Sexta-feira, 12 de junho de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Acontece Fecomércio-RS apresenta perspectivas para 2026 e lança Observatório do Comércio

Compartilhe esta notícia:

Em coletiva de imprensa, entidade destacou juros elevados, desaceleração econômica e desafios fiscais para o próximo ano

Foto: Carlos Macedo

A Fecomércio-RS realizou, nesta quinta-feira, dia 04 de dezembro, sua tradicional coletiva de imprensa anual, apresentando uma análise detalhada do cenário econômico gaúcho e brasileiro em 2025 e as projeções para o próximo ano. O encontro contou com a participação do consultor econômico da entidade, Marcelo Portugal, e do presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, que também destacou as principais bandeiras defendidas e as conquistas institucionais do período.

Durante a coletiva, a federação lançou oficialmente o Observatório do Comércio, plataforma que reúne dados e indicadores calculados pelo Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP-RS) relacionados à atividade empresarial no Rio Grande do Sul. Com a plataforma, dados referentes às unidades produtivas, como empresas e estabelecimentos, trabalho, receitas e despesas, que são absorvidos de fontes diversas e esparsas, serão agora conectados em uma mesma estrutura e apresentados de forma direta e amigável. “Essa costura permite que o usuário consiga segmentar os dados de fontes distintas simultaneamente, facilitando a realização de análises setoriais e regionais das informações. O objetivo é, justamente, contribuir com o desenvolvimento do segmento fornecendo informações, dados e estudos que ajudem os empresários e os gestores públicos a entenderem o setor”, explica o diretor executivo do IFEP-RS, Lucas Schifino.

Para o presidente Luiz Carlos Bohn, o Observatório representa um salto qualitativo na forma de compreender o setor. Ele destacou ainda que o comércio de bens, serviços e turismo é o maior segmento da economia gaúcha. “É por esse motivo que precisa de instrumentos para ajudar empresários, pesquisadores e gestores públicos a compreender e planejar com mais segurança. A qualidade das políticas públicas depende da qualidade da informação e o Observatório nasce exatamente para suprir essa necessidade com rigor técnico e alinhamento às demandas reais das empresas”, defendeu.

Perspectivas apontam para um 2026 “morno”

As projeções da Fecomércio-RS a nível nacional apontam para um novo ano de moderação econômica. Com a expectativa de inflação a 3,9%, juros caindo lentamente e câmbio em torno de R$5,40, o país deve registrar crescimento contido. A projeção de PIB brasileiro para 2026 é de 1,7%, enquanto o gaúcho deve crescer 2,7%, impulsionado pela recuperação gradual após eventos climáticos e pela relevância da agropecuária, ainda cercada de incertezas climáticas e divergências entre as estimativas de safra.

Contudo, Portugal alerta que o ano eleitoral pode alterar esse cenário: “Nosso modelo assume a estabilidade da política econômica. Eleições acirradas tendem a aumentar o risco de medidas populistas, especialmente no campo fiscal. Uma expansão fiscal mais forte pode antecipar tensões que hoje projetamos para 2027”, disse. Também foi mencionada a provável mudança no Ministério da Fazenda prevista para abril de 2026, cujo impacto ainda é incerto.

Situação do Rio Grande do Sul: Propag e a dívida com a União

Para o Rio Grande do Sul, 2026 será decisivo para a renegociação da dívida com a União no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), destaca a Fecomércio-RS. O Decreto nº 12.650 estabelece prazo até 31 de dezembro de 2026 para que Estados formalizem acordos. “A União tem aceitado propostas que podem gerar distorções. É preciso estar atento para que o Rio Grande do Sul não seja prejudicado. A negociação de Minas Gerais será um teste importante para entendermos o padrão que será aplicado”, comentou Portugal.

