Quarta-feira, 27 de maio de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Juíza da Operação Lava-Jato de São Paulo, apesar de ser simpática, é tão rigorosa quanto Sérgio Moro

Compartilhe esta notícia:

Juíza Maria Isabel do Prado atua nas audiências com delicadeza e até escolhe palavras carinhosas e de consolo aos réus, embora não alivie ao tomar suas decisões. (Foto: Gedeão Dias/TJSP)

Uma das marcas da Operação Lava-Jato é o estilo rigoroso dos juízes encarregados dos processos criminais. Quem entra nas salas da Justiça Federal, em Curitiba ou no Rio de Janeiro, sabe que Sérgio Moro e Marcelo Bretas não atuam com leveza diante de réus e testemunhas. Em São Paulo, contudo, a filial mais nova da Lava-Jato, o perfil é ligeiramente diferente.

Titular da 5ª Vara Federal de São Paulo, a juíza Maria Isabel do Prado atua nas audiências com delicadeza e até escolhe palavras carinhosas e de consolo aos réus, embora não alivie ao tomar suas decisões.

Maria Isabel se tornou mais conhecida ao mandar prender personagens acusados de corrupção que transitavam no primeiro escalão dos governos do PSDB. Em um espaço de dois meses foram para o cárcere Laurence Casagrande, ex-secretário do ex-governador Geraldo Alckmin, e o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, apontado como operador de propina para o PSDB.

Conforme o jornal O Globo, na semana passada, Maria Isabel ordenou a conversão em preventiva da prisão temporária de Laurence, que atuou nas três gestões de Alckmin no governo paulista – como assessor na Secretaria de Segurança, diretor-presidente da Dersa e secretário de Transportes. Poucas semanas antes, havia abalado a confiança de Paulo Vieira – que costuma posar de destemido – ao prendê-lo junto com a filha, Tatiana Cremonini. Vieira e a filha são réus no processo que investiga desvios de R$ 7 milhões. Paulo Vieira foi solto por Gilmar Mendes, enquanto Laurence e Pedro da Silva, outro ex-diretor da companhia, permanecem na cadeia.

O estilo da magistrada ficou evidente no dia 25 de junho, durante a audiência de custódia de três presos na Operação Pedra no Caminho, da Polícia Federal, que apontou desvios em obras do Rodoanel. A juíza confortou o choro de um dos acusados, Edison Mineiro, fiscal de obras da Dersa. Ofereceu água e disse que poderia esperar o tempo que fosse necessário para que ele se acalmasse.

Na sessão, enquanto o advogado Eduardo Carnelós a avisava que protocolaria alguns documentos para a defesa de Laurence Casagrande, Maria Isabel demonstrou interesse.

“Maravilhoso! Muito obrigada”, disse a magistrada.

Na hora do despacho, no entanto, não havia mais sinal de benevolência. Maria Isabel decidiu manter todos presos.

“ Não me surpreendi. Ela é uma juíza amável, cordial, educada na audiência, mas na hora da decisão, que é o que importa, pesa a mão”, disse um dos advogados do caso.

Mão pesada é como são chamados juízes duros em sua decisão. Sérgio Moro tem essa fama desde o caso Banestado, no início dos anos 2000. A mão pesada de Maria Isabel também não é recente. Em 2005, na vara criminal de Guarulhos, ela decretou a prisão preventiva de Eliana Tranchesi, então sócia da loja de roupas Daslu, então meca do luxo.

A juíza condenou a empresária a 94 anos de detenção e determinou que fosse presa imediatamente. Tranchesi conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal.

A postura firme de Maria Isabel é elogiada por investigadores. Entre os colegas, ela é conhecida pelas penas elevadas e descrita como recatada, amável e fortemente envolvida em causas sociais.

“É muito séria, muito religiosa, do tipo que se preocupa com o Natal dos funcionários terceirizados. Mas é bem isolada, não convive com juízes”, diz uma fonte do Judiciário.

Advogados dos réus, de perfil garantista, se referem à magistrada como “punitivista”. Afirmam que ela segue as teses do Ministério Público e, por isso, eleva penas. As críticas são semelhantes às feitas a Moro e Bretas.

No Ministério Público e na Polícia Federal, no entanto, não lhe falta apreço, no sentido contrário: “criteriosa” e “séria”. Procurada, a juíza Maria Isabel preferiu não dar entrevista.

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Eike Batista entra na lista da Interpol e é considerado foragido
Ex-secretário da Saúde do Rio de Janeiro implica empresários em esquema de propina
Pode te interessar