Domingo, 26 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 26 de julho de 2026
Flávio Nantes Bolsonaro tem 45 anos, é advogado e empresário e dedicou mais da metade de seu tempo de vida à política. Elegeu-se pela primeira vez aos 21, como deputado estadual no Rio de Janeiro.
Neste sábado (25), foi confirmado como candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), durante convenção em São Paulo.
Nascido em 30 de abril de 1981, em Resende, no Rio de Janeiro, é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro com a publicitária Rogéria Nantes. A posição de primogênito lhe rendeu o apelido de “01”, inspirado na tradição militar.
O senador já contou em entrevistas que o codinome foi adotado pelo pai como uma forma prática de identificar os filhos. À época, Jair era pai de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro. Mais tarde, teve outros dois filhos, em casamentos diferentes: Renan e Laura. A única menina é filha de Michelle Bolsonaro.
Flávio e os irmãos Carlos e Eduardo cresceram em um condomínio na Vila Isabel, zona norte do Rio. Tiveram uma vida de classe média, estudaram em escolas particulares e costumavam surfar na praia da Barra da Tijuca, uma das preferidas de Flávio. Nenhum seguiu os passos do pai na carreira militar.
Flávio foi eleito pela primeira vez em 2002, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Àquela altura, Jair Bolsonaro já acumulava mais de uma década como deputado federal.
O senador já afirmou em entrevistas que, na juventude, não pretendia seguir carreira na política. Vinte e quatro anos depois de estrear na vida pública, no entanto, tenta repetir a trajetória do pai ao disputar a Presidência da República.
O parlamentar confirma sua candidatura presidencial sem o apoio formal de partidos que foram aliados no governo do pai. A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, indicou até o momento que permanecerá neutra na disputa e não fará aliança com o PL.
A principal aposta da campanha agora é fechar um acordo com o Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A dificuldade para ampliar a coalizão remete à campanha de Jair Bolsonaro em 2018, quando o então candidato do PSL também disputou a Presidência sem o respaldo de legendas mais tradicionais. A diferença é que, desta vez, o apoio dessas siglas era tratado pelo entorno de Flávio como estratégico para fortalecer sua candidatura.
Na convenção do PSL, Bolsonaro disse que o Centrão era “o que há de pior no Brasil”. Foi eleito com um discurso antipolítica. Anos depois, Bolsonaro contou com a parceria das principais figuras desse espectro político para garantir governabilidade. Entre elas, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil.
Candidato escolhido pelo pai
Flávio anunciou a pré-candidatura em dezembro de 2025, após visitar o pai na prisão. A decisão foi articulada pelo próprio senador, pelo ex-presidente e pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. Nos bastidores, a escolha enfrentou resistência entre lideranças de outros partidos da direita, que viam em Tarcísio de Freitas uma opção mais competitiva para enfrentar o presidente Lula (PT).
Após anunciar que seria candidato, apresentou-se como uma versão moderada do pai. “Sempre pediram um Bolsonaro mais moderado. Eu sempre fui assim, eu sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado, centrado”, afirmou a empresários em dezembro.
Nas últimas semanas, porém, endureceu o discurso nas críticas ao STF, após ser proibido de visitar o pai por 90 dias pelo ministro Alexandre de Moraes.
Na última semana, em reunião com diplomatas em Brasília, Flávio repetiu informações falsas sobre as urnas eletrônicas, já desmentidas pelo TSE.
O episódio lembrou a reunião de 2022 em que o pai lançou suspeitas infundadas sobre o sistema de votação, sem apresentar provas. Por causa desse encontro com embaixadores, Jair Bolsonaro foi condenado por abuso de poder e ficou inelegível.
Carreira política no RJ e em Brasília
O senador cursou o ensino médio na Escola Técnica Rezende Rammel, no Rio, onde frequentou curso técnico em eletrônica. Depois, formou-se em Direito pela Universidade Candido Mendes.
Na política, desde seu primeiro mandato, o “01” apostou em pautas ligadas à segurança pública e ao conservadorismo como principais bandeiras. Foi deputado estadual por quatro mandatos seguidos.
Em 2014, propôs na Alerj um projeto para criar o Programa Escola Sem Partido, sem sucesso. Dois anos depois, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro e terminou em quarto lugar. Com informações do portal G1.
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