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Brasil “Gastamos dez vezes mais com a Previdência que com o futuro, que é a educação”, disse o ministro da Economia na Câmara dos Deputados

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O ministro da Economia defendeu a reforma e disse que a Previdência está condenada. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (3), durante audiência pública na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, que o governo gastou no ano passado dez vezes mais com a Previdência Social – que ele classificou como o “passado” – do que com Educação – o “futuro”, na visão dele.

Guedes compareceu à CCJ para prestar esclarecimentos aos deputados sobre a PEC (proposta de emenda à Constituição) da reforma da Previdência. Os destaques da audiência – que durou mais de seis horas e terminou em tumulto – foram: momentos de tensão. Primeiro, quando Guedes foi questionado por parlamentares da oposição. Depois, já no fim da audiência, que terminou após bate-boca entre ele e deputado Zeca Dirceu (PT-BR); o uso do termo “perverso”, por Guedes, para se referir ao sistema previdenciário brasileiro. O ministro disse o modelo atual prevê o desemprego para financiar a aposentadoria de idosos; a observação de que o sistema está “financeiramente condenado antes de a população envelhecer”; o plano de cobrar dos grandes devedores. De acordo com Guedes, o principais devedores da Previdência” são “36, 37”, que somam mais de R$ 300 bilhões em dívidas; e a mudança do Benefício de Prestação Continuada, uma das mais criticadas no texto da reforma. Guedes disse na audiência que os parlamentares podem alterar o texto.

A audiência estava prevista para a semana passada, mas foi adiada. Guedes desistiu de comparecer naquela ocasião porque ainda não havia definição de um relator para a PEC e porque havia a possibilidade de ficar exposto às críticas de oposicionistas.

Previdência

“Gastamos R$ 700 bilhões ano passado com a Previdência, nosso passado, e R$ 70 bilhões com educação, nosso futuro. Gastamos dez vezes mais com a Previdência do que com nosso futuro”, declarou na CCJ.

O ministro afirmou ainda que a “dimensão fiscal” do problema previdenciário, ou seja, o impacto nas contas públicas, é “incontornável”. “A principal componente de alta dos gastos foi com pessoal e, dentro disso, o elemento do déficit galopante tem sido a Previdência”, acrescentou.

Ele observou, ainda, que a população brasileira ainda é relativamente jovem e, mesmo assim, as despesas previdenciárias já são elevadas. “Existem sistemas que quebraram, a Grécia, e estamos vendo o exemplo de Portugal. Imaginamos como não deve estar o problema previdenciário na Venezuela hoje. Dimensão fiscal é inescapável”, disse.

Guedes usou diversas vezes o termo “perverso” para se referir ao sistema de previdência brasileiro. “Financiar a aposentaria do idoso desempregando trabalhadores é, na minha opinião, uma forma perversa de financiar o sistema. É, do ponto de vista social, uma condenação”, disse.

E acrescentou: “É um sistema perverso, 40 milhões de brasileiros estão excluídos do mercado formal, não conseguem ter capital, porque foram expulsos, excluídos do mercado formal, pela forma perversa com que o sistema é financiado. Isso é socialmente perverso”.

Ele reiterou que, seja qual for o governo ou partido no poder, o sistema de redistribuição do atual modelo de Previdência já não se sustenta.

“Está financeiramente condenado antes de a população envelhecer. Não interessa quem estiver no poder, seja o governo que for”. Segundo ele, “independentemente de quem esteja agora ou vai estar no governo, esse problema está se impondo”.

tags: educação

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