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Mundo Ex-presidente da Argentina, Alberto Fernández chama seu sucessor Javier Milei de “energúmeno”

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O ex-presidente da Argentina Alberto Fernández chamou de "energúmeno" o atual presidente do país. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

O ex-presidente da Argentina Alberto Fernández chamou de “energúmeno” o atual presidente do país e seu sucessor, Javier Milei, em suas redes sociais. Em um texto postado na rede social X, Fernández responde a críticos sobre as comparações entre sua visita a Lula na prisão em Curitiba, em 2018, e à tentativa de Milei visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Bolsonaro não pôde receber o argentino por conta da proibição de receber visitas “político-eleitorais”, determinada no último dia 17 pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

“Milei foi ao Brasil para gritar como um energúmeno, exigindo ver um golpista preso. Eu fui a Curitiba exigindo a liberdade de um inocente. Hoje Lula é Presidente do Brasil e Bolsonaro está preso por promover um golpe de Estado. Insultar o presidente de um país irmão e principal sócio comercial não tem perdão”, diz a mensagem de Fernández.

Moraes suspendeu visitas gerais a Bolsonaro por 30 dias, com exceção de visitas permanentes da equipe médica, fisioterapêutica e dos advogados. A medida foi determinada após Flávio Bolsonaro divulgar a carta intitulada “Carta aos brasileiros”, escrita pelo pai — no entendimento do ministro, a divulgação do documento violou as imposições da prisão domiciliar.

Segundo o ministro, a proibição decorre da perda dos direitos políticos de Bolsonaro em função da condenação no processo da trama golpista.

Fernández é kirchnerista, uma corrente política peronista de esquerda na Argentina, e tradicionalmente aliada de Lula no cenário internacional.

Milei no Brasil

A visita de Javier Milei ao Brasil no sábado (25) causou uma crise diplomática entre os dois maiores países da América do Sul.

Milei foi um dos convidados que discursaram na convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, em São Paulo.

Em um discurso inflamado, o presidente argentino fez críticas ao socialismo, valorizou a chamada “onda azul” na América do Sul e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca” após ter negada uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Milei também associou a candidatura de Flávio ao que chamou de uma transformação política em curso na América Latina e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário”.

Em resposta, o governo brasileiro decidiu chamar o embaixador do Brasil, Julio Bitelli, para consultas em Brasília.

Além disso, o Itamaraty também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para “transmitir a repulsa” do governo brasileiro e cobrar explicações sobre a atuação de Milei em território nacional.

Convocar o embaixador de outro país para uma conversa, por outro lado, é uma demonstração de insatisfação e de busca por explicações da outra nação.

Igualmente, chamar um embaixador brasileiro que está em missão no exterior para consultas, como fez o Brasil, é uma medida considerada dura nas relações internacionais. É uma sinalização de que o país quer ouvir esclarecimentos de seu diplomata a respeito de uma atitude considerada hostil feita pela outra nação.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como “sem precedentes” e “lamentável”.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, diz nota.

Em entrevista à TV Globo, o chanceler Mauro Vieira classificou as declarações de Milei de “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis” e afirmou que a fala foi uma “interferência em assuntos domésticos”.

Vieira disse não conhecer precedentes recentes de um chefe de Estado estrangeiro se manifestando dessa forma em território brasileiro.

O chanceler descartou, neste momento, medidas diplomáticas mais duras, como a retirada da representação brasileira da Argentina. Segundo ele, o governo brasileiro pretende preservar os canais de diálogo e buscar esclarecimentos por vias diplomáticas.

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