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Política “Foi um grave erro o Tribunal Superior Eleitoral convocar as Forças Armadas”, diz o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo

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Aldo Rebelo é jornalista e foi deputado federal por seis mandatos consecutivos, representando São Paulo. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Depois de presidir a Câmara dos Deputados e ocupar vários ministérios na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Defesa, Esporte e Ciência e Tecnologia – Aldo Rebelo deixou o PCdoB e entrou no PDT, partido pelo qual vai disputar uma cadeira no Senado por São Paulo.

Na última pesquisa divulgada pela Quaest, ele aparece com 3% das intenções de voto, atrás de Márcio França (PSB), com 29%, Marcos Pontes (PL), com 12%, e Janaína Paschoal (PRTB), com 10%.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Rebelo, que também foi líder do governo petista na Câmara, adotou um tom crítico a Lula, a quem define hoje como uma “incógnita”: “Você não sabe exatamente o que vem do governo dele. Mesmo em 2003, o grupo que foi conduzir a economia não foi o mesmo que participou dos debates e da formulação do programa econômico”.

Na contramão de boa parte dos partidos de esquerda, Rebelo disse que a agenda identitária “é uma tragédia que divide o povo”. Na condição de ex-ministro da Defesa e de quem mantém boa interlocução com os militares, ele define como uma “comédia de erros” o papel que as Forças Armadas exercem hoje junto à Justiça Eleitoral. “O primeiro grave erro foi o TSE convocar as Forças Armadas. Além de convocar ainda pediu um parecer. Por que colocou o Exército no meio do debate?”, questionou. A seguir, os principais trechos da entrevista:

1) O senhor está no PDT do Ciro Gomes. Como avalia essa narrativa dura que ele adotou contra Lula e o PT?

O Ciro tem uma crítica ao PT cuja origem está na eleição de 2018. As pesquisas indicavam que ele teria todas as condições de ganhar as eleições, mas o PT optou por um caminho próprio de lançar um candidato próprio (Fernando Haddad) que terminou derrotado. E criou-se no País essa situação. Além disso, ele se propõe a ser uma alternativa ao PT. Isso exige que Ciro construa uma opinião muito crítica. No plano econômico há uma posição de conciliação do PT com o sistema financeiro. Ciro também tem uma posição muito crítica em relação à corrupção e à ideia de que a eleição é de rejeições.

2) O senhor concorda com essas críticas?

Não na forma, mas em relação à economia eu concordo no conteúdo. No Brasil, você pode construir uma aliança vitoriosa entregando a economia à Faria Lima, as áreas sociais do governo aos grupos identitários e a Amazônia às ONGs, mas isso torna o País ingovernável.

3) O ex-presidente Lula defende essa agenda?

O Lula, quando venceu a primeira vez, fez um governo de conciliação. Colocou o Henrique Meirelles no Banco Central, o (Antonio) Palocci fez uma agenda próxima à do mercado, e o meio ambiente ele entregou às ONGs. Isso naquela situação tornou o País governável. Mas a situação hoje é muito distinta daquela. O Brasil hoje com essa agenda de 2003 é uma promessa de crise social, econômica e política.

4) Como o senhor avalia a ascensão da agenda identitária na política brasileira?

Como uma tragédia que tem dividido os pobres, o povo e o País. Na minha juventude entrei em um partido de esquerda que tinha ideologia. Não existe mais a ideologia, o que existe é a biologia. Ideologia é mudar a sociedade para todos. O País está dividido entre pretos e brancos, homens e mulheres e orientação sexual. Ou seja: pelos critérios dos indivíduos e não dos interesses coletivos. Nas batalhas identitárias, os direitos individuais são mais importantes que os coletivos.

5) O senhor foi ministro da Defesa do presidente Lula. Como avalia a relação que o presidente Jair Bolsonaro tem com as Forças Armadas e o papel que ela cumpre na administração federal? Como era na sua época?

A relação do presidente Bolsonaro com as Forças Armadas desde quando era deputado era carregada de ambiguidade, unidade e conflito. Ele era muito querido pelos soldados, praças, sargentos e taifeiros. Exercia uma espécie de sindicalismo. Mas a relação com a hierarquia era muito complicada. O sindicalismo nas Forças Armadas é incompatível com a hierarquia e disciplina.

6) O que achou da entrada dos militares no debate sobre urnas eletrônicas?

Não tem inocente nessa narrativa. Por que o TSE foi convidar as Forças Armadas para se meter em um assunto que não é da sua esfera? Isso nunca foi assunto do Executivo. O primeiro grave erro foi o TSE convocar as Forças Armadas. Além de convocar ainda pediu um parecer. Por que colocou o Exército no meio do debate? Se você convidar o Ministério da Defesa está convidando o presidente da República, que é um desafeto da urna eletrônica. Essa comédia de erros começa com o TSE e encontra um coadjuvante à altura, que é a Defesa.

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