Em consonância com o consultor econômico, Bohn ressaltou a relevância da oportunidade para as contas do Estado. “O Rio Grande do Sul terá oportunidade única em 2026 com a renegociação via Propag. Se bem conduzida, ela pode aliviar o peso da dívida e abrir espaço para investimentos. Mas é essencial atenção aos critérios e precedentes que serão adotados”, alertou.

Juros altos, câmbio valorizado e desaceleração da atividade marcam 2025

De acordo com dados apresentados pela entidade, 2025 foi um ano marcado por contrastes. O crescimento econômico, que começou aquecido, perdeu força ao longo dos trimestres. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou expansão de 1,3% no primeiro trimestre e 0,4% no segundo, enquanto o Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Brasil (IBC-Br) apresentou retração de -0,89% no terceiro trimestre, indicando possível recessão na segunda metade do ano. “Foi um ano que começou bem e termina mal em termos de atividade econômica. Houve desaceleração acima do esperado, pressionada pela combinação de juros reais excessivamente elevados e um ambiente internacional que ainda passa por incertezas”, afirmou Portugal.

O consultor destacou que a manutenção da taxa Selic em nível elevado foi uma decisão da nova gestão do Banco Central (BC), com foco na recuperação da credibilidade e controle da inflação. “A prioridade do BC foi mostrar firmeza no combate à inflação. Isso adiou a sinalização de cortes nos juros para 2026, mas reforça a âncora de credibilidade necessária para o país”, explicou. Apesar da perda de dinamismo, a inflação apresentou comportamento mais benigno ao longo do ano, o que pode ser explicado por dois fatores: o nível elevado dos juros reais e a desvalorização internacional do dólar após mudanças tarifárias promovidas pelo governo dos Estados Unidos. “Desde a posse de Trump, o dólar perdeu força globalmente. Contra o euro, chegou a se desvalorizar 14%. No Brasil, esse movimento, combinado com juros reais altos, ajudou a valorizar o real e a segurar preços internos”, comentou o economista.

Outro ponto passível de críticas durante o encontro foi o avanço fragilizado da política fiscal. Para Portugal, o aumento da arrecadação tem sido utilizado para financiar a ampliação de gastos, sem melhoria estrutural do equilíbrio fiscal. “Não houve explosão imediata do déficit primário, mas também não caminhamos para estabilização da relação entre dívida e PIB”, disse. Já Luiz Carlos Bohn destacou que o desenho do sistema de crédito brasileiro limita a efetividade da política monetária. Hoje, 42,5% do crédito total no País é direcionado, menos sensível à Selic. “Quando metade do crédito não depende das taxas de mercado, a Selic precisa ser mais alta do que seria necessário se todo o crédito fosse livre”, apontou.

Completando 80 anos, Fecomércio-RS consolida avanços institucionais e amplia capacidade técnica

Em 2025, a Fecomércio-RS consolidou um conjunto robusto de ações que reforçaram o papel da entidade na defesa do comércio de bens, serviços e turismo no Rio Grande do Sul. O ano foi marcado pelo fortalecimento da interlocução com o poder público, pelo avanço em pautas históricas e pela qualificação da capacidade técnica da instituição, especialmente com a criação do Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP-RS) e o lançamento do Observatório do Comércio, considerados marcos estratégicos na modernização da atuação da entidade. Esses dois últimos ampliam a produção de estudos, indicadores e análises sobre o setor terciário em um momento de forte demanda por dados de qualidade, o que reforça o papel da Fecomércio-RS como referência analítica no Estado.

A atuação ao longo do ano também foi marcada por avanços no enfrentamento ao comércio informal. A aprovação, por unanimidade na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, do projeto que cria o Conselho Estadual de Combate à Informalidade representou uma conquista importante, consolidando uma estrutura de articulação entre os principais atores envolvidos no combate a práticas ilegais que prejudicam a competitividade e a arrecadação do Estado. As ações incluíram ainda agendas qualificadas com parlamentares, além de iniciativas técnicas, entre elas a capacitação de fiscais, em parceria com o Sicabege-RS, para identificar bebidas falsificadas após casos de contaminação registrados no país.

