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Economia Governo federal reage ao tarifaço dos Estados Unidos e fala em direito de usar a Lei da Reciprocidade

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Planalto diz que continuará negociando com os Estados Unidos. (Foto: GAI Media)

O governo Lula elevou o tom nessa terça-feira (2) contra a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos e afirmou que a conclusão preliminar do processo está contaminada por interesses políticos e eleitorais. Em nota divulgada após o anúncio do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o Palácio do Planalto classificou como injustificáveis as medidas propostas contra o Brasil e voltou a defender que não há fundamento econômico para a aplicação de novas tarifas.

O governo afirma que a investigação teve origem em uma articulação política ligada à família Bolsonaro e acusa aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de atuarem contra os interesses do país.

“É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”, diz o texto.

O governo também criticou a inclusão do Pix entre os alvos da investigação americana. O sistema de pagamentos instantâneos operado pelo Banco Central foi citado pelo USTR como um exemplo de prática que prejudicaria concorrentes privados dos Estados Unidos.

Segundo o Planalto, o Pix é uma infraestrutura pública, gratuita e aberta à participação de empresas estrangeiras, sem qualquer tipo de discriminação. A nota afirma ainda que empresas americanas atuam normalmente no sistema financeiro brasileiro e destaca que o Brasil é o segundo maior mercado do mundo para as principais bandeiras de cartão de crédito dos Estados Unidos.

Contestações

Ao longo do documento, o governo apresenta uma série de dados para contestar as justificativas americanas.

Um dos principais argumentos é o histórico superavitário dos Estados Unidos na relação comercial bilateral. Segundo dados citados pelo Planalto, os EUA acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços nas trocas com o Brasil entre 2011 e 2025. Apenas no ano passado, o saldo positivo americano em bens chegou a US$ 14,46 bilhões.

O governo também argumenta que a abertura do mercado brasileiro aos produtos americanos é elevada. De acordo com a nota, 76% das importações provenientes dos Estados Unidos ingressaram no Brasil sem pagamento de imposto de importação em 2025. A tarifa média efetivamente cobrada sobre produtos americanos foi de apenas 3,1%.

O Planalto também rejeitou as críticas relacionadas ao etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento.

No caso ambiental, o governo destacou a meta de zerar o desmatamento até 2030 e afirmou que a derrubada da floresta na Amazônia Legal já caiu cerca de 50% em comparação com os níveis registrados em 2022. Também citou dados recentes do MapBiomas que apontam que o desmatamento atingiu em 2025 o menor patamar dos últimos sete anos.

Negociações 

Apesar das críticas, o governo afirmou que continuará negociando com Washington para tentar encerrar a investigação antes do prazo final, previsto para 15 de julho.

Segundo a nota, as conversas foram acordadas diretamente entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante encontro realizado em Washington no dia 7 de maio. Desde então, equipes dos dois países vêm discutindo alternativas para evitar a adoção de medidas punitivas.

Ao mesmo tempo, o governo sinalizou que poderá reagir caso as recomendações do USTR sejam transformadas em tarifas efetivas.

O texto ressalta que o Brasil se reserva o direito de utilizar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, para responder a medidas consideradas injustas ou incompatíveis com as regras internacionais de comércio.

“O governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros”, afirma a nota. (Com informações do jornal O Globo)

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