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Tecnologia Google publica anúncios de notícias falsas em sites de checagem de fatos

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Segundo uma análise do New York Times, os títulos atraentes serviam de isca para levar leitores a sites fraudulentos que se disfarçavam de sites de notícias da corrente dominante, como People e Vogue. (Foto: Reprodução)

As manchetes são chamativas. Melania Trump está deixando a Casa Branca! A estrela das reformas de casas na TV a cabo Joanna Gaines abandonou seu programa na HGTV e o marido, Chip Gaines! O tele-evangelista Joel Osteen está deixando sua mulher!

Nenhuma dessas histórias era verdadeira. No entanto, no fim de semana passado, eram promovidas com anúncios destacados publicados pelo Google nos sites PolitiFact e Snopes, criados exatamente para verificar fatos e dissipar essas mentiras.

Segundo uma análise do “New York Times”, os títulos atraentes serviam de isca para levar leitores a sites fraudulentos que se disfarçavam de sites de notícias da corrente dominante, como People e Vogue.

Os anúncios de notícias falsas funcionavam todos do mesmo modo: exibiam títulos no topo dos sites de verificação de fatos que, uma vez clicados, levavam os leitores para sites que imitavam os logotipos e o layout das páginas de publicações legítimas.

As reportagens falsas começavam com títulos e grandes fotos das celebridades em questão, mas depois de algumas sentenças se transformavam num anúncio de creme contra rugas.

Os editores falsos usavam o sistema AdWords do Google para colocar os anúncios em sites que se encaixavam em seus amplos parâmetros, embora não esteja claro por que eles visavam especificamente os sites de verificação de fatos. Que os sistemas do Google conseguissem colocar anúncios de notícias falsas em sites dedicados a defender a verdade é um reflexo de como o gigante de buscas na internet continua sendo usado para disseminar informações erradas.

A questão esteve em destaque para muitas empresas de internet, com Facebook, Twitter e Google sendo questionados sobre se seus sistemas de anúncios automáticos podem ter sido utilizados pelos russos para difundir mensagens polarizadoras, falsas e explosivas.

Os anúncios em Snopes e PolitiFact mostram que o problema da desinformação online pode ser enorme, disse David Letzler, cientista pesquisador na Impact Radius, uma firma de inteligência de marketing digital. “Até os sites cuja missão é promover a veracidade podem inadvertidamente ser usados por charlatães”, disse ele.

O Google não quis explicar os detalhes de como os anúncios de notícias falsas apareceram nos sites de verificação de fatos. As contas que anunciaram em Snopes e PolitiFact foram encerradas pela plataforma de publicidade do Google depois que o “Times” perguntou sobre elas, segundo uma pessoa informada sobre os sites que pediu para permanecer anônima porque os detalhes eram confidenciais.

“Como sempre, quando encontramos práticas de publicidade enganosas em nossas plataformas, nós agimos rápido para adotar medidas, inclusive para suspender a conta do anunciante se for o caso”, disse em um comunicado uma porta-voz do Google, Chi Hea Cho. “Além disso, damos aos editores controles para que eles possam bloquear tipos específicos de anúncios e anunciantes.”

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