suspeitos de envolvimento no caso.

“Nós temos absoluta certeza que esse crime não ficará impune e que todos os envolvidos serão presos e condenados”, afirmou Moraes após se reunir com Beltrame no Centro Integrado de Comando e Controle, no Rio.

Questionado sobre por quê a Polícia Civil ainda não pediu a prisão dos envolvidos no caso que já foram identificados, Beltrame afirmou que faltam “detalhes jurídicos” para isso.

“Se o delegado que preside o inquérito não pediu as prisões, podem ter certeza de que faltou algum elemento que fundamente o pedido”, disse o secretário.

Beltrame enfatizou o caráter criminoso de todos os envolvidos no caso. “Seja quem praticou o ato ou quem divulgou as imagens, todos são criminosos e serão presos. É preciso sempre reforçar que a adolescente é vítima”, destacou.

O secretário confirmou uma operação policial foi realizada na tarde desta sexta-feira na região da Praça Seca, em Jacarepaguá, ligada à busca pelos estupradores da jovem, mas não quis dar detalhes da ação.

O ministro da Justiça e Cidadania reiterou que o governo do Rio de Janeiro terá todo o apoio do governo federal para investigar o caso. “Coloquei a Polícia Federal à disposição, mas estou certo de que a Polícia Civil tem totais condições de esclarecer esse crime bárbaro, que agride a todos nós”, ressaltou Alexandre de Moraes.

O ministro também anunciou que se reunirá com todos os secretários estaduais de segurança na próxima terça-feira (31) para estabelecer uma agenda conjunta de combate à violência contra as mulheres e o grande número de homicídios. “Espero que na próxima terça-feira já possamos anunciar a formatação de um departamento de combate à violência contra a mulher no âmbito da Polícia Federal”, disse. (Cristina Boeckel/AG)

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