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Mundo Ex-príncipe Andrew é liberado 12 horas depois de ser detido, mas continua “sob investigação”

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O ex-príncipe Andrew foi detido por suspeita de má conduta no exercício de função pública quando atuou como representante comercial. (Foto: Reprodução)

A polícia britânica informou nessa quinta-feira (19) que o ex-príncipe Andrew foi colocado em liberdade “sob investigação” após ter sido detido ao longo do dia por suspeita de má conduta no exercício de função pública quando atuou como representante comercial, um desdobramento do caso Epstein. Andrew Mountbatten-Windsor foi visto deixando uma delegacia de polícia de Aylsham, de carro, após quase 12 horas de interrogatório pelas autoridades em Norfolk. A detenção, sem precedentes na história da família real, coincidiu com o 66º aniversário de Andrew.

“Podemos confirmar que nossos procedimentos em Norfolk foram concluídos”, afirmou a polícia local de Thames Valley em comunicado que parece fazer referência à residência do ex-príncipe em uma propriedade pertencente ao rei Charles III, em Sandringham.

Pouco antes das 19h30min (horário local), uma emissora britânica divulgou uma imagem do ex-príncipe deixando a delegacia no condado de Norfolk no banco traseiro de um automóvel.

A prisão destaca o notável contraste nas respostas oficiais às 3 milhões de páginas de correspondências de Epstein, divulgadas pelo Departamento de Justiça americano no fim de janeiro. Enquanto as autoridades britânicas atuam agressivamente para investigar a possibilidade de crimes relacionados aos arquivos, os EUA nada fizeram. Também desfere um forte golpe na monarquia britânica e representa uma escalada da antiga crise enfrentada pelo Palácio de Buckingham sobre os laços do ex-príncipe com Epstein e as alegações de abuso sexual de mulheres jovens.

A detenção do irmão de um monarca é sem precedentes no Reino Unido moderno: o último membro da realeza a ser preso foi o rei Carlos I, que foi julgado e executado por traição durante a Guerra Civil Inglesa em 1649. Independentemente de Andrew ser acusado formalmente de um crime, o escrutínio público mais uma vez vai se voltar para a família real britânica. Para especialistas em realeza e historiadores britânicos, a crise recente representa uma séria ameaça à estabilidade da monarquia em um momento de grande incerteza.

“O problema da monarquia aqui são as várias incógnitas dentro desta situação, que continuarão a estimular o interesse da mídia e do público”, disse ao New York Times Ed Owens, historiador da realeza e especialista na família real britânica. “Essas incógnitas são como minas terrestres que podem potencialmente causar enormes problemas à instituição.”

Ao contrário de crises anteriores, não há um manual de instruções, disse Owens. Após a morte da princesa Diana, ex-esposa do rei, havia um funeral para planejar e formalidades a serem organizadas, aponta ele. Mesmo após a abdicação do rei Eduardo VIII em 1936, seu irmão estava à espera para assumir o trono.

Mas simplesmente não existe um plano para reagir à prisão de um parente próximo do rei que, até recentemente, desempenhava um papel importante na família real e que potencialmente pode ser acusado e levado a julgamento. E, se vierem à tona revelações de que a família protegeu Andrew, isso poderia ser devastador, dizem os especialistas.

Em uma declaração, o rei Charles III confirmou a prisão do irmão e afirmou que apoiava um “processo completo, justo e adequado” na investigação, acrescentando que apoiava as autoridades envolvidas.

“Nisso, como já disse antes, elas têm nosso total e irrestrito apoio e cooperação”, declarou. “Deixe-me afirmar claramente: a lei deve seguir seu curso”, acrescentou.

Embora os laços de Andrew com Epstein sejam conhecidos há anos, sua prisão marca o início de um novo capítulo de sua desgraça pública. No ano passado, o ex-príncipe, que sempre negou qualquer irregularidade, foi destituído de seus títulos reais e expulso do Royal Lodge, sua extensa residência em Windsor.

Um porta-voz disse que o Palácio de Buckingham não foi informado previamente da prisão na manhã dessa quinta-feira, quando policiais foram vistos na propriedade de Sandringham, um retiro campestre privado de 8.093 hectares pertencente ao rei Charles III e à rainha Camilla em Norfolk, Inglaterra, onde o Mountbatten-Windsor reside. Um dos policiais carregava um computador portátil de uso oficial. Parte das viaturas entrou pela frente da residência de cinco quartos, enquanto outras utilizaram a entrada traseira. Segundo um comunicado da polícia, houve operações de busca também em Berkshire.

“Como parte da investigação, hoje prendemos um homem na casa dos 60 anos, de Norfolk, sob suspeita de má conduta no exercício de um cargo público”, afirmou a polícia em um comunicado, que não revela o nome do suspeito, como é habitual no Reino Unido. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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