Paralelamente, a entidade acompanhou de perto as pautas voltadas às micro e pequenas empresas, defendendo a aprovação de medidas que garantiram benefícios a empreendedores atingidos por situações de calamidade e atuando contra medidas que trariam prejuízos, como o veto ao artigo 3º do PL 378/2019, que teria impacto direto sobre pequenos e médios negócios. Ao longo do ano, o IFEP-RS produziu análises relevantes, incluindo o estudo sobre a chamada “taxa das blusinhas”, no qual alertou para a persistência de desigualdades tributárias e para os riscos que o mecanismo representa ao varejo nacional.

A Fecomércio-RS manteve, ainda, atuação intensa junto ao governo estadual e a instituições federativas para qualificar discussões estruturantes, como a situação da malha ferroviária no Rio Grande do Sul e a concessão da Malha Sul, tema debatido em conjunto com Fiergs e Farsul. O diálogo com o Executivo estadual ganhou destaque com a realização da primeira edição do Fecomércio-RS Debate do ano, que recebeu o governador Eduardo Leite para discutir desafios econômicos, reformas estruturais e caminhos para a retomada do crescimento sustentável.

A entidade também reforçou sua posição em pautas tributárias, manifestando apoio à isenção do Imposto de Renda e posicionando-se contra a tributação de lucros e dividendos prevista em projetos que tramitam no Congresso Nacional. Outra conquista relevante de 2025 foi o adiamento da vigência da nova redação da NR-1, norma que impõe mudanças significativas no gerenciamento de riscos ocupacionais e com impacto direto, especialmente, sobre micro e pequenas empresas. Com a prorrogação para maio de 2026, foi possível ampliar o prazo de adequação, reduzindo custos e garantindo segurança regulatória.

O ano contou, ainda, com ações voltadas ao engajamento comunitário e à valorização das instituições sociais do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP. A Semana S do Comércio levou shows, atividades culturais e educativas gratuitas a mais de 20 cidades no País, fortalecendo a presença do Sesc e do Senac no cotidiano da população. A sanção da lei que instituiu o Dia S de Valorização e Reconhecimento de ambas as instituições no calendário oficial do Estado consolidou esse movimento. As comemorações dos 80 anos da Fecomércio-RS, celebradas com homenagens na Câmara de Vereadores de Porto Alegre e na Assembleia Legislativa, reforçaram a relevância institucional da entidade e seu compromisso histórico com o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul. Além disso, suas oito décadas foram marcadas pela criação do Prêmio Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP de Jornalismo, que assegurou uma nova janela para a valorização do jornalismo profissional que contribui para o fortalecimento do setor de comércio de bens, serviços e turismo no Rio Grande do Sul, e pelo lançamento do livro “Fecomércio-RS – 80 Anos: A Força do Setor Terciário”, obra escrita pela jornalista Suzana Naiditch que resgata os principais marcos da trajetória da entidade que representa o setor do comércio de bens, serviços e turismo no Rio Grande do Sul.

“Este foi um ano em que ampliamos nossa capacidade de formulação, qualificamos nosso diálogo com o poder público e aprofundamos o compromisso com os empresários gaúchos. Seguiremos firmes na construção de um ambiente de negócios moderno, competitivo e justo, sempre amparados por dados, estudos e pela responsabilidade de representar o maior setor da economia do Estado”, afirmou o presidente Luiz Carlos Bohn.

Sesc/RS realiza milhões de atendimentos, expansão educacional e investe mais de R$ 88 milhões no Estado

De janeiro a outubro de 2025, o Sesc/RS esteve junto à comunidade gaúcha com diversas atividades, contabilizando mais de 7,6 milhões de atendimentos em saúde, educação, cultura, esporte, assistência, lazer e turismo, além de 1,1 milhão de ações gratuitas pelo Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG).

