Terça-feira, 14 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 11 de fevereiro de 2026
A filha do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), chamou de “narrativa absurda” a acusação de assédio sexual contra o pai feita por uma jovem de 18 anos. Segundo a advogada Vitória Buzzi, a vítima não teria proximidade com o ministro, sendo desconhecida por familiares. A denunciante é filha de um casal de advogados, que alegam ser amigos do magistrado e estavam hospedados na casa de praia de Buzzi, no litoral catarinense, quando o crime teria ocorrido.
“É um absurdo essa narrativa de que a moça teria proximidade ou até intimidade com a família ou com meu pai. É uma moça que nós, as filhas, sequer conhecemos e que nunca fez parte do nosso convívio”, declarou Vitória, em entrevista concedida à revista Veja, na terça-feira.
O assédio, de acordo com o relato da denúncia, ocorreu na praia, quando a jovem foi tomar um banho de mar. Buzzi, que estava dentro da água, teria tentado agarrar a jovem. Ao saber da agressão, os pais da menina decidiram retornar a São Paulo, onde registraram um boletim de ocorrência que deu base à abertura de um inquérito policial.
No depoimento, a jovem afirmou que frequentava o STJ com frequência e mantinha uma relação de proximidade com Buzzi, definido “como um avô e confidente”. Vitória, no entanto, contesta a versão:
“Nunca existiu essa relação, como foi afirmado, de avô e confidente. A relação da advogada (mãe da jovem) com a família é recente, e não de anos, como querem fazer crer”, afirmou.
A denúncia
A denúncia foi registrada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que informou que o caso está tramitando em sigilo. Por unanimidade, o STJ decidiu, na terça-feira, afastar temporariamente da Corte o ministro. Além da jovem de 18 anos, ele também é alvo de apurações de importunação a partir de uma denúncia apresentada por uma ex-assessora, que relatou um episódio ocorrido dentro do gabinete do magistrado.
Em nota, a defesa de Buzzi classificou o afastamento como desnecessário, “sobretudo diante da inexistência de risco concreto à higidez procedimental da investigação e também porque o ministro já se encontra afastado para tratamento médico”.
Os advogados do magistrado pontuam que “o vazamento antecipado de informações não checadas, alheias aos canais institucionais e antes mesmo do acesso da defesa aos autos, revela um esforço deliberado de constranger o devido processo legal e influenciar indevidamente futuras decisões judiciais”.
Como será a investigação
No âmbito administrativo, o STJ instaurou uma comissão de sindicância que deverá apresentar conclusões em uma nova sessão agendada para o dia 10 de março. A defesa do ministro negou as acusações e classificou a medida, em nota, como “um arriscado precedente de afastamento de magistrado antes do crivo do pleno contraditório”.
Buzzi é o terceiro ministro do tribunal afastado do cargo em meio a investigações na história da Corte, instalada em 1989, um ano após a promulgação da Constituição de 1988, e pode se tornar o segundo a receber a pena administrativa máxima aplicada a magistrados: a aposentadoria compulsória. Em paralelo, uma investigação criminal corre no Supremo Tribunal Federal (STF), devido à prerrogativa de foro do ministro.
No STJ, o segundo caso de importunação sexual investigado selou o afastamento do ministro. O CNJ confirmou ao jornal O Globo ter ouvido também o depoimento da ex-assessora e informou que “segue realizando diligências”. A autora do novo relato, segundo o colunista do jornal O Globo Bernardo Mello Franco, é funcionária terceirizada do STJ. Ela hoje continua lotada em outra área do tribunal, e seu nome será preservado durante as investigações.
Sobre as acusações de assédio, Buzzi afirmou, em nota divulgada após a denúncia da jovem, que foi “surpreendido com o teor das insinuações”, as quais “não correspondem aos fatos”. Ele disse ainda que repudia “toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.
Quem é Buzzi
Buzzi completou 68 anos na quarta-feira passada (4) e se formou em direito em 1980, em Itajaí (SC). Ele é mestre em Ciência Jurídica e especializado em Direito do Consumo e Instituições Jurídico-Políticas. Em 2002, tomou posse como desembargador.
O magistrado é membro da Comissão Permanente de Divisão e Organização Judiciárias do Estado de Santa Catarina e fundador da União dos Magistrados do Mercosul. Além disso, Buzzi já integrou o Conselho Executivo da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
Em Santa Catarina, Buzzi também já foi presidente do Grupo de Câmaras do Tribunal de Justiça, em 2008, e presidente da Terceira Câmara de Direito Comercial, em 2010.
Foi coordenador dos Juizados Especiais do estado entre 2004 e 2010 e supervisor entre 2010 e 2012, além de ter ministrado disciplinas na Universidade do Vale de Itajaí.
Entre suas condecorações, está a Medalha do Mérito Judiciário Catarinense, concedida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina “em razão dos relevantes serviços” prestados ao estado. As informações são do jornal O Globo.
Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!