Quarta-feira, 22 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 21 de julho de 2026
O petróleo ampliou a recente alta e fechou com o barril no maior valor desde o dia 10 de junho, quando o barril fechou a US$ 93, à medida que os investidores avaliam as ameaças ao tráfego marítimo que se estendem do Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, e do Mar Vermelho até um importante terminal de exportação de petróleo do Cazaquistão, na costa russa.
O Brent, referência global para os preços do petróleo, avançou 2,01%, para US$ 91,01 por barril, enquanto os Estados Unidos realizaram o décimo dia consecutivo de ataques contra o Irã, após o presidente Donald Trump prometer que Teerã “pagará” pela morte de soldados americanos. Em mais um sinal das tentativas iranianas de atingir navios que cruzam o Estreito de Ormuz, outra embarcação que transportava derivados de petróleo foi atingida.
Ao mesmo tempo, os houthis, grupo rebelde do Iêmen apoiado pelo Irã, ameaçaram bloquear o tráfego marítimo da Arábia Saudita no Mar Vermelho, acrescentando um novo fator de risco ao fornecimento do maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O grupo enviou e-mails a armadores — empresas responsáveis pela operação comercial dos navios — orientando que evitassem atracar em portos sauditas, enquanto pelo menos três navios-tanque já haviam feito meia-volta no sul do Mar Vermelho.
Os preços do petróleo têm oscilado conforme aumentam ou diminuem as perspectivas de escalada do conflito, resultando em movimentos cada vez mais voláteis. A ameaça dos houthis pode abrir uma nova frente na guerra, impulsionando ainda mais as cotações poucas semanas depois de o mercado acreditar que havia evitado os piores impactos do conflito envolvendo o Irã.
As exportações sauditas a partir do porto de Yanbu atingiram níveis recordes nos dias e semanas anteriores à ameaça dos houthis de bloquear os embarques do reino, segundo dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg. O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita afirmou que adotará todas as medidas necessárias para proteger suas embarcações, em conformidade com o direito internacional.
O banco americano Goldman Sachs avalia que o Brent pode superar US$ 120 por barril no quarto trimestre caso as interrupções no Estreito de Ormuz persistam, embora esse não seja o cenário-base da instituição. Atualmente, o banco projeta o Brent em US$ 80 por barril nos últimos três meses do ano, mas considera que a ameaça dos houthis aumenta os riscos de alta para essa previsão.
O tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz ficou praticamente paralisado na segunda-feira, após os ataques iranianos a embarcações no fim de semana. O superpetroleiro Acheloos e um navio menor que transportava combustíveis foram atingidos na hidrovia, segundo a Dynacom Tankers Management, empresa responsável pela gestão das embarcações. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.
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