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Saúde Exercício para afastar Alzheimer é como musculação: se parar, o benefício some

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No Rio Grande do Sul, a expectativa de vida é de 77,5 anos, segundo o IBGE (Foto: Reprodução)

Os cientistas estão cada vez mais interessados em entender como a atividade e os exercícios físicos mexem com o cérebro. Os benefícios do movimento podem ir muito além de um melhor funcionamento muscular e cardiorrespiratório e têm até a capacidade de “rejuvenescer” o sistema nervoso central, protegendo-o e freando o progresso de doenças neurodegenerativas.

A razão alegada pelos pesquisadores para o benefício cognitivo – como na melhora da memória e da atenção – é o aumento de uma proteína conhecida como fator neurotrófico derivado do cérebro. Ela funciona como um fator de crescimento, provavelmente estimulando o surgimento de novos neurônios e a formação de novas ligações entre eles (sinapses), característica batizada de neuroplasticidade.

“Era um dogma antigo o de que o cérebro se desenvolve até a adolescência ou o começo da vida adulta e que dali em diante só iria ‘morro abaixo’, sem muito o que fazer”, diz o neurologista e professor universitário Li Li Min.

De fato, a taxa de surgimento de novos neurônios despenca na vida adulta, mas o exercício é capaz de melhorá-la, atrasando o aparecimento de doenças. Um dos conceitos biológicos que explica isso é o de “reserva funcional”. Para exercer ou manter uma determinada função, um órgão ou sistema dispõe de mais recursos que o necessário. Faz sentido porque, no caso de uma crise, o organismo continua funcionando.

Com a deterioração provocada pela idade (com a taxa de perda de neurônios muito maior do que a de surgimento de novas células), a reserva funcional vai sendo consumida, até um limiar em que o prejuízo cognitivo se evidencia. Terapeuticamente, o exercício físico poderia atuar de duas formas: criando a reserva funcional ao longo da vida e/ou retardando o desgaste dela durante o período de acometimento da doença.

A ciência ainda patina, entretanto, em definir qual exercício seria o melhor para tratar cada doença. Curiosamente, o exercício aeróbico (como andar em uma esteira ou em uma bicicleta ergométrica) nem sempre leva vantagem nas pesquisas sobre o tema.

Em uma tese de doutorado, orientada pelo geriatra Wilson Jacob Filho, os pesquisadores viram que exercícios de musculação conseguem melhorar a memória de idosos. Outro trabalho, que comparou caminhada com técnicas de respiração viu que, em termos cognitivos, valia mais a pena respirar direito do que caminhar no parque três vezes por semana.

“O exercício pode atuar ainda sobre o sistema imunológico, o sono e a esquizofrenia, mas não sabemos qual seria a intensidade [como a velocidade em uma corrida] e o volume [quilômetros percorridos] ideais a cada situação”, diz o pesquisador Marco Túlio de Mello.

Segundo o pesquisador, uma das características preponderantes do ganho funcional proporcionado pela atividade física é uma das mais emblemáticas da musculação: com o cessamento das atividades, vão-se os benefícios.

“Um paciente com depressão moderada, ao praticar exercícios, pode ir para um quadro de depressão leve e até diminuir a dose de medicamento necessária”, ressalta Mello. “No entanto, se a atividade for interrompida, a depressão volta a piorar.”

Claro, se há atraso do aparecimento dos primeiros sintomas de demências é algo a comemorar. Alguns estudos, porém, dizem ainda não haver clareza de que as atividades trazem benefícios. É difícil prever como as prescrições de exercícios serão no futuro porque a maneira que cada cérebro se adapta para executar cada atividade é única – e podem existir pessoas que simplesmente não se beneficiem deles.

Por outro lado, por mais que os benefícios fisiológicos sejam discutíveis, a interação social e a saída da mesmice diária provocadas pela prática de uma atividade física, na opinião dos especialistas, já são suficientes para convencer qualquer um a não ficar parado. (Gabriel Alves/Folhapress)

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