Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 21 de novembro de 2015
O engenheiro Roberto Gonçalves, ex-gerente executivo da área Internacional da Petrobras, disse à PF (Polícia Federal) que “não sabe explicar” por que o lobista Mário Góes afirmou ter pago propinas a ele no esquema de corrupção instalado na estatal entre 2004 e 2014. Alvo da Operação Corrosão, 20 fase da Lava-Jato, Gonçalves foi preso pela PF em caráter temporário por cinco dias, e o juiz Sérgio Moro prorrogou na sexta-feira sua prisão por igual período, atendendo ao pedido do Ministério Público Federal.
O ex-gerente depôs à delegada Renata da Silva Rodrigues, da PF em Curitiba (PR), e negou ter recebido vantagens indevidas. Góes é apontado como operador de propinas e fez delação premiada. Segundo ele, o repasse a Gonçalves teria saído de contratos celebrados pela Sete Brasil, criada em 2010. Outro delator, o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, afirmou que entregou propinas ao então gerente executivo “em espécie, por cerca de seis vezes”, no Rio de Janeiro. Gonçalves disse ter conhecido o lobista em 2007 “por conta de sua atuação na área de engenharia naval”.
“Góes era representante de empresas que atuavam nessa área. Gonçalves encontrou Góes em diversas ocasiões, desde o momento que o conheceu, tendo inclusive conhecido sua família e tendo estado em sua residência em São Conrado [RJ]”, afirmou a delegada.
O engenheiro substituiu Pedro Barusco na Gerência Executiva da Diretoria de Serviços da Petrobras, um dos principais focos de corrupção na estatal. Barusco confessou ter recebido 97 milhões de dólares em propinas e disse que Gonçalves “estava entre os beneficiários” de propinas e que “para tanto utilizou conta secreta no exterior”.
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