Quinta-feira, 05 de novembro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
22°
Mostly Cloudy

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Governo alemão anuncia plano de ação contra extrema direita

Compartilhe esta notícia:

Em janeiro, mais de 250 mil alemães protestaram contra o partido de extrema direita AfD. (Foto: Reprodução)

Semanas após a comoção pública gerada na Alemanha pela revelação dos planos da extrema direita de deportação em massa de imigrantes, a ministra do Interior Nancy Faeser apresentou nessa terça-feira (13) um conjunto de medidas para combater o extremismo de direita no país – ao qual se referiu como “a maior ameaça para a nossa ordem democrática”.

“Queremos usar todos os instrumentos do Estado de direito para proteger nossa democracia”, disse Faeser. “Queremos desmantelar redes extremistas de direita, acabar com suas fontes de receita e despojá-las de suas armas.”

O documento, com 13 pontos, prevê uma nova lei para o monitoramento de fluxos financeiros que abastecem grupos extremistas, o banimento da posse de armas para ativistas vinculados a esses grupos e uma proibição geral de armas semiautomáticas, restrições de viagens internacionais, além da demissão de servidores públicos que pertençam à extrema direita.

Detentores de cargos públicos ou eletivos também deverão ser melhor apoiados pelas autoridades caso se tornem alvo de ataques.

O Ministério do Interior propõe ainda a criação de uma “unidade de detecção precoce” de ações estrangeiras realizadas com o intuito de influenciar ou manipular a esfera pública na Alemanha. Aqui, o argumento da pasta é que radicais de direita e agentes estrangeiros podem se beneficiar mutuamente de ataques coordenados à democracia.

O documento propõe também a ampliação de competências do Departamento Federal de Proteção da Constituição, que monitora ameaças à segurança interna do país, para permitir o bloqueio de contas bancárias em caso de “potencial ameaça” à ordem pública. Hoje, isso só é possível em casos de incitação do ódio e da violência.

O pacote prevê ainda uma mudança na Constituição para blindar a Corte Constitucional da influência de extremistas – a nível estadual, a ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) já conseguiu nomear seus próprios juízes. Uma mudança deste tipo precisa ser autorizada por dois terços do Parlamento. “Quando forças autoritárias atacam a democracia, a Justiça muitas vezes é o primeiro alvo delas”, explicou a ministra.

Ultradireita vem ganhando terreno

Ao mesmo tempo em que a ultradireita tem crescido na Alemanha, com o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) saltando ao segundo lugar em pesquisas de intenção de voto, milhares têm saído às ruas no país para se opor a ela.

A comoção veio após a revelação de que membros da AfD e da CDU participaram de uma reunião com ativistas da extrema direita onde foram discutidos planos para deportar milhões de estrangeiros e até mesmo pessoas nascidas na Alemanha.

Segundo o chefe do Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV), Thomas Haldenwang, em 2022 o órgão contabilizou cerca de 38 mil pessoas como de extrema direita, das quais cerca de 14 mil eram violentas. “A tendência para o ano de 2023 é, mais uma vez, de claro crescimento”, afirmou.

Citando encontros de radicais violentos conhecidos pelas autoridades com parlamentares a nível federal e estadual, Haldenwang alerta que extremistas de direita estão expandindo o seu raio de alcance, conectando-se com “representantes de partidos, organizações e associações não extremistas”.

“Principalmente a tal ‘Nova Direita’ tenta popularizar sua ideologia desumana, levando-a para o meio da sociedade. O braço desses extremistas de direita alcança até o nosso Parlamento”, afirmou Faeser.

Críticas da oposição

Membro da oposição no Bundestag, a câmara baixa do Parlamento, Alexander Throm, do conservador CDU, reagiu ao plano de Faeser acusando a ministra de ignorar outras formas de radicalismo político. “A luta contra o extremismo de direita é importante e correta, mas a ministra está deixando de lado a luta contra o islamismo, o extremismo de esquerda e o antissemitismo associado a essas duas vertentes. Isso é irresponsável”, afirmou à agência de notícias dpa.

Questionada sobre as ponderações da oposição, Faeser disse que o governo “age duramente contra essas formas de extremismo”.

Haldenwang, do BfV, assegurou que o islamismo e o terrorismo islâmico são um “grande foco” do órgão, mas ressaltou que o extremismo de direita é, da perspectiva das autoridades, “de fato o maior perigo para a nossa democracia e para a segurança na Alemanha”. “De modo que ele é tratado com uma prioridade muito grande.”

A AfD não é a única preocupação das autoridades. Nos últimos anos, foram reveladas redes de extrema direita na polícia e nas Forças Armadas, além de planos golpistas traçados por cidadãos que não reconhecem o sistema democrático alemão.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Mais de 50 mil veículos já retornaram do Litoral gaúcho após as festas de Carnaval
Bolsonaro convoca ato na Avenida Paulista em meio a investigações de tentativa de golpe de Estado
Pode te interessar