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Saúde Falta de imunoglobulina, remédio usado contra várias doenças, é generalizada em hospitais do País

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Primeira vítima foi uma idosa da Serra Gaúcha, no dia 22. (Foto: EBC)

A maioria (78%) dos hospitais do País dispõe de estoques só para um mês de imunoglobulina, substância presente no plasma do sangue e usada como uma forma de repor anticorpos e com efeito sobre inflamações. Os dados são da Associação Nacional dos Hospitais Privados. Já o governo de São Paulo acusa o Ministério da Saúde de não enviar o componente. O estoque do Hospital das Clínicas, por exemplo, só é suficiente para mais uma semana.

A imunoglobulina traz anticorpos para várias doenças, como tétano, rubéola, gripes e difteria. Na regulação do sistema imunológico, ela é essencial no tratamento de doenças neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré, neuropatias, doença de Kawasaki e trombocitopenia imune, entre outras. Mais recentemente, vem sendo usado para tratamentos pós-covid.

“O governo federal segue falhando no envio de remédios de alto custo ao Estado de São Paulo, incluindo a imunoglobulina humana. Nenhum frasco foi recebido para atender pacientes no terceiro trimestre e ainda está pendente 57% do total requerido para o segundo trimestre. Vieram apenas 61,3 mil unidades, das 142 mil aprovadas pelo próprio ministério”, diz nota da Secretaria da Saúde.

A Anvisa, por sua vez, diz que vai facilitar a importação do produto. “Em face do cenário de iminente risco de desabastecimento de imunoglobulina humana regularizada no Brasil, a Anvisa concedeu autorizações de importação deste produto, em caráter excepcional, por unidades de saúde, para seu uso exclusivo”, avisou a agência. De acordo com a entidade, a autorização excepcional já foi concedida para o Hospital das Clínicas da USP e outros pedidos estão em análise. O governo Doria tem outra versão. “O Hospital das Clínicas entrou com pedido de importação direta do medicamento em caráter emergencial com fornecedores ainda sem registro na Anvisa, além de manter consultas regulares junto a fornecedores nacionais que eventualmente tenham estoque”, diz a nota.

Sem estoque

“A situação (não envio de imunoglobulina) dificulta o abastecimento de serviços que atendem pacientes graves e gravíssimos, como o Hospital das Clínicas que, no momento, possui estoque para aproximadamente uma semana”, diz o Estado. O problema tem contornos nacionais. A Associação Brasileira dos Planos de Saúde (Abramge) enviou ofício pedindo medidas para acelerar a importação. A intenção é que o medicamento integre a categoria dos kits de intubação de pacientes com covid. De acordo com a entidade, que reúne 170 hospitais ligados a planos de saúde, a maioria no Nordeste e nos Estados de São Paulo e Rio, nenhuma instituição tem estoque superior a 15 dias. “Esta crise não tem a dimensão da falta dos kits hospitalares. Estamos falando de um tipo mais específico de paciente, mas a situação é crítica”, afirma o presidente da Abramge, Renato Casarotti.

A falta de imunoglobulina vem sendo identificada em outros levantamentos. Pesquisa da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) com 55 afiliados constatou que 81,48% estão com grave escassez de imunoglobulina. Mais de 78% deles só têm abastecimento para um mês. “Trinta dias é um prazo muito apertado para autorização, negociação, importação e recebimento. A maioria dos hospitais está com bastante dificuldade”, avalia o diretor executivo da Anahp, Antônio Britto.

A Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas realiza um levantamento com os hospitais filantrópicos sobre as dificuldades de compra do produto, a necessidade de estoque e a disposição para importação. O objetivo, diz a entidade, seria “obter da Anvisa uma norma ou regulação que permita ter facilidade ou regras que possam tornar menos oneroso” o processo de importação da imunoglobulina.

O HCor informa que os estoques são suficientes, mas considera a possibilidade de remanejamento do medicamento. “O hospital informa que ainda mantém imunoglobulina suficiente em estoque para atender à demanda atual de seus pacientes ambulatoriais. Entretanto, a fim de que se mantenha reserva para assistir eventuais casos emergenciais, considera o remanejamento de uso do medicamento, respeitando a condição clínica destes pacientes”.

O Sistema Hapvida informa que, no momento, não há desabastecimento de imunoglobulina na rede própria da companhia.

Entre os fatores que explicam a ausência de imunoglobulina está o aumento do consumo do produto para tratamento das sequelas de covid. A informação consta no ofício da Abramge à Anvisa. O medicamento, afirma, usado em terapia combinada com antibióticos ou antivirais para prevenir infecções bacterianas e virais graves, “mais recentemente, vem sendo usado para tratar complicações pós-covid-19”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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