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Política Flávio Bolsonaro evita detalhar contas do filme sobre o seu pai e diz que assunto é “página virada”

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Candidato afirma que a prestação de contas do filme sobre Jair Bolsonaro já foi feita, mas não explica valores e destino dos recursos. (Foto: Vittor Sales/Divulgação)

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nessa quinta-feira (20) que considera “página virada” a controvérsia envolvendo o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e disse que a prestação de contas da produção já foi realizada.

A declaração aconteceu após Flávio ser questionado durante uma agenda em uma comunidade na região de São Miguel Paulista, na zona leste da capital paulista.

Questionado sobre a prestação de contas que havia prometido e sobre quando os dados seriam apresentados, Flávio afirmou que o procedimento já ocorreu, mas não apresentou durante a resposta detalhes sobre os valores recebidos, os gastos da produção ou o destino dos recursos.

“Olha, já aconteceu. Inclusive eu vi a própria prestação de contas que foi feita do filme, foi vazada do processo que responderam e viram que estava tudo certinho. Agora, quem tem que prestar contas é o Lula, não sou eu. É ele que recebe Augusto Lima e Vorcaro lá, prometendo que vai trocar o presidente do Banco Central para esperar um pouquinho, para não vender o Banco Master para outro banco, não. Espera um pouquinho que o Lula já vai trocar o presidente do Banco Central, rapidinho eles conseguem resolver isso. Então, quem tem que dar explicação é o Lula, quem tem que dar explicação é o Lulinha, por que ele quer que o futuro dele esteja na Suíça e não aqui no Brasil? Então, na nossa parte está tudo, página virada. Quem deve explicação agora é o PT, que é o governo mais corrupto e incompetente da história do Brasil”, afirmou.

Em maio, Flávio havia dito que estava “100% disposto” a tornar público o contrato relacionado ao financiamento do longa e afirmou que o dinheiro recebido de Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, havia sido integralmente aplicado na produção.

Na ocasião, ponderou que a divulgação do contrato dependeria das regras de compliance de um fundo privado sediado nos Estados Unidos.

Dias depois, o senador afirmou ter solicitado à produtora Go Up Entertainment uma prestação de contas das despesas e disse que o detalhamento deveria ser feito de forma transparente. O prazo mencionado por Flávio naquele momento era de 30 dias.

Em junho, uma perícia privada contratada pela defesa da produtora apontou custo de aproximadamente R$ 75 milhões para o filme, considerando despesas no Brasil e nos Estados Unidos.

O levantamento atribuiu os aportes ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos, mas não identificou nominalmente os financiadores por trás dos recursos.

O financiamento de “Dark Horse”, no entanto, segue sob investigação. Em julho, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a Polícia Federal a abrir inquérito para investigar os repasses feitos por Vorcaro para a produção.

A investigação busca rastrear cerca de R$ 61 milhões que teriam sido repassados pelo banqueiro para financiar o longa e apurar se houve irregularidade nos pagamentos ou eventual contrapartida relacionada a Flávio. O inquérito tramita sob sigilo.

O filme retrata a trajetória de Jair Bolsonaro e ainda não foi lançado.

O caso Dark Horse foi um dos principais abalos para Flávio Bolsonaro durante a pré-campanha e um dos fatores que mais dificultaram uma tração inicial maior do candidato.

No entanto, a avaliação da campanha é de que o atual momento está mais favorável ao senador, com maior proximidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto e sem um novo escândalo que atinja sua imagem — a crise com Michelle Bolsonaro (PL) também parece estar resolvida para a campanha.

Por isso, a estratégia da campanha tem sido de minimizar o episódio do Dark Horse e dizer que a prestação de conta seria de responsabilidade da produtora e que já foi feita, ainda que não publicamente. Ou seja, não posicionar Flávio mais de maneira direta na questão.

Nesta semana, em Brasília, ao ser questionado sobre o tema, o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL), também deu resposta semelhante à de Flávio. (Com informações da CNN Brasil)

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