Quarta-feira, 08 de julho de 2026
Por Gisele Flores | 8 de julho de 2026
O secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro , diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, presidente da FEDERASUL Rodrigo Sousa Costa, secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Ivan Amaral e secretário de Logística e Transporte do RS Clóvis Magalhães.Clóvis Magalhães.
Foto: Sérgius Gonzalez
O encontro Tá na Mesa, realizado na Federasul, tornou-se o mais profundo debate sobre o futuro da Malha Sul ferroviária, reunindo governo federal, estados e setor empresarial. A sessão trouxe dados inéditos: a audiência pública poderá ser postergada e uma reunião técnica de trabalho será realizada antes das audiências, para que os estados possam analisar os projetos de concessão.
Prorrogação e transparência
O diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, anunciou que pedirá a prorrogação das audiências públicas, inicialmente previstas para 16 de julho. Ele também prometeu abrir o sigilo dos estudos técnicos, atendendo à cobrança de maior transparência.
O secretário de Logística e Transporte do RS, Clóvis Magalhães, lamentou o acesso restrito às informações: “O relatório com as conclusões do grupo de trabalho tem acesso restrito por sigilo empresarial.”
Ele denunciou que o modelo reduz a malha de 7.223 km para 4.248 km, com o RS perdendo quase metade da extensão. Entre os riscos apontados:
O secretário Ivan Amaral de SC reforçou a crítica à falta de acesso aos estudos e destacou a necessidade de corredores logísticos que integrem o interior produtor aos portos de Rio Grande, Itajaí e Paranaguá, além de fortalecer a conexão com Sudeste e Centro-Oeste.
Empresariado cobra competitividade
O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, foi incisivo: “O RS tem cicatrizes muito profundas de uma concessão mal-conduzida. A empresa Rumo hostiliza os clientes, tratando-os como reféns. Se as ferrovias dos três estados do Sul não estiverem ligadas aos demais estados do Brasil, nosso futuro será sombrio.” Ele ressaltou que uma malha conectada é vital para reduzir custos logísticos e sustentar o crescimento das exportações do agronegócio e da indústria.
Visão do governo federal
O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, reconheceu a defasagem tecnológica da malha construída nos anos 1990 e afirmou que os projetos entram na etapa de participação social. As audiências públicas ocorrerão em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, e haverá espaço para contribuições online. “A iniciativa integra a carteira de projetos ferroviários apresentada pelo Ministério dos Transportes e faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a infraestrutura ferroviária nacional, restabelecer a conectividade logística e aumentar a competitividade e a integração do país com os mercados do Mercosul”, concluiu. (Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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