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Geral Governo tenta barrar bomba de 11 bilhões de reais ao pôr municípios na desoneração da folha de pagamentos

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que soube pela imprensa da medida de incentivo fiscal à linha branca de eletrodomésticos. (Foto: Washington Costa/MF)

A equipe econômica trabalha para barrar a votação de uma medida que reduz a contribuição previdenciária que as prefeituras pagam na folha de salário dos seus servidores. A desoneração foi incluída pelo senador Ângelo Coronel (PSD-BA) no projeto de lei que prorroga por quatro anos a desoneração da folha de pagamentos para 17 setores da economia. O custo da redução de tributos para as prefeituras pode chegar até R$ 11 bilhões aos cofres públicos.

Os valores colocaram em alerta a equipe econômica, que agora trabalha para adiar a todo o custo a votação do texto, o que quase ocorreu na semana passada, em uma sessão marcada por forte pressão de prefeitos e sindicalistas.

A medida é considerada um grande “jabuti” pelo governo, com a previsão de perda de receita no momento em que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, trabalha para aumentar a arrecadação e cortar renúncias fiscais como benefícios tributários para atingir as metas do novo arcabouço fiscal. Pela nova regra, o governo só pode gastar mais se a arrecadação também aumentar.

O governo considera que a discussão do projeto só deveria ser feita no segundo semestre, no âmbito da reforma tributária. Pela emenda do senador Angelo Coronel, relator do projeto, a alíquota da contribuição previdenciária sobre a folha das prefeituras cairia de 20% para 8% para municípios com população até 142,6 mil habitantes.

Coronel decidiu incluir 3 mil municípios no programa que reduz a contribuição previdenciária de empregadores. A proposta tramita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

O parlamentar estima que a conta da desoneração dos municípios chegue a R$ 9 bilhões por ano. É um valor parecido com o cálculo de economistas do mercado financeiro. Já a Confederação Nacional de Municípios estima o valor em R$ 11 bilhões.

O relatório só não foi aprovado porque, em cima da hora, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), pediu vistas (adiamento), alegando que precisa unificar a posição governista sobre o tema. Representante do Ministério da Fazenda na sessão, a procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Almeida, defendeu que o tema esperasse pela reforma tributária. O argumento não agrada aos políticos, nem aos setores originalmente atendidos.

O projeto de lei foi proposto em fevereiro pelo senador Efraim Filho (União-PB) com o objetivo de estender a desoneração da folha a 17 setores da economia, escolhidos por serem intensivos em mão de obra, como call center e comunicações. O benefício tributário expira em 31 de dezembro e, por isso, setores atendidos mobilizam parlamentares. O custo da extensão da desoneração para esses 17 setores foi estimado pela Receita Federal em R$ 9,4 bilhões.

O relator diz, em seu parecer, que as prefeituras que se enquadram na desoneração são as que têm população pequena, com arredação insuficiente para bancar suas próprias contas — e, por isso, são dependentes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Essas prefeituras, segundo o relator, precisam de recursos para bancar serviços à população. Na defesa da medida, ele diz que as prefeituras usam de forma intensiva a mão de obra, principalmente de profissionais da saúde e da educação.

Ele incluiu até o Bolsa Família em seus argumentos. O relator argumentou que em 13 Estados há mais adultos beneficiários do programa do que trabalhadores com carteira assinada, e a medida ajuda a empregar mais.

“Não há impacto fiscal ao setor público, pois se trata de um aperfeiçoamento do pacto federativo – a União deixa de arrecadar a contribuição dos municípios, tendo efeito líquido neutro ao setor público”, afirma seu relatório.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, disse que os municípios têm uma dívida de R$ 190,43 bilhões com a Previdência. “É impagável nem daqui a 3 milhões de anos”, afirmou. O presidente da CNM diz que a economia seria aplicada em saúde, educação, obras, saneamento, geração de emprego e renda e proteção social.

Colega de partido e de Estado de Ângelo Coronel, o líder do PSD no Senado, Otto Alencar (PSD-BA), afirma que o governo não deveria tratar pequenas cidades com grandes capitais, como São Paulo ou Florianópolis.

“Melhor para o governo receber menos do que não receber nada”, afirma. “Se diminuir a contribuição, todos irão pagar, porque o texto do Coronel estipula como compulsório o pagamento, com base no desconto dos repasses do FPM”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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