Quinta-feira, 28 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de julho de 2018
O ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro Sérgio Côrtes afirmou que o empresário Miguel Iskin, preso na última quarta-feira na Operação Ressonância, era uma “garantia de sucesso” para diversas multinacionais no País.
Também alvo das investigações, Côrtes disse que nunca discutiu propina com as firmas estrangeiras. Mas garantiu que todas sabiam do relacionamento próximo entre ele e Iskin e que elas se beneficiaram disso.
Ex-diretor do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), ele também mencionou o envolvimento de outros três empresários no esquema: Stuessel Amora, da WM, Ely Dabasons e outro identificado como Marco Aurélio, da Per Prima – que firmou acordo de leniência com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
“Os fabricantes das multinacionais tinham conhecimento da importância desse contato ser intermediado por essas quatro empresas, como uma ‘garantia de sucesso’ para a manutenção das relações comerciais e futuras vendas”, disse Côrtes à PF (Polícia Federal). Ele relatou ter recebido propina apenas de Iskin, o que já havia confessado à Justiça Federal.
Estão sob investigação multinacionais como Philips, Johnson & Johnson e outras grandes empresas da área médica. O principal executivo da GE na América Latina, Daurio Speranzini Junior, teve a prisão temporária convertida em preventiva, sem prazo para terminar. Ele é investigado sobretudo por fatos relacionados ao período em que esteve na Philips, até 2010.
A decisão foi tomada em razão de um dossiê encontrado na casa do executivo sobre um ex-funcionário da Dixtal, empresa adquirida pela Philips. A Justiça considerou que o dossiê aponta haver “fortes indícios de que Daurio participa ativamente da organização criminosa” no setor.
Iskin é apontado como o organizador do cartel em pregões internacionais na Secretaria de Saúde e no Into desde 1996. As investigações apontam que ele cobrava até 40% de comissão dos fabricantes de produtos para garantir a vitória nos certames. Esse valor era usado, segundo o Ministério Público Federal, para pagar propina a agentes públicos.
Côrtes disse acreditar que existia “um tipo de ajuste entre os quatro fornecedores nas licitações”. Ele declarou, porém, não saber de que forma isso se dava.
Em março, o ex-secretário já havia relatado ao juiz Marcelo Bretas como Iskin tinha vantagem competitiva sobre os concorrentes: “O Miguel conhecia todos os nosso grandes projetos para a área da saúde. Ele já tinha conhecimento, ia às fábricas fazer grandes negociações pelo volume que seria de aquisição de materiais, e com isso ele conseguia grandes descontos.”
“Não existia superfaturamento, mas a margem [de lucro] dele era muito grande. Desta margem é que vinha o dinheiro para mim”, disse durante interrogatório Côrtes, que devolveu à Justiça Federal US$ 4,2 milhões depositados no exterior.
O ex-secretário tentou, sem sucesso, fazer um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. A confissão dele é vista com reservas na Procuradoria. Investigadores avaliam que ele não relatou todos os fatos criminosos de que se beneficiou.
Defesas
A defesa de Miguel Iskin afirmou que o empresário nega as suspeitas levantadas pelo MPF. Afirma que “não houve licitação vencida pela Oscar Iskin [nome da firma] na qual o preço não fosse o de mercado, ou seja, o correto”. Também nega ter pago propina a qualquer agente público.
Já a Philips afirmou que “está cooperando com as autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos quanto às alegações apresentadas”. A Johnson & Johnson, por sua vez, declarou que “segue rigorosamente as leis do país e está colaborando com as investigações”.
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