Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
29°
Fair

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Cerca de 1.400 homens das Forças Armadas realizaram uma operação em uma favela do Rio

Compartilhe esta notícia:

Líderes comunitários questionam se esse tipo de revista pelo Exército seria tolerado em bairros nobres. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Cerca de 1.400 homens das Forças Armadas realizam neste sábado (3) uma operação na favela Vila Kennedy, em Bangu, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com o CML (Comando Militar do Leste), a ação tem como objetivo desobstruir vias no local, onde é comum encontrar “barricadas” para evitar a circulação.

A Vila Kennedy já havia sido alvo de uma operação em 23 de fevereiro, com efetivo de 3.200 homens, dois dias após o tenente Guilherme Lopes da Cruz, subcomandante da UPP local (Unidade de Polícia Pacificadora), ser assassinado.

Na primeira operação, as Forças Armadas foram criticadas por “fichar” moradores ao tirar fotos com RG de quem circulava pelas ruas da favela. A Vila Kennedy fica próxima ao complexo do Chapadão – as duas favelas são consideradas redutos da facção Comando Vermelho, uma das maiores organizações criminosas do País.

Na ação deste sábado, um homem não identificado pelo Exército foi preso acusado de desacato. Ele foi conduzido à delegacia de polícia judiciária militar, instalada na Vila Militar, para registrar a prisão em flagrante. Ele será encaminhado à delegacia de Bangu após à ocorrência, onde ficará preso à disposição da Justiça Militar até o julgamento.

De acordo com a página do Facebook “Voz da Vila Kennedy”, portal de notícias da comunidade, a quantidade de soldados, carros e tanques é “bem menor” do que da última vez. A página também afirma que não houve nenhum registro de tiroteios. Segundo o portal, todas as entradas do bairro estão ocupadas por militares, que fazem um “rígido controle de acesso” revistando carros.

Intervenção no Rio

O Rio de Janeiro está sob intervenção federal na segurança, comandada pelo general Walter Braga Netto, nomeado pelo presidente Michel Temer (MDB). Anunciada em 16 de fevereiro, a medida foi aprovada pelo Congresso. A operação do Exército teve início na madrugada do dia 23, com apoio das polícias Civil e Militar, envolveu 3.200 homens nas comunidades Vila Kennedy, Coreia e Vila Aliança, na Zona Oeste.

No dia 20, um sargento do Exército foi morto por bandidos durante arrastão em Campo Grande, bairro
vizinho. Ao todo, 27 pessoas foram encaminhadas para delegacia, incluindo um menor de idade – não foram divulgadas as identidades nem os eventuais crimes cometidos. Além de drogas, houve apreensão de duas pistolas, uma réplica de fuzil, carregadores, 12 carros e 13 motos roubadas e 8 radiotransmissores.

Nas abordagens aos moradores das favelas, os militares enviavam RG e foto das pessoas por um aplicativo para um setor de inteligência, que avaliava eventual existência da anotação criminal. Após flagrar esse “fichamento” das pessoas, a reportagem chegou a ser impedida de continuar no local e foi encaminhada por homens do Exército a uma distância de 300 metros.

Graves infrações

A OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil), que criou um grupo para acompanhar a intervenção no Rio, classificou as ações dos militares como “graves infrações às garantias constitucionais”.

“A ação afrontou os direitos constitucionais de ir e vir e da liberdade de expressão, ao cercear moradores e
equipes da imprensa”, afirmou a OAB, que estuda medidas judiciais para impedir novos casos como os de sexta.

A Defensoria Pública do Rio manifestou “veemente discordância” com a prática.” A abordagem pessoal por qualquer agente de segurança só é permitida quando há razões concretas e objetivas para a suspeita de que o indivíduo esteja portando bem ilícito ou praticando algum delito. O fato de se morar em uma comunidade pobre não é razão suficiente para este tipo de suspeita”, afirma.

A página Maré Vive, administrada por líderes comunitários da favela da Maré, na Zona Norte, afirmou que esse tipo de revista pelo Exército nunca seria tolerado em bairros nobres. “Eu queria ver se isso algum dia vai acontecer no Leblon, Ipanema, Flamengo, Laranjeiras, Barra, qualquer lugar que não a favela.”

A ONG Justiça Global disse que enviou à ONU (Organização das Nações Unidas) e à OEA (Organização dos Estados Americanos) pedido para que mandem observadores internacionais para acompanhar a intervenção no Rio.

A socióloga Julita Lemgruber, do Centro de Estudos de Segurança Pública da Universidade Cândido Mendes, afirmou que a abordagem do Exército a moradores de favelas “é medida que viola o direito constitucional de todo cidadão de não ter sua liberdade e intimidade cerceada”

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu cortes e disse que a reforma da Previdência será votada assim que possível
Marcelinho Paraíba recebe alta do hospital após sofrer AVC
Pode te interessar