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Futebol Federação Europeia de futebol anuncia boicote à Copa do Mundo em oposição ao interesse da Fifa de vender ações para investidores privados

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A Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) anunciou nessa quinta-feira (3) uma medida radical contra a proposta da Fifa. (Foto: Reprodução)

A Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) anunciou nessa quinta-feira (3) uma medida radical contra a proposta da Fifa de criar uma empresa para administrar seus torneios e vender ações a investidores privados. Após reunião virtual, a entidade europeia decretou que as 55 federações do continente vão boicotar todas as competições da Fifa enquanto a proposta estiver de pé.

“Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a ideia seja totalmente abandonada e haja garantias vinculantes”, diz o documento divulgado pela Uefa.

Boicote pode afetar a Copa do Mundo

O boicote prejudicaria, por exemplo, a Copa do Mundo Feminina 2027, que será realizada no meio do ano que vem no Brasil.

A proposta da Fifa foi anunciada na última terça. A ideia é criar uma empresa privada, que opere a comercialização e organização de todas as competições da entidade.

A Uefa foi uma das primeiras organizações a se posicionar contra e recebeu apoio da Concacaf – confederação da América do Norte, Central e Caribe – e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Essas três entidades representam 143 dos 211 membros da Fifa, ampla maioria.

A Fifa divulgou um vídeo na quarta com Infantino dando seus argumentos para a proposta de venda das ações. O presidente da entidade afirmou que a ideia passará por uma votação com todas as associações-membro e pelo conselho da organização.

Infantino também disse que a venda de ações permitiria aumentar o repasse para cada federação filiada, de 8 milhões para 20 milhões de dólares. A Fifa espera arrecadar 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) com o projeto.

Nota da Uefa

Confira parte do nota da Uefa: “A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.

A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.

É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.

Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma “decisão democrática”, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global. No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo”.

Entenda o caso

A empresa a ser criada na proposta é a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária cujo controle majoritário seria da entidade. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações comerciais e as principais competições.

A Fifa acredita que a FFE valeria no total 20 bilhões de dólares (R$ 102,3 bilhões). Por isso, diz que a venda do equivalente a 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) em ações significaria que os investidores privados seriam minoritários na nova empresa.

Com o dinheiro arrecadado, a Fifa promete aumentar a quantia distribuída para a federação de cada país membro da entidade. Atualmente, ela paga R$ 41 milhões para cada país. Se o plano for aprovado, a quantia poderia chegar a R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e 123 milhões até 2038.

Na nota publicada em seu site oficial, a Fifa diz que a injeção de dinheiro privado pode ser decisiva para “alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base”.

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