Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de outubro de 2023
Quase 300 milhões de tentativas de golpes de engenharia social – aqueles em que o cidadão é direcionado por criminosos a fornecer dados ou clicar em link suspeito que o deixa vulnerável a prejuízo – foram identificados nos 12 meses terminados em julho pela empresa de cibersegurança Kaspersky no Brasil.
Segundo Fábio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da empresa para a América Latina, o Brasil passou da posição de protagonista no cenário de fraudes digitais e financeiras para a de exportador, levando para fora do país a expertise que vitima milhares diariamente. “Se a gente puder escolher uma ameaça, é o trojan bancário (malware que invade aplicativos dos bancos). O criminoso brasileiro se especializou nisso, e o sistema bancário local está acostumado, mas nem todos os bancos na América Latina e na Europa contam com as mesmas tecnologias de proteção, o que os torna ainda vulneráveis a estes ataques”, afirma ele.
Diretor adjunto de Serviços Financeiros da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Walter Faria defende que os sistemas de segurança das instituições financeiras são “muito bem estruturados” e que os criminosos acabam recorrendo ao “elo mais fraco” para aplicar os golpes: os consumidores. Por isso, diz, os bancos estão investindo em campanhas de conscientização:
“Também estamos trabalhando num canal de comunicação para que o cliente vítima de golpe ou que tenha o celular roubado consiga informar a instituição e evitar fraudes. A ideia é que o sistema fique pronto no ano que vem e seja compartilhado. O banco que for contatado perguntará se o usuário é correntista de outros e repassará a informação.”
Segundo especialistas, golpes são reinventados diariamente e têm causado prejuízo financeiro aos brasileiros.
Para quem já foi vítima, a orientação é registrar o caso na delegacia. Se algum pagamento tiver sido feito via cartão de crédito, deve-se comunicar ao banco e solicitar o cancelamento da transação. Se foi via Pix, a opção é acionar o mecanismo especial de devolução (MED). É preciso ser ágil. O pagamento por boleto é muito difícil recuperar. Confira abaixo as ciladas mais comuns.
– Golpe do 0800: Falsos alertas são enviados via SMS ou aplicativo de mensagem avisando sobre uma transação suspeita no cartão de crédito. No texto, os criminosos indicam à vítima contatar uma falsa central telefônica. Para dar mais credibilidade, o número usado é um 0800. Na ligação, o golpista solicita informações confidenciais, como senhas e números de cartões, e até induz a pessoa a realizar transações financeiras. Outro artifício é afirmar que milhas ou pontos do cartão estão vencendo para estimular o contato com a falsa central e o fornecimento de dados.
– Ligações de atendente virtual: Numa variação do golpe do 0800, os bandidos ligam para potenciais vítimas e informam que foi identificada compra suspeita no cartão de crédito ou uma transferência programada. As quadrilhas usam Unidades de Resposta Audível (as URAs), tecnologia comum a call centers, e uma voz automatizada para convencer que se trata de uma central legítima. A suposta atendente virtual direciona a vítima a fornecer dados pessoais, senhas e tokens de autenticação. E orienta até a pagamentos para contestar a transação.
– Desenrola ou Valores a Receber: Programas de governo têm sido usados com frequência por quadrilhas. No caso do sistema Valores a Receber, do Banco Central, por exemplo, argumentam que há uma soma esquecida a ser retirada, e alegam que, para isso, deve-se pagar a “taxa de saque”. A primeira fase do Desenrola Brasil, de renegociação de dívida, foi usada por criminosos que enviaram e-mails, mensagens e criaram sites falsos usando nome e logo do programa. O governo diz que só se comunica por SMS, e sem qualquer link.
– Oferta de emprego é estratégia de atração: Com abordagens como “Você foi selecionado para um trabalho remoto” ou de meio período, prometendo bom salário, com mínimo de esforço e até citando grandes empresas, os criminosos chamam atenção das vítimas via SMS ou WhatsApp. Com essa engenharia social – como é conhecida essa técnica de aproximação – golpistas convencem a vítima a pagar uma falsa taxa de inscrição para curso de formação para a vaga ou inclusão na base cadastral. Depois, somem.
– Dinheiro multiplicado: As quadrilhas solicitam pequenos pagamentos diários, como R$ 5, para gerar retornos rápidos, de R$ 30 a R$ 40. Vendo os supostos resultados, a vítima passa a confiar no criminoso, que aumenta as quantias solicitadas até o golpe o final, quando a vítima não receberá mais nenhum retorno. As informações são do jornal O Globo.
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