Quarta-feira, 22 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 8 de abril de 2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tratou do assunto com sua equipe e, posteriormente, com o presidente Lula.
Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilO pacote de linhas de refinanciamento de dívidas em elaboração pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode incluir empresas de médio porte com faturamento anual de até R$ 300 milhões, segundo pessoas com conhecimento do tema. Esse grupo, classificado como empresas de porte médio-grande, deverá ter acesso a garantias por meio do Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (PEAC), via Fundo Garantidor para Investimentos (FGI).
O FGI é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e atua como um mecanismo de garantia parcial de crédito. Na prática, o fundo cobre parte do risco de inadimplência, o que reduz o custo dos financiamentos para as empresas e facilita o acesso ao crédito.
Em ano eleitoral, o governo demonstra preocupação com o risco de aumento no número de falências. A pressão sobre o crédito empresarial não é exclusiva do Brasil e também tem sido observada em outros países, como os Estados Unidos. No entanto, no cenário doméstico, a manutenção da taxa básica de juros em níveis elevados — atualmente em 14,75% ao ano — tende a intensificar as dificuldades enfrentadas pelas empresas.
O Banco Central do Brasil (BC) afirmou, em documento recente, que o risco de crédito para empresas de pequeno e médio porte apresenta sinais de elevação. A instituição também apontou casos pontuais de deterioração da capacidade de pagamento em companhias de maior porte.
“O ambiente de taxa básica de juros contracionista, aliado ao elevado endividamento de famílias e empresas, requer cautela e diligência nas concessões de crédito”, destacou o BC na ata de março do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef).
No ano passado, o PEAC-FGI garantiu cerca de R$ 120 bilhões em operações de crédito para empresas com faturamento de até R$ 300 milhões. Para este ano, a previsão inicial é de aproximadamente R$ 60 bilhões. Com novos aportes do governo federal ao fundo, esse volume pode ser ampliado — a estimativa é que cada R$ 1 bilhão adicional permita alavancar entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões em crédito.
Dados divulgados pela Serasa Experian indicam que o número de pedidos de recuperação judicial atingiu cerca de 2,5 mil empresas no ano passado, o maior nível da série histórica. O avanço desses pedidos tem gerado preocupação no governo quanto a possíveis impactos econômicos e políticos.
O tema foi discutido em reuniões recentes no Palácio do Planalto. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tratou do assunto com sua equipe e, posteriormente, com o presidente Lula, em encontro que também contou com a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Galípolo tem defendido que o elevado endividamento das famílias, especialmente no crédito rotativo do cartão, exige medidas estruturais voltadas ao aumento da renda e da produtividade, além da política monetária.
Ao comentar o cenário do crédito corporativo, em meio a casos recentes envolvendo empresas como Raízen e Grupo Pão de Açúcar (GPA), o presidente do BC afirmou que as dificuldades enfrentadas pelo setor resultam de uma combinação de fatores, incluindo questões de governança, desafios estruturais e os efeitos do ciclo de juros elevados.
O pacote em elaboração pelo governo deve incluir medidas voltadas tanto para pessoas físicas quanto para empresas, além de iniciativas setoriais. Entre os segmentos que podem ser contemplados estão motoristas e entregadores de aplicativos, bem como microempreendedores individuais (MEIs) de áreas específicas.
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