Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

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Mundo Futuro chanceler argentino lamenta “luto” em relação ao Brasil

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Ex-governador de Buenos Aires e futuro chanceler da Argentina, Felipe Solá. (Foto: Divulgação)

O governo do presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández , já definiu sua estratégia para encarar a relação com o Brasil: evitar de qualquer maneira que a ideologia seja parte do vínculo, driblar as “bofetadas” que possam ser antecipadas e permanecer no “ringue” buscando que, junto com a sociedade civil, sejam encontradas maneiras de conviver e dialogar. Esse foi o caminho traçado pelo dirigente peronista Felipe Solá , que assumirá a partir do próximo dia 10 de dezembro o comando do Ministério das Relações Exteriores do país.

Em palestra a professores e alunos da Universidade Torcuato Di Tella na noite de quinta-feira, o homem escolhido por Fernández para cuidar da política externa argentina disse que “estamos de luto em relação ao Brasil”, já que é “absolutamente inesperado que um país irmão com o qual tivemos uma quantidade de encontros com bom impacto regional inesperadamente tenha um governo com um nível de agressividade enorme contra a Argentina, contra o Mercosul e contra a História comum dos últimos 30 anos”.

Na mesma palestra, o futuro chanceler argentino também anunciou que seu país não sairá do Grupo de Lima, já que o governo de Fernández considera que devem ser mantidos âmbitos existentes e nos quais pretende expressar sua opinião e buscar saídas diferentes para crises como a venezuelana.

Para Solá, o que ele considera uma atitude agressiva do Brasil contra a Argentina representa um “golpe fortíssimo”:

— Não é que digamos “temos de acertar uma coisa com um fulano por que é um pouco aloprado”. Não, isso é um luto, um luto de ilusões, de projetos, de imaginação sobre o futuro… Frente a uma agressão assim a gente se fecha diante do inesperado e a reação imediata é um choque de imobilidade. A palavra que aparece é raiva, mas não podemos aceitar isso porque representamos um país.

O futuro chanceler deixou claro que “para brigar são necessários dois” e insistiu em evitar a ideologização da relação bilateral.

— Se querem ideologizar a relação, temos de evitar fazer a mesma coisa do nosso lado. Não vamos aceitar que o debate seja ideológico, até que se cansem. Vamos buscar todas as brechas possíveis e para isso é necessário a ação da sociedade civil junto ao Estado — disse o ex-deputado do Partido Justicialista (PJ), um dirigente veterano e que já ocupou cargos em governos peronistas passados, entre eles o de Carlos Menem (1989-1999).

Solá disse que essa colaboração da sociedade civil incluiria empresários, artistas e até mesmo militares.

— Quem quiser ideologizar vai encontrar dificuldades… Depois podemos discutir se (vale a pena ficar no) Mercosul, sim ou não. Pessoalmente, acho que eles (o governo brasileiro) não têm isso claro… vejo uma espécie de raiva ideológica — apontou Solá, que citou a entrevista do ministro Ernesto Araújo à imprensa, na qual o chanceler brasileiro defendeu que o Mercosul se transforme num “Sudeste Asiático”.

— Nunca discutiram isso no Mercosul… não é uma decisão unilateral. Não se pode anunciar algo primeiro à imprensa sem antes consultar os membros (do bloco). É uma ideia, podemos discutir… queremos que aceitem que exista debate, nossa intenção é modesta e legítima.

O novo embaixador no Brasil será o ex-governador da província de Buenos Aires Daniel Scioli. De acordo com Solá, sua missão será “deixar de lado a questão política e ideológica e priorizar a relação com todos os setores da vida brasileira”.

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