No campo educacional, semeou um futuro que conta com o Ensino Médio Sesc, preparando a inauguração da Escola Sesc São Judas, em Porto Alegre, e a construção de novas escolas de educação infantil em diferentes municípios do estado. No primeiro semestre deste ano o programa EAD EJA Ensino Médio também formou 603 estudantes. Além de dar seguimento a projetos já existentes, como o Seminário Internacional Sesc de Educação e a Semana do Brincar, lançou o Programa de Prevenção e Combate ao Bullying, o Sesc em Família, o 1º Congresso de Educação Sesc e Senac e a 1ª Mostra de Iniciação Científica do Sesc/RS, realizada de forma simultânea em 37 municípios.

A assistência, um dos pilares que está em constante movimento, por meio do Programa Mesa Brasil, distribuiu mais de 2 milhões de quilos de alimentos, beneficiando instituições e comunidades em todo o estado. A cultura mobilizou artistas, teatros e parceiros para alcançar as comunidades de todo estado, foram quase 400 mil pessoas prestigiando espetáculos, ações e movimentos culturais. Projetos como o Nossa Arte Circula estão consolidados na programação cultural do estado, bem como circuitos literários, palestras e rodas de conversas em feiras dos livros de mais de 80 municípios gaúchos. Além disso, atendeu mais de 3,4 milhões de pessoas em atividades diversas. No esporte e lazer, as atividades ultrapassaram os 3,4 milhão de participações, promovendo bem-estar e integração em eventos como o Dia do Desafio, Estação Verão, além da Maratona Sesc de Pelotas e Circuito de Corridas.

Em termos de infraestrutura, até outubro de 2025, o Sesc realizou investimentos superiores a R$ 88,2 milhões, sendo R$ 37,4 milhões em obras e instalações e R$ 26,4 milhões em equipamentos e materiais permanentes. O investimento total previsto para 2026 é de R$ 207 milhões, com R$105,5 milhões destinados a obras e instalações e R$ 56,6 milhões para equipamentos e materiais permanentes e R$ 45 milhões para aquisição de imóveis, garantindo continuidade no aprimoramento dos serviços oferecidos.

Com inaugurações, novas sedes e mais de 600 mil alunos capacitados, Senac projeta crescimento da educação profissional

Em 2025, foram inauguradas as unidades Sesc Senac São Sepé, Sesc Senac Nova Prata, Sesc Senac Jaguarão e Senac Ijuí, além da reinauguração do espaço Caldeira e da reforma da sala do Parque Tecnológico em Pelotas. Para 2026, estão previstas a nova sede do Senac Gramado, a ampliação do Distrito Criativo e a nova sede do Senac Frederico Westphalen.

Atualmente, o Senac oferece 717 cursos livres em 27 segmentos, 25 cursos técnicos presenciais e 12 especializações técnicas. Na modalidade EAD são 13 cursos técnicos e uma especialização, os quais são ofertados nacionalmente, através de uma rede de 369 polos espalhados por todos os Estados do Brasil. Na educação superior, são disponibilizados oito cursos superiores e quatro pós-graduações lato sensu. A estrutura educacional é composta por 50 Unidades Educacionais, 1 Escola EAD e 1 Centro Universitário com dois campi.

De 2020 até outubro de 2025, foram capacitados 624.476 alunos, dos quais 469.659 no Rio Grande do Sul. Entre janeiro e outubro de 2025, o total foi de 132.592 alunos, sendo 91.212 no estado. No mesmo período, 39.050 estudantes participaram pelo Programa Senac de Gratuidade (PSG). Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com 91.212 alunos nas modalidades presencial e EAD.

Para 2026, o Senac projeta atender 140 mil alunos em ações educacionais e mais de 60 mil pessoas impactadas em ações extensivas, como palestras, oficinas etc.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Acontece

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Campeões do Circuito Gaúcho de Surf Amador 2025 serão conhecidos neste final de semana na Praia da Guarita
XII Fórum Econômico Gaúcho debate desafios e caminhos para o desenvolvimento do RS
Pode te interessar