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Esporte Governo federal negocia ingressos acessíveis ao público na Copa feminina de 2027

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Paulo Henrique Cordeiro, ministro do Esporte, falou sobre o Mundial feminino no País. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Preços dos ingressos e a entrada de turistas no Brasil são dois temas sensíveis para o governo brasileiro, em relação à Copa do Mundo de 2027. Quem afirma é Paulo Henrique Cordeiro, ministro do Esporte, em entrevista concedida ao Sport Insider.

Ele não menciona os Estados Unidos nominalmente, por diplomacia, mas é óbvia a referência à Copa masculina deste ano. A Fifa foi criticada pelo aumento dos preços em relação a edições anteriores, e o governo de Donald Trump, ainda mais, devido aos casos de atletas, árbitros e torcedores estrangeiros impedidos de visitar o país.

“Quem vende os ingressos não somos nós, o governo brasileiro. É a Fifa. Mas nós já estamos em conversação, não só para que consigamos ingressos sociais, também para ingressos a preços acessíveis à grande massa da população brasileira, que não tem a condição socioeconômica do norte-americano e do europeu”, diz o ministro.

Na Copa de 2026, a Fifa implementou o sistema de precificação dinâmica, que sobe ou reduz preços segundo a demanda. A federação também criou plataforma própria para revenda dos tíquetes, para que torcedores não dependessem de terceiros.

Para 2027, a reportagem apurou que ainda não há decisão arbitrada na Fifa sobre os preços das entradas. Jill Ellis, diretora de futebol da entidade, costuma usar o termo affordable (acessível) em falas públicas; sem especificar valores ou sistemas.

Cordeiro sustenta que a demanda no Brasil é crescente. Houve mais de 800 mil registros de interesse desde a abertura das inscrições, em 9 de julho, de acordo com ele, mesmo sem informações precisas sobre valores, cotas ou descontos.

“Não faz sentido ingressos com preços exorbitantes” conclui o ministro.

Passe livre para turistas

Cordeiro conta que há um trabalho em andamento no Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores, para facilitar entrada de estrangeiros no Brasil durante a Copa.

“O Itamaraty vai preparar o receptivo para que a gente faça [a Copa de 2027] lindamente, para que a gente não barre jogadores, não barre turistas, não barre dirigentes, não barre autoridades…“, exemplifica o ministro do Esporte.

Ele não faz menção aos Estados Unidos, mas as referências são claras. Na Copa masculina, foram reportados diversos casos de pessoas impedidas de entrar no país. A seleção do Irã foi obrigada a se alojar no México durante toda a competição.

O turismo é um dos pilares para o retorno da competição ao Brasil. Em estudo feito pela FGV e divulgado pela Embratur, é esperado um impacto econômico na ordem de R$ 8,8 bilhões, dos quais R$ 4,7 bilhões são oriundos de gastos de turistas.

Plano de legado pendente

Se para retorno econômico existe alguma régua de mensuração, o governo brasileiro ainda não expôs as metas para o legado. Faltam apenas dez meses para a abertura da competição, que será realizada de 24 de junho a 25 de julho de 2027.

O Ministério do Esporte tem sido cobrado pelo Tribunal de Contas da União pelo documento, que reunirá objetivos, fontes de financiamento e formas de monitoramento após o apito final. O prazo vence no início desta semana.

“O plano existe e será apresentado rigorosamente dentro prazo fixado pelo TCU”, afirma Paulo Henrique Cordeiro, que assumiu a pasta em 31 de março deste ano.

A cobrança do tribunal nasceu da constatação de que não há como aferir o legado sem parâmetro. A determinação de que o governo precisa produzir esse documento saiu duas semanas antes de Cordeiro herdar o ministério de André Fufuca.

Ao tentar dimensionar quanto o governo aplica hoje no futebol feminino, a equipe do TCU não obteve do Esporte os valores da modalidade na Lei de Incentivo ao Esporte, política de maior materialidade entre os projetos executados pela pasta, nem os valores aplicados via Bolsa Atleta, que remunera esportistas no País todo.

Questionado pelo Sport Insider sobre quantas mulheres estão entre os 11 mil atletas contemplados pelo Bolsa Atleta em 2026, o ministro não soube responder.

Por fim, o TCU aponta “desalinhamento entre o discurso político de impacto social e o fortalecimento do futebol feminino com a Copa”. O órgão cita como exemplo o comitê gestor, grupo que define o que cada ministério faz no torneio. Ele foi criado só em setembro de 2025, mais de um ano após o Brasil ser escolhido país-sede.

Cordeiro não rebate os apontamentos do tribunal e diz que a provocação feita pelo TCU é pertinente, mas explica os atrasos e destaca que já havia articulação entre cidades-sede, Estados e Fifa desde antes da formalização do comitê gestor.

“A atuação dos órgãos de controle na competência constitucional de fiscalização é legítima e necessária para garantir a conformidade dos atos. No entanto, a execução no Poder Executivo submete-se ao princípio da estrita legalidade”, diz.​

Dívida com as pioneiras

Entre compromissos assumidos com data para o cumprimento, o pagamento às pioneiras está próximo de acontecer. A Lei 15.421 prevê pagamento às jogadoras que vestiram a camisa da seleção brasileira nos primeiros mundiais femininos, em 1988 e 1991, e Cordeiro afirma que os R$ 500 mil para cada uma saem neste ano.

Ele classifica a medida como “reconhecimento histórico de justiça a essas atletas”, que já participaram de homenagens, inclusive em Brasília. A reparação tem um contexto histórico importante. Até 1979, a prática do futebol profissional, assim como outras modalidades esportivas, era proibida para mulheres no País.

As pioneiras defenderam o Brasil sem remuneração, sem estrutura e sem visibilidade. Pela falta de profissionalização, a maioria não conseguiu estabilidade previdenciária, isto é, acesso à aposentadoria que trabalhadores formais recebem.

“O pagamento tem previsão de desembolso para novembro”, finaliza o ministro.

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