Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de maio de 2026
Fundado em 2004, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) tem somente 13 das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, número que precisa manter nas eleições deste ano para não ser engolido pela cláusula de barreira. Legendas que não atingem determinado percentual de votos, a norma restringe o acesso ao dinheiro do fundo partidário, além da propaganda gratuita em rádio e televisão. Considerando-se também os parlamentares da federação com a Rede, a quantidade de assentos sobe para 16.
Em São Paulo, hoje as cadeiras de deputados federais do Psol estão ocupadas por Erika Hilton, 33 anos, Sonia Guajajara, 53, e Sâmia Bomfim, 36, além de uma quarta, de Luiza Erundina, a decana do grupo.
Com 91 anos, a ex-prefeita de São Paulo não adotou um herdeiro para a vaga, como é o caso de Ivan Valente e Medeiros. Ela mantém agenda ocupada entre a capital paulista, Brasília e a sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa de São Paulo, onde quer disputar vaga como deputada estadual.
Outro investimento político, mais ambicioso, é no nome da ex-deputada federal gaúcha Manuela D’Ávila, 44 anos, na Região Sul do País. Ela deixou o PCdoB após mais de duas décadas para se filiar ao Psol em dezembro de 2025, tornando-se a principal aposta da sigla para uma vaga no Senado, casa onde não há um membro do partido desde 2015, quando Randolfe Rodrigues (PT-AP) migrou para o Rede Sustentabilidade.
Prioridade
O Senado, responsável por decidir indicações a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e à presidência do Banco Central, por exemplo, hoje é tomado por partidos de direita, como o PL. A Casa se tornou então uma das prioridades do Psol neste ano, conforme a presidente nacional do partido, Paula Coradi:
“Temos a impressão de que a eleição para o Senado vai ser muito estratégica. Vai ser onde a extrema direita vai centrar sua força política. Temos investido politicamente muito nessas candidaturas. Apoio político incondicional e articulações estão sendo feitas para que a gente possa avançar, principalmente no Senado”
Sem citar nomes, ela afirma que há a “construção de figuras públicas”, ou seja, desconhecidos que concorrem para construir uma imagem na cabeça dos eleitores aos poucos, mas também diz enxergar uma disputa real para o Senado. Além de Manuela D’Ávila pelo Rio Grande do Sul, a região conta com o vereador de Florianópolis (SC), Afrânio Boppré, como pré-candidato ao Senado pelo estado catarinense.
“Não é do perfil do Psol ter sucesso no Senado”, analisa Mateus de Albuquerque, cientista político, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais. “Há uma parcela da sociedade que é psolista, mas ela é minoritária. Então, o Psol consegue em eleições proporcionais, como Câmara e Assembleias Legislativas. Mas o Psol tem dificuldade em formar maiorias sociais, como é o caso do Senado.”
Para Albuquerque, a aposta em Manuela D’Ávila é “interessante” parte pelo capital que ela já herda anterior ao PSOL e parte porque a ex-PCdoB, na sua militância pessoal dos últimos anos, tem conseguido articular com setores mais amplos da sociedade, principalmente o público feminino de classe média que não são eleitores psolistas.
A Câmara e a cláusula de barreira, contudo, continuam no radar. “Temos uma expectativa de aumentar a nossa bancada”, prossegue a presidente do Psol, que projeta conseguir 18 assentos no Congresso em 2026. A expectativa inclui, segundo a dirigente partidária, manter as cadeiras de deputados em São Paulo. O Estado elege 70 deputados no total, a maior fatia da Câmara. (com informações da Folha de S.Paulo)
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