Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 13 de junho de 2023
Fabricantes de geladeiras, lavadoras, fogões e televisores, entre outros eletrodomésticos e eletroeletrônicos, consolidados no País terão pela frente um período de competição acirrada. As gigantes chinesas do setor, como Gree, Midea, Hisense e TCL, preparam uma ofensiva no mercado brasileiro, avaliado como de grande potencial de consumo para itens das linhas branca e marrom.
O avanço das fabricantes chinesas marca o início de um novo capítulo das empresas asiáticas no segmento de eletroeletrônicos no País. Os anos 1990 viram o crescimento das japonesas. Na década seguinte, foi a vez das sul-coreanas, que hoje lideram diversos segmentos de produtos no mercado nacional. E, a partir de 2020, são as chinesas que começaram a ganhar força no mercado doméstico.
“O período de provação das coreanas foi de 2000 a 2005, e depois elas começaram a se consolidar. A China hoje está passando por momento semelhante”, diz Carlos Murano, gerente-executivo da Gree Electric Appliances, um dos responsáveis pela operação da empresa chinesa no Brasil.
A própria trajetória profissional de Murano reflete a nova onda do mercado de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. O engenheiro começou a sua carreira na japonesa Hitachi, na área de aparelhos de ar condicionado. Depois, foi para sul-coreana LG, onde era responsável por condicionadores de ar, refrigeração e lavadoras. E, desde meados de abril deste ano, ele está na Gree, respondendo por esses segmentos.
Líder em ar condicionado na China, onde produz de celular a refrigeradores, passando por aspirador de pó, os produtos da Gree estão no Brasil há mais de 30 anos. Com fábrica própria, fincou bandeira no País a partir de 2001. Foi a primeira chinesa a se estabelecer aqui. Produz aparelhos de ar condicionado em Manaus (AM) e lidera esse segmento no País há dez anos, segundo Murano.
Fora da China, a empresa só tem fábrica no Brasil. Aliás, a unidade de Manaus tem um tamanho considerável, diz o executivo. A fábrica, que ocupa 100 mil metros quadrados e emprega 1.500 pessoas, tem capacidade para produzir um milhão de aparelhos de ar condicionado por ano. Em 2022, foram fabricados 600 mil aparelhos e há capacidade ociosa para acelerar a produção e incluir novos itens.
A companhia, que não revela quanto já investiu no País nem quanto fatura, prepara para o final deste ano um lançamento no segmento de aparelhos de ar condicionado. Também tem estudos para ter “muito em breve” no País refrigeradores e lavadoras lava e seca com a sua marca. “É um projeto bem embrionário”, frisa Murano. Ainda não está definido se os novos eletrodomésticos serão importados ou produzidos localmente.
Outra chinesa e rival, a Midea Carrier, está investindo R$ 600 milhões para erguer uma fábrica de refrigeradores de duas portas no sul de Minas Gerais, em Pouso Alegre. A nova planta, de 73 mil metros quadrados, começa a funcionar no final de 2024 e terá capacidade para produzir 1,3 milhão de aparelhos por ano. Segundo a consultoria GfK, o segmento de refrigeradores no Brasil teve faturamento de R$ 12 bilhões em 2022, ante R$ 9 bilhões em 2019, e 3,9 milhões de produtos foram vendidos no ano passado, queda em relação aos 4,1 milhões em 2019.
Segundo o CEO da empresa, Felipe Costa, a meta da companhia é estar entre os três principais fabricantes do mercado de refrigeradores em até quatro anos. Ele observa que a produção local proporciona a competitividade para que a empresa tenha relevância no segmento.
O Grupo Midea, que fatura US$ 53 bilhões e tem 166 mil funcionários no mundo, entrou no Brasil em 2011 por meio de uma joint venture com a americana Carrier, especializada em refrigeração e ar condicionado.
Hoje a empresa já tem duas fábricas no País: uma em Manaus (AM), onde são produzidos aparelhos de ar condicionado e fornos de micro-ondas, e outra em Canoas (RS), responsável pela fabricação de sistemas de refrigeração comercial.
Segundo Simone de Camargo, diretora de marketing da Midea Carrier, mesmo não produzindo localmente eletrodomésticos da linha branca e importando um volume reduzido, a empresa já conquistou fatias significativas de mercado no ano passado, de acordo com dados da consultoria GFK.
Em lavadoras com abertura frontal, incluindo lava e seca, por exemplo, a marca respondeu por 25% do mercado; em frigobar, 56%; geladeira side-by-side, 11%; freezer horizontal, 27%; e lava-louças, 13%. “Com a nova fábrica, pretendemos aumentar a participação em refrigeradores de duas portas, que é um segmento de mercado muito importante para a consolidação da marca”, diz a diretora.
O plano da Midea não é produzir localmente todos esses produtos, mas apenas as categorias de grande volume de vendas. Inicialmente refrigeradores e talvez, num segundo momento, lavadoras com abertura frontal, que é um segmento com grande mercado potencial no Brasil, observa Simone. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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