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Brasil Governador de Minas Gerais rebate acusações, mas documentos reforçam ligação entre empresário preso e campanha dele

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Fernando Pimentel afirma que o mandado de busca e apreensão cumprido no apartamento de sua mulher, Carolina, foi “um equívoco”. (Foto: Dorivan Marinho/Folhapress)

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT-MG), convocou a imprensa nesse fim de semana, no Palácio da Liberdade, antiga sede do governo mineiro, em Belo Horizonte, para dizer que o mandado de busca e apreensão cumprido no apartamento de sua mulher, a primeira-dama Carolina de Oliveira Pereira, foi “um equívoco que será corrigido”. Sem responder perguntas, ele disse que não havia fundamento para a suspeita.

“O mandado foi expedido com base em alegação absolutamente inverídica. Portanto, Carolina está sendo vítima de um erro, de um equívoco que será corrigido.” Pimentel informou que a mulher não participou da coletiva por estar grávida e muito abalada, portanto, por orientação médica, permaneceu em repouso.

“Estou aqui não na qualidade de governador, mas como cidadão, pai e esposo.” “É meu dever prestar contas. Só não fizemos isso ontem, porque queríamos ter acesso aos autos do inquérito. Carolina está abalada”, completou o governador.

O advogado Pieapaolo Bottini, que acompanhava o governador, disse que o endereço vasculhado pela PF (Polícia Federal) foi, de fato, sede de uma empresa de Carolina, contudo a empresa já estava fechada no fim de 2014, época da investigação. A PF investiga o uso da empresa da jornalista pela organização do empresário Benedito de Oliveira, um dos presos na sexta-feira pela Operação Acrônimo.

Um dos relatórios da operação afirma que a Oli Comunicação e Imagens, que está em nome de Carolina, seria apenas uma empresa de fachada. A companhia teria sido usada pelo grupo de Benedito para movimentação financeira indevida.

A PF chegou a essa conclusão depois de fazer uma visita ao endereço da empresa. No papel, a Oli funciona no mesmo endereço da PP & I Participações Patrimoniais, outra companhia supostamente usada em negócios nebulosos de Benedito Oliveira. “Conforme item 3.1.1. da Informação 009/2015, embora a recepcionista do local tenha referido o funcionamento da empresa Oli, nas salas 1810 e 1881 [onde deveria funcionar a empresa] não foi encontrada qualquer indicação da existência da mesma”, diz o procurador Ivan Marx ao pedir à Justiça Federal busca e apreensão de documentos em endereços de Carolina.

Acrônimo
A Operação Acrônimo apura o que a PF diz ser um esquema de montagem de empresas para lavar dinheiro. A maior parte das companhias é considerada como de fachada. Elas teriam movimentado mais de 500 milhões de reais em uma década, apenas em contratos com o governo federal.

A Gráfica Brasil, principal negócio da família de Benedito, faturou 465 milhões de reais nesse período, o que chamou a atenção dos investigadores. Outra empresa do grupo, Due, faturou 65 milhões de reais em eventos. Parte do valor pode ter sido doação para campanhas.

A residência da primeira-dama Carolina foi um dos alvos da operação da PF, que tem como foco empresários que fizeram doações para partidos políticos na campanha de 2014. No total, 30 endereços de pessoas físicas e 60 empresas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal foram incluídas na operação.

(AG)

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