Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 13 de agosto de 2023
Após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra o general Mauro César Lourena Cid, pai do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o Exército Brasileiro disse não compactuar “com eventuais desvios de conduta de quaisquer de seus integrantes”. Em nota, a corporação informou estar acompanhando as diligências realizadas pela PF (Polícia Federal)contra o oficial, suspeito de vender joias dadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao jornal O Globo, o Exército disse estar colaborando com as investigações em curso. “A Força não se manifesta sobre processos apuratórios conduzidos por outros órgãos, pois esse é o procedimento que tem pautado a relação de respeito do Exército Brasileiro com as demais instituições da República”, afirmou, no comunicado.
Além de Lourena Cid, também foram alvos de busca e apreensão o tenente do Exército Osmar Crivelatti, que integrava a equipe da Ajudância de Ordens e atualmente era assessor de Bolsonaro; e advogado Frederick Wassef, que representava a família do ex-presidente.
Peculato e lavagem
No total, foram cumpridos mandados em Brasília, um em São Paulo e um em Niterói, deferidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em decorrência desse inquérito. De acordo com a Polícia Federal, o grupo é suspeito dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
“Os investigados são suspeitos de utilizar a estrutura do Estado brasileiro para desviar bens de alto valor patrimonial, entregues por autoridades estrangeiras em missões oficiais a representantes do Estado brasileiro, por meio da venda desses itens no exterior”, informou a PF.
Dinheiro vivo
O inquérito apontou que os valores obtidos das vendas desses objetos teriam sido convertidos em dinheiro vivo e “ingressaram no patrimônio pessoal dos investigados, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem, localização e propriedade dos valores”.
O general Lourena Cid movimentou quase R$ 4 milhões em contas bancárias entre fevereiro de 2022 e maio deste ano. É o que aponta o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
As transações foram consideradas “atípicas” para “agentes públicos”. O documento que relata o valor de R$ 3.914.157 foi enviado à CPI dos Atos Antidemocráticos na Câmara dos Deputados.
Ao todo, o general Cid recebeu R$ 1.949.104 em suas contas e enviou R$ 1.965.053. Segundo dados do Portal da Transparência do governo federal, ele recebe um salário líquido de R$ 23.896,43. As informações são do jornal O Globo.
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