Sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 1 de junho de 2021
Uma declaração da médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi sobre vacinas contra o coronavírus acabou gerando discussões, nesta terça-feira (1º), na sessão da CPI da Covid no Senado. O relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), mostrou um vídeo em que Nise falava que não era necessário que as pessoas tomassem vacina “aleatoriamente”. Questionada sobre a gravação, Nise disse que não discordava de sua afirmação no vídeo.
O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), interveio: “A doutora Nise, com essa voz calma, tranquila, é convincente. Peço que desconsiderem o que ela está dizendo em relação à vacina. Não escutem o que ela está dizendo”, disse Omar. “Todos os brasileiros precisam de duas [doses] de vacina. (…) Tem que vacinar. A vacina salva”, continuou o senador. Azis ainda propôs chamar a médica para prestar depoimento como convocada.
Sobre a imunidade de rebanho, a imunologista disse que a imunidade é um fato, mas pode ocorrer de várias formas e não significa mandar as pessoas indiscriminadamente para as ruas a fim de se contaminarem. “É preciso deixar claro que as opiniões são circunstanciais. Neste momento a imunidade deve ser alcançada pelas vacinas. Naquela época, em junho do ano passado, a realidade era diferente, imaginávamos que uma segunda onda viria com o mesmo vírus. Se viessem com os mesmos vírus, nós teríamos, sim, uma imunidade. Naquele momento a discussão do assunto era pertinente. A própria Organização Mundial da Saúde não sabia se deveria fazer lockdowns absolutos ou horizontais”, esclareceu.
O depoimento foi marcado por interrupções e discussões entre os parlamentares. Depois de alguns vídeos exibidos pelo relator sobre temas diversos, oposicionistas alegaram que a médica não respondia a questões e a interromperam por várias vezes, o que provocou protestos da senadora Leila Barros (PSB-DF), que pediu respeito à testemunha.
“Eu queria pedir aos senhores, com todo o respeito… Vocês sabem o lado em que eu estou, da ciência, mas o que a gente percebe é que existe uma ansiedade muito grande pelas respostas. Ela não consegue completar um raciocínio sequer e não pode se explicar”, reclamou Leila.
O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou uma questão de ordem para que a reunião fosse encerrada e a médica retornasse posteriormente à CPI na condição de convocada. Omar Aziz, cogitou a possibilidade, mas desistiu da ideia.
O governista Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que não cabe a quem não possui conhecimento técnico questionar as opiniões de uma cientista com mais de 40 anos de trabalho prestado, de respeito da sociedade. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), no entanto, afirmou ela estava desinformando a população quando disse, em vídeo exibido à comissão, que não poderia haver vacinação aleatória da população.
Ao expor que tinha a versão completa do vídeo, Marcos Rogério disse que a médica nada disse contra as vacinas durante a gravação, somente alertou, na época, para o risco de precipitações e de distribuição de vacinas indiscriminadamente sem todos os protocolos científicos.
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