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Saúde Pandemia não vai acabar se priorizarmos a 3ª dose de vacinas, diz o diretor do Covax

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Terceira dose será aplicada na população mais vulnerável no Brasil. (Foto: Cristine Rochol/PMPA)

Para frear a pandemia, é imprescindível garantir que as vacinas cheguem a todos os países de forma igualitária. O primeiro passo para isso é vacinar ao menos 20% da população de cada país, faixa que concentra as pessoas de alto risco para a covid-19, como idosos e trabalhadores da saúde. Mas o mundo está longe de atingir este objetivo.

Isso é o que defende o argentino Santiago Cornejo, diretor de Engajamento com os Países do Covax Facility, em entrevista ao Estadão. Segundo ele, a iniciativa ainda precisa distribuir 1,7 bilhão de doses para atingir a meta.

Até o momento, foram entregues 200 milhões de doses por meio da coalizão. Cornejo também é diretor de Financiamento de Imunização e Sustentabilidade da Gavi, a Aliança da Vacinação.

Até o momento, já foram aplicados mais de 5 bilhões de doses de vacinas contra a covid-19 em todo o mundo. Apesar do alto índice – cerca de 40% da população mundial recebeu ao menos uma injeção –, as vacinas não estão igualmente distribuídas. Nos países de renda baixa, apenas 1,8% da população teve a chance de começar a imunização. Os dados são da plataforma Our World In Data, vinculado à Universidade de Oxford, do Reino Unido.

Leia a seguir trechos da entrevista:

1) Como surgiu o Covax Facility? Houve alguma outra aliança como esta na história?

​​A ameaça da pandemia exigiu uma ação nunca vista antes. Quando começamos a pensar, na Gavi, o que poderíamos fazer para apoiar a luta contra a covid-19, percebemos, junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) e a outros parceiros, que precisávamos de uma solução global.

O primeiro passo para isso foi implementar o Covax. É a primeira vez na história em que tivemos um esforço global para lançar uma vacina em um ano e torná-la disponível em um conjunto muito amplo de países, com níveis de cobertura nunca vistos.

É um empreendimento bastante complexo e a única solução que temos para derrotar esta pandemia.

2) Quem determina a quantidade de doses que cada país recebe?

Para os países de média e alta renda, que se auto-financiam, pedimos que definissem suas metas. Em geral, essas nações pediram para receber doses suficientes para vacinar entre 10% e 20% de sua população.

Para os 92 países financiados pelo Covax, nossa meta é alcançar pelo menos 20% de cobertura. Dessa forma, podemos garantir a imunização dos grupos de risco.

Esperamos atingir a meta de 20% até o final do ano e continuar apoiando esses países para que alcancem níveis muito mais elevados de cobertura em 2022.

3) Assim como os Estados Unidos, Israel e Chile, o Brasil planeja aplicar uma dose extra da vacina contra a covid-19 na sua população mais vulnerável. Como o senhor enxerga isso? O mundo está preparado para a terceira dose?

Este é um tema muito importante. É fundamental que continuemos as pesquisas para desenvolver nosso conhecimento sobre as vacinas e sobre essa doença.

E, cientificamente, o que sabemos até agora é que a vacinação completa protege o suficiente até mesmo contra as variantes, como a Delta (cepa identificada originalmente na Índia e mais transmissível), evitando internações graves e mortes.

A prioridade máxima do mundo deveria ser garantir que cada país tenha vacinas suficientes para cumprir o esquema vacinal atual, e é isso que defendemos. É isso que vai permitir evitar internações.

Assim que tivermos mais suprimentos, assim que alcançarmos essa cobertura mínima em todos os países, poderemos ver como aumentar a proteção com doses extras. Se os países começarem a usar os escassos suprimentos para aplicar uma terceira dose agora, a disponibilidade de vacinas ficará ainda mais limitada.

4) Qual é a sua opinião sobre a quebra de patentes das vacinas? Isso poderia aumentar a disponibilidade de imunizantes?

Acho que a patente é um elemento, mas não é a solução ou a única solução, principalmente no curto prazo. A fabricação de vacinas é muito complexa. Não se trata apenas da patente, mas da tecnologia por trás dela.

Precisamos de transferências de tecnologia para impulsionar a produção em muitas partes do mundo, não apenas em alguns locais. Leva tempo para que isso aconteça, mas é disso que precisamos para diversificar a produção. Do ponto de vista da Covax, acreditamos que precisamos de mais empresas fabricando as vacinas.

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