Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 11 de novembro de 2017
A ex-mulher do atirador do Texas, que deixou 26 mortos em uma igreja no último domingo, quebrou o silêncio e relatou o caráter violento de Devin Patrick Kelley, de 26 anos. Expulso da Força Aérea americana por agredir a ex-parceira e quebrar o crânio do enteado, em 2012, o autor do massacre ameaçou Tessa Brennaman e toda a sua família de morte depois de submeter a americana, de 25 anos, a um relacionamento abusivo.
Em entrevista à rede americana “CBS News”, Tessa contou que o ex-marido “tinha muitos demônios e ódio dentro dele”. Em 2013, Kelley se declarou culpado por espancar, enforcar e chutar a ex-mulher. Ele também confessou que havia fraturado o crânio do filho pequeno dela. Em função das acusações, o americano ficou detido por um ano em prisão militar, histórico que deveria tê-lo tornado inabilitado a comprar armas nos Estados Unidos.
Tessa relatou em rede nacional que Kelley chegou a ameaçá-la de morte por conta de uma multa de trânsito. “Ele tinha uma arma no coldre e tirou a arma para apontar para a minha têmpora. Ele me disse: ‘Você quer morrer? Você quer morrer?'”, recordou a americana. A polícia trata o massacre como passional e explicou que os ex-sogros de Kelley frequentam a igreja de Sutherland Springs. O casal de idosos correu para o centro religioso logo que soube do crime.
A investigação sobre o ataque, no qual outras 20 pessoas ficaram feridas, mostrou que Kelley foi banido de comprar armas no Texas após a condenação de violência doméstica. Apesar disso, um erro técnico da Força Aérea americana, que não repassou o histórico ao FBI, resultou na não inclusão destas informações na base de dados do Centro de Informação Criminal Nacional.
Kelley se matou com um tiro na cabeça depois de ser perseguido e baleado por dois moradores armados. Onze pessoas continuam internadas para tratar os ferimentos. Kelley disparou 450 vezes contra as vítimas, de acordo com a polícia.
De acordo com a mídia americana, que cita dados do Everytown, mais de 50 mulheres são mortas nos Estados Unidos a cada mês pelos ex-parceiros. A presença de armas no ambiente doméstico violento torna cinco vezes mais provável o que, no Brasil, se tipificaria como feminicídio.
Falha antecedentes
As informações sobre sua condenação nas Forças Armadas não estavam na base de dados do Centro de Informação de Crimes Nacionais, o que significa que, embora uma lei proiba Kelley de obter armas de fogos, ele pôde comprar armamentos sem problemas. O atirador conseguiu adquirir quatro armas desde 2014, uma em cada ano, de acordo com autoridades federais. Duas delas foram compradas após ele passar por checagens em 2016 e 2017. Kelley também conseguiu um trabalho como segurança em um parque aquático durante o verão após passagem por verificações que não mostraram seus antecedentes criminais.
Durante os dois anos depois de sua expulsão das Forças Armadas, Kelley foi investigado duas vezes por abusar mulheres. Autoridades do condado de Comal, que inclui a cidade natal do atirador, divulgou documentos que mostram que ele foi alvo de investigação por assédio sexual e estupro em 2013. O inquérito terminou sem acusações.
Menos de um ano depois da investigação, a então namorada de Kelley, Danielle Shields, enviou uma mensagem de texto a uma amiga dizendo que estava sendo abusada, em uma caso descrito como “mal entendido e drama adolescente”.
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